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sábado, 25 de outubro de 2014

A HORA E A VEZ DOS TRANSPORTES?

O que está em jogo nas eleições de 2014

A gestão dos transportes de um país tem reflexo direto na sua atividade 
econômica e na qualidade de vida de sua população. Nos últimos dias, temos 
acompanhado os debates na campanha presidencial e uma questão fica muito 
evidente. Estão em disputa dois modelos de desenvolvimento, e caberá ao 
eleitor no próximo domingo decidir, qual deles é melhor para o Brasil. Um que 
governou o país de 1989 a 2002, começando com Fernando Collor de Mello e 
encerrando com Fernando Henrique Cardoso e outro com Luis Inácio Lula da 
Silva 2003 á 2010, e Dilma Roussef eleita em 2010. São projetos antagônicos e 
poderíamos apontar suas diferenças em todas as áreas relativas ao 
desenvolvimento econômico e social do país, mas vamos aqui comentar 
apenas às questões relativas aos transportes. Em 1989, com a eleição de 
Fernando Collor o governo federal, pautado pelo Consenso de Washington, 
inicia o desmonte da gestão dos transportes no Brasil. Conhecido também 
como neoliberalismo era a política que o governo dos Estados Unidos 
preconizava para a crise econômica dos países da América Latina. Pregava 
que o funcionamento da economia deveria ser entregue às leis de mercado; a 
abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e de 
eliminação de barreiras aos investimentos estrangeiros; amplas privatizações; 
a redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos; e a 
desregulamentação do mercado de trabalho, para permitir novas formas de 
contratação que reduzam os custos das empresas. Neste período governo 
federal promove modificações na estrutura de estado, onde o destaque foi à 
concentração na chamada “Área Econômica do Governo” das decisões sobre o 
planejamento e gestão dos recursos associados ao desempenho das 
atribuições dos órgãos executores, e o Ministério dos Transportes passa a ter 
um papel subsidiário na questão do planejamento e gestão da infraestrutura 
dos transportes. Ainda que a administração tenha retomada a prática da 
elaboração de planos plurianuais, onde os programas “Brasil em Ação” e 
“Avança Brasil” são marcas criadas para simbolizar um conjunto de estratégias 
de infraestrutura para o suporte ao desenvolvimento econômico, pouco se 
avançou na real implantação das obras preconizadas nestes planejamentos, 
haja visto o forte contingenciamento orçamentário, muito em função das regras 
do FMI que condicionava os investimentos em infraestrutura ás folgas superávit 
primário, que por sua vez era afetado pelas crises na economia mundial 
globalizada. A ação do Estado passa promover a descentralização de 
atividades exercidas por órgãos e empresas públicas para o setor privado e 
para as esferas estaduais e municipais e a mudança do foco da atuação 
governamental das atividades de produção de bens e serviços para o 
desempenho de funções regulatórias. Em 2002, no último ano do governo 
FHC, através da Lei 10.233, de 2001, extingue o GEIPOT, DNER, a RFSA e cria 
o DNIT, a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres e a ANTAQ 
– Agência Nacional de Transportes Aquaviário. 

Quando o PT assume o governo federal em 2003, define como prioridade o 
combate à fome e resolver os problemas da economia do país, deixadas pelos 
governos anteriores. Não iremos neste texto elencar os avanços que o país 
acumulou nestes anos do governo do PT, tanto nas questões sociais como na 
economia do país. Nos Transportes, mesmo sem ser a prioridade do governo 
muito se avançou nestes doze anos. A criação do Ministério das Cidades que 
separa o transporte como indutor da qualidade de vida da população, dos 
transportes como fator de desenvolvimento econômico, tarefa esta do 
Ministério dos Transportes; A criação da Secretaria de Portos, que de certa 
forma supre a ausência de um órgão responsável para cuidar do transporte 
aquaviário, uma vez que a PORTOBRÁS havia sido extinta no governo Collor. 
A criação da Secretaria da Aviação Civil, mudando o conceito da Aviação Civil 
como assunto de segurança nacional e os aeroportos deixam de se vistos 
como base de operação militar e passam a ser planejados como locais de 
transferência de pessoas e mercadorias. A reformulação do papel da VALEC - 
estatal sobrevivente do processo de privatização da Companhia Vale do Rio 
Doce, que assume a missão de construir a Ferrovia Norte Sul e passa a ter 
uma função estratégica no resgate da infraestrutura de transportes ferroviário 
no país, preenchendo o vácuo deixado com a extinção da Rede Ferroviária 
Federal; Avançamos com a criação da EPL – Empresa de Planejamento e 
Logística S/A, o estado brasileiro aumenta seu papel articulador, de 
planejamento, de formulação de políticas e de efetiva gestão dos assuntos de 
transportes, a nova modelagem das concessões de rodovias, ferrovias, portos 
e aeroportos. Mas o grande avanço do governo do PT nestes anos, e a grande 
diferença quando comparamos aos governos neoliberais, foi sem dúvida a 
criação do PPI - Programa Piloto de Investimento, que antecedeu o PAC, cuja 
importância maior foi retirar determinados investimentos em infraestrutura da 
contabilidade do superávit primário, rompendo de vez com a tutela do FMI na 
gestão da infraestrutura do país e da política neoliberal imposta até então pelo 
Consenso de Washington. Não houvesse a crise mundial de 2008, o 
cronograma de investimentos na infraestrutura de transportes, com certeza não 
seria afetado. Mas o sucesso dos empreendimentos realizados por ocasião da 
Copa do Mundo comprova que o país está no caminho certo, preparado para 
crescer e é a hora e a vez dos transportes. 

Keiji Kanashiro é assessor técnico da Liderança do PT na Câmara dos 
Deputados, foi secretário-executivo do Ministério dos Transportes e secretário 
de logística e transportes do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Estamos na Luta

Estamos na Luta
Evaristo Almeida – Coordenador do Setorial Nacional de Transportes do PT
Hoje foi um daqueles dias especiais em que nos sentimos mais vivos e ativos. Participei de uma caminhada pró DILMA 13, que foi da Praça da República, passando pelo Patriarca e chegando até a Praça da Sé, em São Paulo. Teve muito jovem nessa caminhada, alguns ainda em carrinhos de bebê e também teve pessoas com muita experiência de vida, alguns acima dos 80 anos. Essa campanha política é diferente de todas as outras que participei, pois o antagonismo ficou muito evidente e também o risco de em caso de vitória da direita com Aécio Neves, um retrocesso social, político e econômico para o Brasil, como foi a ditadura militar. Para eles pobre é só para trabalhar para os ricos, sem direitos trabalhistas e ganhando salários de fome, como nos quase 500 anos que governaram o Brasil. É contra isso que lutamos. A classe média brasileira foi envenenada nesses últimos 12 anos contra o PT e os governos LULA e DILMA, pela Veja, Globo, Folha e Estado. Essa mesma classe social que passou fome e perdeu o emprego nos anos do governo do Fernando Henrique do PSDB, agora cospe no prato que está comendo. Nunca vi tanto carro de luxo novo nas ruas, venda de apartamentos e viagens para o exterior. A classe média que imitar os 1% dos mais ricos que ferram o país como um todo e está cometendo um grande erro, sendo até masoquista. Nós que lutamos por igualdade e liberdade somos tachados de ladrões e corruptos, sendo que no nosso governo é que se está combatendo a roubalheira nesses quase 500 anos de governos do PSDB. A roubalheira de São Paulo é jogada para debaixo do tapete com a cumplicidade da mídia e do poder judiciário. É uma vergonha que o mensalão do PSDB de Minas Gerais não tenha sido julgado, assim como ninguém está preso do escândalo da pasta rosa, Sivam, Trensalão e outros mais. Um helicóptero cheio de cocaína de um amigo do Aécio Neves é pego e nada acontece. Se fosse um carro velho de um traficante, esse estaria preso ou até morto. Vivemos num país muito desigual, mas a mudança já começou a acontecer e acredito nessa rapaziada que tem aparecido nos comícios da DILMA e nas caminhadas. O Brasil que queremos é um país de igualdade e oportunidades para todos. Fico estarrecido com o preconceito dos eleitores de Aécio Neves contra o Bolsa Família e os nordestinos. Eles sentem ódio pelas pessoas estarem melhorando de vida, comprando carro novo, andando de avião e estudando em universidades, como somente a eles coubesse ter uma vida melhor. Mas voltando a caminhada de hoje, desde 1989 não participava de um ato político na Praça da Sé em frente da Catedral de São Paulo. Em 1989 foi o último comício de LULA e a praça lindamente cheia de pessoas, esperança e solidariedade. Depois caminhamos até a Paulista, foi um momento de epifania. Por isso a mágica de hoje. Estou confiante na vitória da DILMA no próximo dia 26 (13 + 13) de outubro, não por acaso dia do meu aniversário. Mais do que isso temos de abrir um novo tempo para o Brasil, em que façamos um projeto de nação, suprapartidário, feito com o povo em que avancemos mais na democracia e na igualdade social. Esse momento político que estamos vivendo é uma oportunidade para canalizarmos as forças populares para avançarmos numa sociedade do século XXI, deixarmos para trás o nosso passado escravocrata, que ainda no persegue e entrarmos numa sociedade solidária e humana em que todos possam desfrutar do progresso material e espiritual que isso proporciona. O importante desse processo político é que o PT pode de novo andar de cabeça erguida com nossas bandeiras, botons, camisetas e bonés. Retomamos as ruas e de novo somos respeitados. Estamos reafirmando o Partido dos Trabalhadores como instrumento de lutas do povo brasileiro. É isso que faz a classe dominante tremer de medo, pois somos muito mais fortes do que eles e seus candidatos fantoches que só querem a volta da escravidão para o povo brasileiro e servir aos Estados Unidos, nos transformando numa colônia como atualmente é o México, em que a única coisa que prospera é o tráfico de drogas e o aumento da pobreza. Devemos nos reafirmar como nação e convidar todas as forças progressistas, partidos de esquerda para caminhar juntos conosco. Eles já estão, pois hoje havia gente de muitos outros partidos e tendências políticas. O PT sozinho não consegue levar adiante um projeto político de nação. Hoje foi um dia muito especial e vamos à luta, pois temos sábado e domingo para derrotarmos o retrocesso que a candidatura de Aécio Neves representa. Devemos ficar alertas, pois eles estão desesperados e capazes de tudo para colocar um fantoche na presidência da República. Vamos à luta, pois amanhã é um novo dia para lutarmos pelo nosso projeto político de nação e melhorar a vida do nosso povo.

Um abraço a todos Companheiros e Companheiras do Brasil que estão levando essa luta adiante.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Programa econômico da Marina: direita volver?

Evaristo Almeida*

Recentemente a candidata Marina Silva apresentou o programa de governo para a campanha presidencial de 2014. A novidade é que a linha ideológica apresentada pela Marina é mais conservadora que a do candidato Aécio Neves, do PSDB, vem defendendo. Não porque Aécio não comungue dos mesmos ideais, mas haveria repulsa imediata do povo para várias questões polêmicas como autonomia do Banco Central, flexibilização dos direitos trabalhistas, tarifaço em alguns preços públicos, reforma política, privilegiando o poder econômico, entre outros.

Vamos trabalhar nesse artigo com quem faz a cabeça dos economistas da Marina e a matriz ideológica dos que escreveram o programa econômico da candidata do PSB que é a mesma dos economistas do PSDB. São economistas neoliberais, com doutoramento nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vale lembrar que esses dois países passam por crises econômicas profundas, com desemprego crônico e falta de perspectiva para os trabalhadores.

Depois da crise de 2008, os economistas mais comprometidos com o desenvolvimento social e econômico, achavam que o neoliberalismo perderia força; pelo fato dos fundamentos defendidos por essa escola não serem científicos e sim ideológicos, à luz da crise de proporção gigantesca nos Estados Unidos e na Europa, que provocaram ao propor a desregulamentação geral da economia e referenciarem o mercado como um deus. Mas como essa linha de pensamento defende interesses poderosos de empresas transnacionais, principalmente do ramo financeiro, dos Estados Unidos, Europa e Japão; é defendido 24 horas por dia pela mídia mundial comprometida com esses interesses. Interesses esses que beneficiam apenas 1% da população do mundo. No Brasil não é diferente e a grande imprensa brasileira é toda neoliberal.

Você nunca verá um economista neoliberal defendendo distribuição de renda, crescimento econômico, aumento salarial, igualdade social nem qualquer outro valor humanista e civilizatório.

Os preceitos defendidos pelos neoliberais são baseados em Adam Smith e David Ricardo, grandes ideólogos ingleses dos séculos XVIII e XIX, por Thomas Malthus, que não tinha nenhuma consideração pelos pobres, pois segundo Malthus, não adiantaria fazer nenhuma política econômica para ajudar classes mais desfavorecidas, pois eles gastariam tudo e continuariam pobres. Pelo contrário pregava que os pobres morassem nas áreas mais insalubres, para que a população seja reduzida. E por fim, Hayek e Milton Friedman, que deram uma nova roupagem ao pensamento conservador no século XXI e ficaram eufóricos quando Pinochet, ditador do Chile acusado de prisão, tortura e assassinato contra seus críticos, aplicou a doutrina neoliberal. Esse “aprendizado” custou dezenas de milhares de vida e transformou o Chile num país destinado a produzir cobre, frutas e peixes. O resultado foi a pauperização da população chilena, concentração de renda e desemprego de 1/3 dos trabalhadores.

 Mas nada disso importou para os ideólogos do neoliberalismo, pois a democracia e o bem-estar social não estão nas preocupações dos apóstolos dessa doutrina.

Foi o economista alemão Georg Friedrich List quem desmascarou as idéias de Smith e Ricardo, que difundiram a ideologia do livre comércio e das vantagens comparativas, que beneficiavam a economia inglesa. Para List um país não pode desenvolver suas indústrias num mercado em que sofre concorrência de outra economia mais avançada tecnologicamente, como acontecia com a Inglaterra a partir do século XVIII. Portugal que o diga, pois cometeu o erro de assinar o tratado de Methuen, que impediu a industrialização desse país por séculos. Tratado semelhante a esse foi apresentado pelos Estados Unidos, no final do século XX, com a criação do Acordo de Livre Comércio das Américas - ALCA, que teria o mesmo efeito nefasto no continente que o acordo assinado por Portugal em 1703. Acabaria com qualquer iniciativa industrial dos países que nele adentrassem. Os governos Lula, Chávez e Kirchner não deixaram isso ir em frente.

Os Estados Unidos maquiaram a Alca na Chamada Aliança do Pacífico do governo Obama, que prevê livre comércio e já é composta pelo Chile, Colômbia, México e Peru. Essa aliança transformará os países que nele entraram em importadores de produtos industrializados estadunidenses e exportadores de matérias-primas, a preços aviltados para os Estados Unidos. Será o retorno à condição de colônia que congelará o desenvolvimento e impossibilitará a melhoria de vida dos seus povos. Está no programa da Marina a adesão a esse tipo de aliança de livre comércio.

Essa é a receita dos economistas de matriz neoliberal, subordinação colonial e atraso social.
Eles tratam o grau de desenvolvimento de um país como se todos fossem iguais e tivessem atingido a mesma produtividade. São contra políticas desenvolvimentistas como a feita pela Petrobras, em exigir participação nacional na produção das plataformas e equipamentos para o pré-sal. Vamos lembrar que esses equipamentos no governo de Fernando Henrique Cardoso eram construídos em Cingapura, na Coréia e na China. Como resultado, a nossa indústria naval estava minguando e empregava somente sete mil trabalhadores. Os empregos ficavam lá fora.

O Brasil, nos governos Lula e Dilma, adotando a mesma política feita pela Noruega, que desenvolveu uma poderosa indústria naval, estão exigindo que navios e equipamentos sejam construídos aqui, no nosso país. Essa política é exitosa, pois a indústria naval brasileira já emprega 80 mil trabalhadores que estão melhorando de vida com melhores empregos e aumento da renda.

Anteriormente o curso de engenheiro naval estava acabando no país, atualmente está em alta. Isso mostra que uma política desenvolvimentista melhora a qualidade do emprego e da renda da população.

 Ao contrário de política desenvolvimentista, os economistas da Marina, querem uma nova rodada de abertura econômica, a mesma que causou o grande nível de desemprego nos anos 1990 no Brasil, feitas nos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, que quebraram milhares de empresas e fecharam milhões de empregos.

Outra política econômica, defendida por eles, que ameaça quebrar o país é o câmbio livre, ou seja, deixar a moeda flutuar livremente ao sabor do mercado. O livre cambismo não é praticado desde o padrão-ouro, que vingou até a crise de 1929 e arrasou o mundo. Nos dias atuais seria haraquiri econômico, porque as moedas deixaram de ter lastro e flutuam ao sabor da especulação financeira.
Os Estados Unidos atualmente tem uma dívida de 20 trilhões de dólares que é rolada via emissão monetária e de títulos públicos, jogando 80 bilhões de dólares mensalmente no mercado mundial, o que causa valorização das demais moedas para que os produtos estadunidenses fiquem mais baratos e possam ser exportados.

Se o Brasil fosse seguir a política livre cambista preconizada pelos neoliberais da Marina, milhares de empresas teriam fechado, assim como milhões de empregos, pois o real seria sobrevalorizado mais do que foi nesse período.

Isso prova que é mais uma grande bobagem defendida por economistas conservadores e apoiados pela grande imprensa brasileira.

Os adestrados nessa escola são os preferidos para receber o prêmio Nobel de Economia, o que indica que esse prêmio é dado muito mais pelos valores ideológicos defendidos do que pela validade da ciência econômica. No mundo, que me lembre, de economistas progressistas, apenas Amartya Sen, Gunnar Myrdal, Paul Krugman e Joseph Stiglitz, o receberam. Deixaram de lado economistas do quilate de Celso Furtado e Raul Prebisch, para falar apenas da Amércia Latina, que deram grandes contribuições à teoria desenvolvimentista.

O Nobel de Economia é usado politicamente para favorecer a escola conservadora como foi o Nobel da Paz, dado a Barack Obama para legitimar as ações bushinianas do presidente dos Estados Unidos.
A “nova política” preconizada pelos economistas neoliberais que escreveram o programa econômico da Marina é o repaginamento de velhos dogmas, que já causaram desemprego e crise econômica no Brasil.

O programa mostra que a candidata desistiu do Brasil, sim, pois o que está implícito é o retorno à continuação da política econômica implantada por Fernando Henrique Cardoso entre 1995-2002, que não melhorou a vida da população brasileira.

O país vive atualmente a melhor condição social e econômica desde Cabral, com pleno emprego e possibilidade de ascensão social.

Diariamente somos bombardeados, 24 horas do dia, de que o país passa por grave crise, pela grande imprensa brasileira, o que não é verdade. Todas as classes sociais melhoraram de vida, como mostra a qualidade da política econômica implantada no país desde 2003.

Não é preciso que a população brasileira entenda de economia, mas é só recordar o que foi sua vida nos governos anteriores ao de Lula e de Dilma, e a que é hoje.

Se nos deixarmos levar pela grande imprensa brasileira e o terrorismo econômico diariamente jogado nos jornais impressos e televisivos, poderemos perder todas as conquistas desses 12 anos.
Segundo os existencialistas somos frutos de nossas escolhas e agora mais do que nunca poderemos seguir a frente construindo uma nação soberana com desenvolvimento social e econômico ou entrar na lábia dos neoliberais que tudo está ruim e de fato com as políticas por eles defendidas, a vida piorar e o Brasil perder a sua autonomia como nação.

São esses dois projetos que estão sendo apresentados ao nosso povo, um que ele já conhece e está dando certo e o outro mera abstração e promessas que transformariam para pior a vida de milhões de brasileiros e brasileiras.


*Evaristo Almeida - Mestre em Economia Política pela PUC-SP e membro do Instituto Casa dos Galos de Economia Política, que defende a economia sob a ótica do trabalhador e dos interesses do povo brasileiro 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Desempenho do Porto de Santos na contramão do pessimismo da imprensa

Por José Augusto Valente 
Se é verdade que o comércio exterior revela indicadores fundamentais para avaliação da economia de um país, o desempenho do Porto de Santos, principal porto da América do Sul, se mantem, teimosamente, na contramão do pessimismo cotidiano da imprensa brasileira.
O Porto de Santos registrou, em julho último, o segundo maior movimento para esse mês, atingindo 10 milhões de toneladas. Em julho de 2013, foram movimentadas 10,4 milhões de toneladas.
O desempenho da carga conteinerizada no Porto de Santos, que sempre se destaca, atingiu, em 2013, um crescimento de 8,8%. O índice é o maior do Brasil no ano e superior a média mundial (4,8%), conforme a consultoria marítima Drewry Maritime Research. Como comparação, o maior porto do mundo em operação de contêineres, Xangai (China), obteve crescimento de 3,3% em relação a 2012 (Lloyds).
No Brasil, além de Santos, registraram crescimento os portos organizados de Salvador (8,7%) Itaguaí (6,9%), Itajaí (4,4%), Rio Grande (2,4%) e Suape (0,6%).
O Porto de Santos respondeu por 47% da movimentação total do país, em quantidade de contêineres, seguido pelos portos de Paranaguá/PR (11,0%), Rio Grande/RS (9,0%), Itajaí/SC e Suape/PE, com 6,0% cada um.
A balança comercial atingiu o valor total de US$ 68,0 bilhões das cargas operadas em Santos, até julho, com a participação de 25,3% na movimentação das trocas comerciais brasileiras (US$ 268,9 bilhões). As exportações somaram US$ 33,8 bilhões (25,1%) e as importações US$ 34,2 bilhões (25,4%).
No fluxo de exportação, o complexo soja se destaca com o maior volume movimentado, acumulando 14,7 milhões de toneladas, ficando 7,8% acima do registrado no mesmo período do ano passado. O complexo soja respondeu por 23,4% do movimento geral do porto no período.
A destacar que, apesar desse crescimento, já não foram registradas filas de caminhões com soja, como ocorridas em anos anteriores, graças à implantação do agendamento eletrônico, pela Cia Docas do Estado de São Paulo – Codesp.
Como se vê, movimentação de cargas em alta, gargalos em baixa.
Mas você não verá essa notícia na imprensa.
Fonte: site do Porto de Santos
José Augusto Valente é especialista em logística e transportes.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A mobilidade urbana e territorial no Brasil em tempos de Copa





Evaristo Almeida*

Início

Assim como outras carências brasileiras, a falta de mobilidade urbana e territorial no Brasil foi fruto de um longo processo de colonização, adoção do trabalho escravo, da ditadura civil militar e do descompromisso da classe dominante com o povo brasileiro.

A partir de 2003, com o governo do presidente Lula o país entra em outro processo social e econômico, com melhoria da qualidade de vida em todos os setores, criação de emprego, distribuição de renda, inclusão e diminuição da desigualdade social.

Paralelamente a melhoria de vida da população, o presidente Lula aceitou sediar a Copa do Mundo de 2014, disputando com a Inglaterra que queria muito sediar o certame.

A vitória foi festejada por todos que desejavam, após 64 anos a volta do torneio no nosso país, visto que sediamos a Copa do Mundo de 1950.
De modo equivocado, a Copa do Mundo, que é apenas uma disputa esportiva passou a ser simbolizada como responsável por todos os problemas nacionais.

O Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso não sediou nenhuma Copa do Mundo e nem por isso houve melhoria na educação, saúde, segurança ou mobilidade urbana e territorial. Pelo contrário Fernando Henrique Cardoso entregou um país arruinado com aprofundamento das desigualdades sociais, alto nível de desemprego,inflação, devendo ao FMI e sem perspectivas.
Vários outros países do mundo sediaram outras edições de Copas do Mundo e nem por isso todos os problemas deles foram sanados.

O Brasil após muitos anos longe da realização de grandes eventos internacionais tem se preparado para sediar a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016.

E só aceitou sediá-los porque primeiro tirou 30 milhões da miséria e colocou 42 milhões na classe média, além de melhorar a qualidade da educação, da saúde, habitação e da mobilidade urbana.

Os países que tem um alto padrão de vida no mundo levaram décadas com a adoção de políticas progressistas que distribuíram renda e bem-estar social.
Temos ainda muito que avançar no Brasil para atingirmos o mesmo padrão, mas o importante é que estamos no caminho certo. As  políticas sociais implantadas no Brasil desde 2003 são virtuosas e tem melhorado a qualidade de vida do nosso povo.

Quanto à Copa do Mundo, ela faz parte do imaginário do brasileiro que adotou o futebol como síntese do seu modo de vida. Simbolicamente é como se a cada quatro anos fossemos buscar a Taça do Mundo, simbolizando o nosso Santo Graal.

Foi imbuído dessa reflexão que esse artigo foi escrito, ressaltando que a melhoria da mobilidade urbana e a territorial, que já vinham ganhando escopo no nosso governo, aceleram mais ainda com os eventos esportivos que o Brasil sediará.

Mobilidade Urbana

O Brasil passou por um rápido processo de urbanização.
Atualmente 85% da nossa população vive nas cidades e 15% na zona rural.
Esse processo se acelerou a partir dos anos 1960 sem nenhum planejamento e preocupação com a qualidade de vida da população. Temos hoje nos centros urbanos vários problemas que são oriundos desse crescimento desordenado e a mobilidade urbana é um deles.

A mobilidade urbana não se resolve só com implantação de redes de transportes. É um tema mais abrangente que envolve outras áreas como planejamento urbano, habitação, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social.

As classes dominantes do Brasil nunca se preocuparam com a qualidade de vida do povo. O país foi montado para atender a uma ínfima parcela da população. E essa minoria privilegiada sempre usou o transporte individual para seus deslocamentos não se preocupando com o transporte coletivo.
Dessa forma o transporte que atende a população ficou relegado ao segundo plano com redes mal planejadas, tarifas caras, veículos inapropriados e não acessíveis e pouquíssima rede metroviária. O país que até a década de 1950 se deslocava sobre trilhos, começou a trocar os bondes das cidades brasileiras por ônibus.

Como ocorreu em outros países, como por exemplo, a Holanda nas décadas de 1960 e 1970, quando houve um processo de crescimento e distribuição da renda, aliada a expansão do crédito, a demanda por aquisição de automóveis cresceu muito. No caso do Brasil, a política econômica de redução do imposto para carros, para combater a recessão que ameaçava o país por causa da crise 2008-2009 nos Estados Unidos, também contribuiu para o aumento da motorização da população.

Essa medida também abrangeu os produtos de linha branca e salvou dezenas de milhares de empregos industriais, evitando que o país entrasse em recessão. 

Por causa da falta de qualidade do transporte coletivo a população migrou para o transporte individual, fazendo com que os problemas de congestionamentos de trânsito crescessem exponencialmente, aumentando o tempo de deslocamento das pessoas nas cidades.

Em São Paulo, que não conta com uma rede de metrô adequada, as pessoas levam em média quase três horas para chegar ao trabalho.
Isso tem impactos econômicos, sociais e ambientais e diminui a qualidade de vida nas cidades.

Por outro lado, a mobilidade urbana, segundo a Constituição de 1988, ficou a cargo dos municípios e dos Estados, com o governo federal, ficando apenas com a instituição de diretrizes gerais.

Os governos municipais são responsáveis pela gestão do sistema municipal de transportes, que é composto basicamente por ônibus.

 Os governos estaduais são responsáveis pelos sistemas intermunicipais, que engloba os ônibus, metrôs e ferrovias urbanas.

Cabe ao governo federal a responsabilidade pelo transporte interestadual, internacional, aéreo, aquaviário e ferroviário.

E os governos estaduais e municipais não investiram o suficiente em transporte coletivo, seja porque não havia recursos ou não era prioridade.
Os casos emblemáticos são os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o modal principal que deveria atender a população das capitais deveria ser o metrô, mas a rede não cresceu de acordo com as necessidades da população.

O governo paulista, apesar de estar há quase 20 anos sob gestão do PSDB não implantou um sistema de mobilidade urbana envolvendo metrô, trem urbano e ônibus, para atender as várias regiões metropolitanas do Estado. Na capital são apenas 75,5 quilômetros de Metrô, insuficiente para uma região metropolitana de 22 milhões de habitantes. Pouco se fez também na Região Metropolitana de Campinas, da Baixada Santista, de Sorocaba, Rio Preto, entre outras.

As panes nos sistemas Metrô-CPTM acontecem diariamente e estranhamente a imprensa não cobre o “caos metroferroviário paulista”.
No Rio de Janeiro prometeram que com a privatização do Metrô e da Supervia, os passageiros teriam transporte de primeira qualidade. Ficou apenas na promessa, pois não houve extensão da malha metroviária e os trens urbanos vem passando por melhoria de forma muita lenta, e isso contando com recursos do governo do Estado.

Em Salvador a prefeitura municipal que iniciou a construção do metrô da cidade no ano 2000, depois de vários casos de irregularidades e acusação de superfaturamento, finalmente passou a gestão para o governo da Bahia, em julho de 2013. Finalmente o metrô de Salvador vai começar a operar em julho deste ano.

O governo federal opera dois sistemas de transportes urbanos sobre trilhos, o da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos – CBTU, que está presente em Belo Horizonte, Recife, Natal, Maceió e João Pessoa e o Trensurb, responsável pelo sistema metroviário de Porto Alegre. Todos esses sistemas já passaram ou passarão por reformas e modernização. E a tarifa desses sistemas continua a mesma desde a posse do governo Lula.

No período democrático, até então, nenhum governo investiu de forma sistemática em mobilidade urbana até o início do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC do governo Lula.

O país deixado pela passagem de Fernando Henrique Cardoso no governo federal estava virtualmente falido. Havia poucas reservas internacionais, devia ao Fundo Monetário Internacional, a inflação estava acima dos 12% ao ano, o risco país acima dos 2.000 pontos, o desemprego em 12% e havia uma boa parcela da população brasileira na miséria.

As prioridades do governo Lula em 2003 além de resolver os graves problemas econômicos era garantir ao povo brasileiro a possibilidade de fazer pelo menos três refeições ao dia. E o governo foi virtuoso e teve sucesso em enfrentar todos os problemas deixados pelos tucanos.

Com a escolha das 12 cidades sede da Copa do Mundo de 2014, abrangendo todas as regiões do país, foi criado o PAC Mobilidade Urbana da Copa, com o governo federal disponibilizando recursos do Orçamento Geral da União e linhas de crédito para que os governos estaduais e municipais pudessem investir na mobilidade urbana.

Esse é um fator positivo para o Brasil sediar o torneio, pois a partir dessa experiência é que foram formulados os outros dois projetos, o PAC Mobilidade Urbana Grandes Cidades, que atendeu projetos de municípios com população acima de 700 mil pessoas e o PAC Mobilidade Urbana Médias Cidades que atende projetos com população acima de 300 mil pessoas e todas as demais capitais.

Copa do Mundo

A Copa do Mundo é um evento esportivo que ocorre a cada quatro anos num país sede previamente selecionado.

Será a quinta Copa realizada na América do Sul e a oitava no Continente Americano. A primeira de todas ocorreu em 1930 no Uruguai, com a final entre Uruguai e Argentina, no estádio Centenário de Montevidéu, com o Uruguai se sagrando campeão, feito que se repetiria em 1950, no Maracanã, contra o Brasil.

Essa derrota gerou uma imensa frustração no país, mas deu forças para que reuníssemos o maior elenco de todos os tempos, a fantástica seleção de 1958 (na minha opinião), a maior de todas do universo futebolístico, que repetiria o feito em 1962. Montamos ainda times incríveis como o de 1970, 1982, 1994 e 2002. Dessas só não trazemos o caneco em 1982, pois assim como outras seleções, como a de 1950 do Brasil e a de 1954, da Hungria, os melhores não ganharam.

O fato dos países realizarem copas do mundo não acaba com as mazelas, fato que não ocorreu com os Estados Unidos, que tem mais de 40 milhões da sua população vivendo na pobreza e nem por ter realizado a copa de 1994, ela seria extinta. Ou os problemas sociais do México, Argentina, África do Sul, Itália, França.

O que resolve os problemas sociais é tirar mais de 30 milhões da extrema pobreza e dar a outros 42 milhões condições de classe média. Isso se faz criando empregos e o Brasil criou 21 milhões de empregos de carteira assinada. Nos últimos 6 anos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o mundo destruiu 62 milhões de emprego, enquanto o Brasil criou 10 milhões.

Os problemas do país são resolvidos com aumento da renda, como o aumento real de 72% do salário mínimo, desde 2003 e dos demais trabalhadores. No ano de 2013, a renda teve crescimento de 3%, enquanto no resto do mundo ela vem diminuindo.

Investimentos sociais como em educação foram aumentados. Em 2002 o Brasil investia 4,1% do PIB, atingiu 5,6% em 2012 e a meta é chegar a 10% no Plano Nacional de Educação. Desde 2003 foram construídas 14 universidades federais,110 extensões universitárias, 214 novas escolas técnicas; foram criados o Prouni, Pronatec, Ciência Sem Fronteiras, aumento da verba para merenda escolar, entre outros.

Na saúde, 3.866 municípios estão recebendo quase 14 mil médicos, dentro do programa Mais Médicos, a implantação do Serviço Médico de Urgência – SAMU, Programa Saúde da Família – PSF, construção de Unidades de Pronto Atendimento – UPAs, entre outros.

Na habitação o programa Minha Casa Minha Vida já entregou 1,6 milhão de casas a famílias que agora possuem um teto e um endereço digno e mais 2,2 milhões estão contratados, somando 3,7 milhões de habitações.

E finalmente o Bolsa Família, respeitado no mundo inteiro, que atende mais de 50 milhões de brasileiros. Os resultados são diminuição da mortalidade infantil, da desnutrição e ainda ajuda o país a crescer e manter o nível de emprego e renda.

Dessa forma não pode se afirmar que o país investiu tudo na copa do mundo e esqueceu o seu povo.

A maior parte dos R$ 33 bilhões da Copa do Mundo foram aplicados em infraestrutura e somente R$ 8 bilhões em estádios. Ressaltando que foram os Estados e clubes quem investiram nos estádios.

Coube ao governo federal o fornecimento de crédito via BNDES.
E o futebol brasileiro estará repaginado dentro de campo, com estádios modernos. Óbvio que faltam mudanças profundas fora de campo, nas entidades que o conduzem como a FIFA, CBF,  federações estaduais e nos clubes; com velhos cartolas que não estão à altura da paixão dos povos do mundo e do nosso povo pelo futebol.

O legado da copa

O maior legado da copa será na mobilidade urbana, visto que após o PAC voltado para as 12 sedes da copa do mundo que foi estruturado o PAC Mobilidade Urbana de grandes e médias cidades. É o maior projeto de mobilidade urbana já feito na história do Brasil, envolvendo todas as regiões. São 303 empreendimentos em 109 cidades brasileiras. Inicialmente estavam previstos R$ 93 bilhões, mas com os movimentos sociais de junho de 2013, a presidenta Dilma estabeleceu o Pacto pela Mobilidade Urbana, acrescentando mais R$ 50 bilhões, totalizando R$ 143 bilhões.



E como funcionam esses programas? As cidades e estados que se 
enquadraram dentro dos requisitos enviaram projetos para seleção. Os projetos são licitados e construídos pelos Estados e municípios.

Muitas obras não ficarão prontas para a Copa do Mundo, como a linha 13 – Jade da CPTM de São Paulo que fará a ligação sobre trilhos do aeroporto de Cumbica com a capital paulista, a linha 17- Ouro, do Metrô, que fará a ligação do Aeroporto de Congonhas, entre outras de responsabilidade de governos estaduais ou municipais.

Mas muitas outras já estão em uso como o aeromóvel que faz a ligação do aeroporto com a rede da Trensurb em Porto Alegre, a extensão ferroviária entre São Leopoldo e Nova Hamburgo, o Bus Rapid Transit – BRT de Brasília, a requalificação do Corredor Marechal Floriano em Curitiba, o BRT da área central de Belo Horizonte, o Metrô de Salvador, a recuperação do Trem de Subúrbio de Salvador, aquisição de trens e conclusão da linha Sul do Metrô de Recife, metrô linha Sul de Fortaleza e várias outros empreendimentos que ficarão prontos ainda neste ano.

Com a entrega de todos esses projetos, como as expansões dos metrôs e São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, João Pessoa, Brasília, Fortaleza, Recife e Belo Horizonte; a construção dos metrôs de Porto Alegre e Curitiba, dos Veículos Leves sobre Trilhos de Cuiabá, Santos e Rio de Janeiro, de BRTs em todas grandes e médias cidades brasileiras, assim como aeromóvel, trens urbanos, corredores de ônibus e fluvial; dará uma cara nova as cidades brasileiras e melhoria substancial ao transporte coletivo.

E o governo federal ainda desonerou o transporte sobre pneus e trilhos, o que resultou na diminuição média da tarifa de ônibus de 7,23% e 13,35% nos sistemas metroviários.

A mobilidade rural também melhorou com o PAC Equipamentos que distribui para cidades com até 50 mil habitantes intervir e melhorar as estradas vicinais, além da entrega de 16 mil ônibus escolares.


Mobilidade Territorial

O Brasil é um país continente e o modal indicado é o transporte aéreo para distância acima de 500 quilômetros. Só que aviação no Brasil era restrita a uma pequena parcela da população. O fato mais notável disso foi o fato dos nossos aeroportos serem acanhados e não terem ligação metroferroviária para facilitar a mobilidade dos passageiros.

Foram construídos para uma pequena casta desse país.

Mas a partir do governo Lula, com a melhoria da renda do povo, houve democratização do transporte aéreo, com a população finalmente utilizando esse modal.

Segundo dados da Anac em 2002, o número de passageiros no Brasil era de 32,5 milhões. Houve um crescimento de em média de 12% ao ano, passando de 32,5 milhões de passageiros para cerca de 110 milhões em 2013, ou seja, mais que triplicou o número de passageiros. E a previsão, segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas – ABEAR é atingir 211 milhões de usuários/ano em 2020.

O Brasil atualmente é o terceiro maior mercado de aviação do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China.

E a mobilidade territorial no quesito aéreo passou por uma reformulação total com todos os principais aeroportos brasileiros sendo ampliados e modernizados.

Vamos inaugurar o terminal três do Aeroporto de Cumbica em Guarulhos, com capacidade para mais 12 milhões de passageiros ao ano. Com isso o aeroporto terá capacidade total  acima de 50 milhões de usuário. Em Brasília foi inaugurado o píer Sul, acrescentando mais 6 milhões de passageiros, o que eleva a 21 milhões a capacidade total do aeroporto. Em Campinas com o novo terminal, o Aeroporto de Cumbica passará a atender 14 milhões de passageiros ao ano. Estão passando por melhorias os aeroportos de Confins,Fortaleza, Recife, Galeão, Salvador, Curitiba, Porto Alegre  entre outros. Foram 22 empreendimentos concluídos no PAC 2 e 26 obras em 15 aeroportos estão em andamento.

Nas rodovias foram 3.080 quilômetros de construção e duplicação do PAC 2 e 6.915 quilômetros em andamento em todo o país. Nos próximos 5 anos todos os principais eixos rodoviários do país serão duplicados.

Todas essas medidas melhorarão o deslocamento territorial do povo brasileiro, que desfrutam de um país continental.

Conclusão

O Brasil é o país do futebol, mas também é o da criação de emprego, aumento da renda, combate a pobreza, diminuição das desigualdades sociais e melhoria de vida para brasileiros e brasileiras.

A Copa do Mundo de 2014, é um evento esportivo que ajudou a criar 3,6 milhões de empregos, segundo a Ernest & Young/FGV, no período 2010-2014. Nesse mesmo período haverá circulação adicional de R$ 112 bilhões à economia brasileira. Somente na Copa das Confederações, segundo a Fipe, rendeu R$ 9,7 bilhões ao PIB brasileiro.

O objetivo da Copa do Mundo 2014 é ser um evento esportivo e que nossos problemas estruturais, oriundos de séculos de descasos das classes dominantes com o povo brasileiro não serão resolvidos como mágica.
Outros países sediaram copas do mundo e nem por isso acabaram com suas mazelas sociais.

O que resolve as necessidades de educação, saúde, mobilidade urbana, entre outros é a adoção de políticas públicas como vem sendo feita desde 2003. É a opção política feita pelo governo federal a partir dessa data em prol do desenvolvimento social e econômico do Brasil, beneficiando todos os brasileiros.  

A partir da Copa do Mundo de 2014 é que foram estruturados os Programas de Aceleração do Crescimento para mobilidade urbana e territorial que, apesar de alguns projetos não ficarem prontos para o evento; ao longo dos próximos anos dará ao povo brasileiro um transporte público de qualidade abrangendo todos os Estados e regiões da federação.

O Brasil já avançou muito nesses anos, apesar de sabermos que ainda há muita coisa a fazer.

Termino lembrando o refrão do hino da Copa de 1958, “a Taça do Mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa...”


·        Evaristo Almeida – Mestre em Economia Política – PUC-SP, Assessor de Transportes e Mobilidade Urbana da Bancada do PT na ALESP e Coordenador do Setorial Nacional de Transportes

terça-feira, 25 de junho de 2013

Nota do Setorial Nacional de Transportes do PT sobre a reunião com os governadores, prefeitos e o Movimento Passe Livre

O Setorial Nacional de Transportes do PT vem apoiar as ações da Presidenta Dilma Rousseff na convocação do Plano Nacional de Mobilidade Urbana e nas medidas já anunciadas melhorar a qualidade nos transportes públicos e para a modicidade tarifária.

Nos últimos anos muita coisa tem sido feita na esfera da mobilidade urbana pelo governo federal. O dois PACs da mobilidade urbana prevêem mais de R$ 50 bilhões de investimentos nos transportes públicos do país. São 15 obras de BRTs em andamento, 13 de corredores de ônibus, quatro metrôs, dois monotrilhos, um trem urbano e dois VLTS que beneficiarão capitais e grandes cidades brasileiras como Belo Horizonte, Belém, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. 

Outras obras ainda estão em processo de preparação em todo o país.

O governo federal já deu passos importantes para a desoneração da tarifa dos transportes públicos, com a redução do preço da energia elétrica em 32%, o que ajuda operadoras de metrôs, trens e ônibus elétricos,  desoneração da folha de pagamento das operadoras de transportes e zeragem das alíquotas do PIS e COFINS para o transporte urbano, que beneficiam aos  operadores de todos os modais.

Agora a Presidenta Dilma Rousseff acena que retirará o PIS e COFINS do diesel usado nos veículos urbanos de passageiros e da energia elétrica, que barateará mais ainda o preço das passagens dos sistemas sobre pneus (ônibus) e metroferroviários.

Vimos com muita satisfação o anúncio da criação do Conselho Nacional do Transporte Público, com a participação de representantes da sociedade civil e dos usuários, para assegurar "uma grande da participação da sociedade na discussão política do transporte" e "uma maior transparência e controle social no cálculo das tarifas".

Em abril deste ano a Presidenta já tinha sancionado a Lei da Mobilidade Urbana que regulamenta as ações e responsabilidades dos três poderes (Federal, Estadual e Municipal) na implantação e gestão do transporte público no Brasil.

Lembramos que a mobilidade urbana pela Constituição Federal de 1988 é de responsabilidade dos prefeitos e governadores. Pela Constituição cabe apenas ao Governo Federal estabelecer as diretrizes do transporte urbano.

Com os nossos governos, a partir de 2003, isso mudou e atualmente o governo federal tem se empenhado em melhorar a qualidade da mobilidade urbana, seja com investimentos da União, com empréstimos do BNDES, desonerações tributárias para baixar a tarifa e leis para melhorar o marco legal do tema.

O Setorial Nacional de Transportes do PT é a favor da tarifa zero, mas entende que é uma medida para o longo prazo, dado o alto custo, para uma sociedade que tem outras demandas, como a melhoria da saúde, da educação, da segurança e zeragem do déficit habitacional.

Somente na cidade de São Paulo, a tarifa zero custaria R$ 6 bilhões ou 14% do orçamento da cidade e quase a metade do que se gasta com educação.
Isso no plano federal é impossível de custear tanto para o governo federal, como para os governadores e os prefeitos.

Seria necessário aumentar os impostos de todos os cidadãos, medida que tem que passar pelas casas legislativas e que demanda tempo e compreensão da sociedade.

O que é possível fazer nesse momento é a busca pela modicidade tarifária, como existe em vários países do mundo, fruto da luta histórica e que também levou tempo para ser colocada em prática. Nenhum grande sistema do mundo pratica a tarifa zero.

Nesse momento, no Brasil, estamos entrando no processo de busca da modicidade tarifária com as desonerações,  controle social e busca de melhor produtividade do setor, que se refletirão em tarifas mais baixas.

A sociedade deve cobrar também dos governos estaduais e municipais maiores investimentos na mobilidade urbana e desoneração de ICMS e ISS na cadeia produtiva dos transportes, o que possibilitará que as passagens caiam ainda mais.

Também somos favoráveis que se crie nas regiões metropolitanas as Autoridades Metropolitanas de Transportes - AMTs, que organizarão os sistemas metropolitanos em todo o país, com participação dos governos federal, estaduais, municipais, trabalhadores, estudantes e operadores.

A AMT pode decidir sobre os investimentos, acompanhar os custos de implantação, operação dos sistemas e possibilitar o controle social sobre a mobilidade urbana.
Queremos que todos os sistemas de transportes do país sejam licitados, as planilhas auditadas e publicadas em sítios na internet.

O Bilhete Único deve ser implantado em todo país, principalmente nas regiões metropolitanas. Ele garante que os sistemas sejam racionalizados com implantação de corredores de ônibus e integração física e tarifária com outros modais o que garante ganho substancial para os usuários. 

O Setorial Nacional de Transportes do PT defende a descarbonização da matriz energética dos sistemas de transportes públicos, com utilização de tração elétrica, álcool, biodiesel e outras formas de energias renováveis.

Entendemos que a discussão da mobilidade urbana passa por uma reforma urbana em que as cidades não sejam espraiadas. A especulação imobiliária é um câncer que está destruindo as nossas cidades e jogando a população cada vez mais longe dos centros.
O planejamento urbano pode possibilitar que as pessoas possam morar perto de onde trabalham e estudam e tenham todos os serviços públicos próximos de suas residências.
O transporte não motorizado deve ser incentivado com a melhoria das calçadas e construção de ciclovias e ciclofaixas.

Dessa forma a Presidenta Dilma Roussef tem o apoio do Setorial Nacional de Transportes do PT e nos colocamos à disposição do governo e do país para colaborar na melhoria da mobilidade urbana para nosso povo, com qualidade e modicidade tarifária.

                                                             24 de junho de 2013

COLETIVO DO SETORIAL NACIONAL DE TRANSPORTES DO PT