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terça-feira, 28 de março de 2017

Trem descarrila no interior de SP e mostra desespero das pessoas em vídeo




 Um trem de carga da concessionária Rumo descarrilou nesta segunda-feira, 27, quando passava pelo Centro de São José do Rio Preto. Um video mostra o momento exato do acidente onde alguns motociclistas, que estavam esperando a passagem do trem, correm desesperados. O trem transportava soja.

Em nota, a Rumo, disse que a composição seguia do Mato Grosso para o Porto de Santos (SP). A nota disse também que “equipes da concessionária já estão trabalhando no local para retirada dos vagões e restabelecimento da linha. A Companhia está apurando as possíveis causas do acidente”. 
Veja o vídeo a seguir.


AUTOR: CAIO LOBO

terça-feira, 14 de março de 2017

Rumo estuda capitalização de R$ 2 bilhões na Malha Sul

Revista Ferroviária

14/03/2017 - Valor Econômico
A Rumo, concessionária de ferrovia e terminais portuários controlada pelo grupo Cosan, vai avaliar propostas de investidores para fazer uma injeção de capital na América Latina Logística Malha Sul. Uma de suas empresas, na qual detém 100% das ações, a ALL Malha Sul tem operações nos estados da região Sul do país.
Conforme apurou o Valor, o plano de capitalização em estudo prevê um montante de R$ 2 bilhões. Os recursos serão utilizados para um plano de investimento nessa malha, avaliado em R$ 4 bilhões. É o valor previsto para adequar a Malha Sul a padrões operacionais mais elevados e atender ao crescimento futuro de demanda na região e ganhar volumes com substituição do transporte por meio de caminhões.
O Bank of America Merrill Lynch (BofA) está atuando no processo de captação e seleção de investidores que manifestaram interesse na proposta. Eles devem ter perfil de investidor com visão de longo prazo no empreendimento. Além do aporte de capital, é considerado muito bem-vindo se for alguém que puder agregar uma parceria comercial. Por exemplo, um grupo que disponha de carga para a ferrovia.
A avaliação é que os programas de concessões de infraestrutura em curso no país, que incluem a renovação de contratos de ferrovias existentes, começam a abrir portas para novos projetos de investimentos, atraindo a atenção de investidores que buscam ativos para alocar seus recursos.
O Valor apurou que já foram identificados pelo BofA grupos do Japão, China e também da Europa. Todos mostraram, a princípio, interesse no plano de capitalização e de investimentos da Malha Sul da Rumo. É uma operação vista com enorme potencial para ampliar volume de cargas.
Essa unidade de negócio transporta, principalmente, commodities agrícolas - grãos (soja, farelo de soja e milho), açúcar, arroz, trigo, bem como fertilizantes e produtos industriais (combustíveis, papel, celulose e outros). No ano passado, teve receita líquida de R$ 1,1 bilhão, um quinto do valor apurado pela Rumo.
Com sede em Curitiba, a Malha Sul é a maior da Rumo em extensão, mas inferior à Paulista-Norte - que forma o corredor Rondonópolis, no Mato Grosso, a Santos, litoral paulista - em faturamento. A ferrovia é oriunda da ALL, que se fundiu à Rumo em 2015. Com 7,2 mil km, abrange os estados do Sul em corredores que deságuam em vários portos - Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS).
O projeto de capitalização tem como premissa a renovação antecipada do contrato da concessão, que é de 1997 e tem término em 2027. Mas pode ser renovada por mais 30 anos, mediante acordo com a União. Tal medida está prevista no edital de privatização realizado pela antiga RFFSA.
A Rumo pretende refazer o pedido de renovação ainda este ano junto às autoridades do governo, lideradas pela agência reguladora ANTT. No momento, o grupo está na fase final do processo de renovação da Malha Paulista, que abrange o Estado de São Paulo e se interliga à Malha Norte (Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, até a cidade de Rondonópolis).
Com entrada de um parceiro estratégico, o objetivo da Rumo é desenvolver novos projetos de expansão da malha atual da ferrovia, principalmente no noroeste do Paraná. Ao mesmo tempo, investir em trechos que hoje não permitem um transporte com maior agilidade e segurança.
A expansão prevê novos trechos nas regiões de Cascavel e Maringá, alcançando cargas de grãos (soja e milho) que atualmente são perdidas para caminhão. Por exemplo, soja do sul do Estado de Mato Grosso do Sul e até do Paraguai, segundo disse uma fonte que conhece bem o negócio. Grande parte da carga desce por caminhões até Paranaguá.
Uma ferrovia mais ágil e competitiva em fretes é o sonho de usuários paranaenses. Hoje, a Rumo consegue nos trajetos atuais atingir cargas num raio máximo de 500 a 600 km. Com investimentos em novos eixos, poderia alcançar entre 800 e 1.000 km.
A meta é gerar capacidade extra na ferrovia que garanta o escoamento de produtos - grãos e industriais -, com mais eficiência até Paranaguá e São Francisco do Sul (SC). Estima-se, conforme estudos levados pelo BofA a investidores, que a capacidade de transporte possa triplicar, para cerca de 50 milhões de TKU (tonelada por quilômetro útil) ao ano.
A entrada do sócio permitiria ainda antecipar os investimentos que a Rumo tem previstos para a Malha Sul em vários anos. É um projeto a ser realizado em até cinco anos, a partir de 2019, se todas as condições forem atendidas, entre elas a renovação da concessão.
A injeção de capital, com emissão de novas ações, tornaria a ALL Malha Sul uma empresa mais robusta. Na operação, a Rumo teria sua participação acionária diluída, mas sem perder o controle.
Procurada, a Rumo não se manifestou sobre a capitalização.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Paralisação da ferrovia inviabiliza Porto de Presidente Epitácio

Prejuízo de todo o modal desativado 'é gigantesco', salienta a Prefeitura.

Terminal nunca funcionou devido à malha férrea inutilizada.

Stephanie FonsecaDo G1 Presidente Prudente

Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Há 100 anos, o Oeste Paulista conheceu a Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1916, o tronco chegou ao km 648, em Rancharia, cuja data de inauguração da estação ferroviária foi em 10 de setembro, conforme arquivos do acervo do Museu Municipal Manir Haddad, a que o G1 teve acesso. O município também contou com a instalação da Estação Bartira, na área rural. A chegada da malha ferroviária na região possibilitou o desenvolvimento urbano e econômico das cidades contempladas, além de recordações. Mas a história também foi marcada pela paralisação do transporte, que foi parar na Justiça com uma ação do Ministério Público Federal (MPF). O G1 reuniu um pouco da memória ferroviária do Oeste Paulista e a luta pela sua reativação em uma série de reportagens especiais.
Nada circula nos trilhos de Presidente Epitácio. O fato também atrapalha, principalmente, o funcionamento do modal hidroviário no porto da cidade. Conforme informou o prefeito Sidnei Caio da Silva Junqueira (PSB) ao G1, há mais de 20 anos, todos os modais funcionavam na localidade. O antigo porto, que foi coberto pelas águas fluviais, chegou a funcionar.
Antigo Porto de Presidente Epitácio chegou a funcionar (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Antigo Porto de Presidente Epitácio chegou
a funcionar (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
No entanto, desde que o novo porto foi construído, entre 2001 e 2002, não houve nenhuma movimentação de carga. “Mesmo porque coincidiu de a ferrovia também parar nesse momento. Então, não tínhamos hidrovia nem ferrovia para a logística da cidade ficar melhor”, declarou o chefe do Executivo.
Com estrutura e capacidade, o Porto de Presidente Epitácio, conforme Junqueira, “é um dos melhores do Estado de São Paulo, se não for o melhor em água fluvial”, e tem possíveis investimentos inviabilizados devido à não operacionalização da ferrovia e da hidrovia. “Todas as pessoas que querem fazer um transporte e procuram uma logística mais econômica para o transporte das suas cargas precisam das três pernas: rodoviário, ferroviário e hidroviário. Ou, pelo menos, de um dos dois: aquaviário ou ferroviário, e hoje, infelizmente, em função de a malha estar desativada, a gente tem esse grande problema”, explicou ao G1 o prefeito de Presidente Epitácio.
E tem quem queira e procure o porto para o transporte, como empresas que demonstram interesse de trazer o farelo e o grão de soja para o Estado de São Paulo e para o Mato Grosso do Sul, “mas tudo barra nessa questão, principalmente, da ferrovia”.  “A gente já recebeu bastante empresários e muitas empresas”, salientou Junqueira.
Em relação à hidrovia, investimentos em eclusas são feitos pelos governos federal e estadual para melhorar, porém, por um período, a falta de chuva em Presidente Epitácio “deu uma travada nesse processo”. “Tudo isso tem um enorme potencial e seria muito importante para a nossa região, mas acaba brecando nessas pontas”.
Os modais hidroviário, ferroviário e rodoviário funcionam em países modernos, conforme comentou o prefeito ao G1. “Aqui no Brasil foi meio à contramão e a gente tem o transporte ferroviário como a maior fatia disso”.
Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Planejamentos
A esperança da região sobre o transporte ferroviário está na ação do Ministério Público Federal. “A gente tem uma expectativa de reativação dessa malha, porque é de grande importância para o desenvolvimento da região”, destacou Junqueira. “Acreditamos que as medidas que o Ministério Público Federal está tomando podem amenizar ou resolver essa situação em relação a retorno”.
Sobre a hidrovia, o prefeito colocou que o porto tem a concessão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). “A gente conseguiu, quando veio a MP dos portos, uma medida provisória que mudou bastante a situação dos portos do Brasil. Abriu mais o leque dos portos. A gente conseguiu regularizar o nosso porto e fazer esse convênio com a Antaq. Esse convênio dá direito ao município de explorar o local de algumas formas, ou através de autarquia ou através de contratos com terceiros, só que acaba inviabilizado em função de a ferrovia e de a hidrovia não estarem operando”, alegou ao G1.
Atualmente, na hidrovia, o forte seria somente a extração de areia e pedra. “O plano do governo, tanto do federal quanto do estadual, é, realmente, ampliar a navegação da hidrovia Tietê–Paraná. Tem uma expectativa boa disso. Estão sendo feitos vários investimentos, mas ainda não tem uma movimentação importante em função de alguns entraves, principalmente, no sistema de eclusas que ligam o Tietê–Paraná”, disse Junqueira ao G1.
'Briga'
Todos os lados já foram acionados e cobrados, mas a situação saiu da esfera política e “virou uma briga jurídica”, conforme apontou o prefeito de Presidente Epitácio. “Já tem uma execução de multa de R$ 40 milhões. Já tiveram uma multa que foi, inclusive, destinada ao Hospital do Câncer. Pelo que a gente entende, as multas são menores do que o investimento que a ALL [América Latina Logística] tem de fazer na malha, então, ela fica protelando. Se tiver de pagar multa, é menor do que o investimento e ainda compensa para ela”.
“Penso no desenvolvimento da região. É importante frisar que tanto a hidrovia estar inoperante quanto a ferrovia prejudica demais a região. Condições? Tem tudo! O município de Presidente Epitácio e a região têm todo o potencial para poder explorar rodovia, ferrovia e o porto, só que está travado nessas situações”, salientou ao G1 o prefeito.
Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio
é prejudicada pela ferrovia parada
(Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Logística
O secretário de Economia, Planejamento e Meio Ambiente, Antonio Domingos Dal Más, apontou que “o prejuízo de todo esse patrimônio, todo esse modal que está parado, é gigantesco, porque você não consegue atrair empresários”.
“Hoje, se tiver um empresário ou uma multinacional que queira investir capital ou recursos nesse modal, fica extremamente complicado. Entre a opção de instalar aqui ou instalar em Ourinhos, ele vai instalar em Ourinhos, porque, para o empresário, o valor de investimento é o mesmo, os benefícios que as prefeituras dão também são os mesmos e, aí, a região do Oeste Paulista fica estagnada com essa paralisação da ferrovia e os outros modais também não caminham”, relatou ao G1.
Sem ferrovia e hidrovia, o Oeste Paulista precisa recorrer à rodovia. “O transporte rodoviário, em termos de custo, é mais atraente no primeiro momento hoje, pelo que a ALL passa. Mas muda se a gente somar, por exemplo, que um vagão leva três carretas que passam na rodovia com uma máquina só queimando óleo diesel. É muito relevante esse tipo de situação”, declarou Dal Más.
Também foi ressaltado ao G1 pelo secretário o risco nas estradas. “Esses caminhões viajando dia e noite, todos os problemas que atravessam os motoristas, principalmente na época da safra. Então, sair com uma safra de Goiás [GO] para chegar em Paranaguá [PR] envolve muita coisa em termos de manutenção. Por exemplo, a cidade de Goiás hoje não tem estrada, porque não houve a conservação da última safra. Eles não têm estrada para trafegar em Goiás e nós estamos praticamente no meio do caminho da produção do oeste do Brasil até o litoral. A gente está transportando tudo de carreta, da origem até o ponto de exportação, sendo que a gente poderia usar metade rodoviário, desembarcar aqui em Presidente Epitácio e ir por ferrovia até o cais. Seria uma logística muito mais lógica, mais inteligente e muito mais viável”.
Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio
é prejudicada pela ferrovia parada
(Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Por exemplo, nas estradas, principalmente na época de escoamento de safra, o número de acidentes aumenta muito e são vidas que estão sendo perdidas, porque não tem essa questão ferroviária, onde a segurança é muito maior no transporte, declarou, ainda, Dal Más ao G1. “São acidentes no transporte rodoviário, temos desgaste, o custo de conservação das malhas, porque as carretas têm limitação de carga, mas todo mundo sabe que eles não obedecem, mesmo porque o Estado não controla isso, a gente não tem balanças. Eles andam muito acima de 40 toneladas”.
Conforme declarou o secretário, “é triste” o prejuízo de conceder um patrimônio público para uma empresa multinacional que “paralisou” e “abandonou” a malha ferroviária, além de “não conservar”. “Então, na retomada deste patrimônio todo, terão vários investimentos para colocar a coisa para funcionar. Nesses anos de paralisação, os prejuízos foram em todos os nortes, inclusive o da tecnologia da malha que vai se aprimorando, da estrada que tem de acompanhar o desenvolvimento dos vagões de maiores portes, das bitolas usadas hoje internacionalmente. Então, isso tudo tem acontecido há 30 anos”, apontou ao G1.

A situação fica cada vez mais inviabilizada, segundo colocou o secretário de Economia, Planejamento e Meio Ambiente, pois a ferrovia da região tem uma “tecnologia de 30 atrás”. “Se você quiser pegar hoje equipamentos mais modernos, que consigam colocar o produto aqui de Epitácio em Paranaguá ou Santos, num tempo menor, que é o objetivo da logística, ganhar tempo e dinheiro, vai ficando difícil, porque você já tem de investir em equipamentos modernos e também preparar a malha para esses equipamentos modernos”, explicou.
Ferrovia na região de Presidente Prudente está desativada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Ferrovia na região de Presidente Prudente está
desativada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Paralisação total
Dal Más também salientou ao G1 que é "triste" constatar "esses 30 anos de paralisação”. Isto porque parou-se tudo: desenvolvimento, tecnologia e aumentou o grau de investimento necessário para transformar tudo isso viável. Além disso, existe “toda a pressão”, porque, nesse meio tempo, conforme o secretário, as empresas rodoviárias se desenvolveram, aumentaram suas frotas, e cresceram muito com a paralisação
“Mas, se jogar pelo contrário, ele [setor rodoviário] puxa a corda no sentido de que fique parado [o transporte ferroviário], porque, se hoje começar a inverter o percentual de cargas transportadas e vai diminuindo o transporte rodoviário, você mexe com o interesse dessa praça. E a gente fica nesse meio, esperando decisões”, afirmou o secretário de Economia, Planejamento e Meio Ambiente.
Todas as esperanças de reativação estão na Justiça. “Se o Poder Judiciário não entrar firme, será muito difícil. O poder econômico tem predominância, mas o Judiciário tem ferramentas para coibir isso e equilibrar para que a gente consiga o desenvolvimento da nossa região”, finalizou Dal Más ao G1.

Rumo ALL
Sobre a circulação de trens de carga em Presidente Epitácio, a empresa Rumo ALL ressaltou ao G1 que não há demandas ou propostas comerciais que viabilizem esse transporte. “Devido à falta de propostas solidamente viáveis para se firmar contratos de longo prazo, não há, desde 2014, uma meta estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o trecho em questão”.

Quanto ao Porto de Presidente Epitácio, a concessionária de ferrovias colocou que “pende ação ajuizada pela Prefeitura que requer, entre outros pedidos, a abstenção da exploração do local”.

“A companhia segue em busca de parcerias comerciais de longo prazo que viabilizem a utilização da ferrovia na região. Com essa finalidade, são realizados encontros com empresários e entidades de Presidente Prudente e cidades vizinhas. Durante as reuniões, busca-se a captação de cargas, analisando possíveis origens, destinos, fluxos e volumes de transporte para uma eventual contratação. No último seminário, realizado em novembro, foi acordado entre os presentes que serão realizadas visitas da equipe comercial da concessionária a cada um dos interessados no transporte ferroviário”, afirmou a Rumo ao G1, por meio de nota.
Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)

Projeto busca implantação de trem turístico em Presidente Epitácio


Objetivo é fomentar o turismo na cidade e também na região.
Doações de vagões já foram feitas à Prefeitura.

Stephanie FonsecaDo G1 Presidente Prudente

Em princípio, itinerário de trem turístico passará somente por Presidente Epitácio (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Em princípio, itinerário de trem turístico passaria somente por Presidente Epitácio (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Há 100 anos, o Oeste Paulista conheceu a Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1916, o tronco chegou ao km 648, em Rancharia, cuja data de inauguração da estação ferroviária foi em 10 de setembro, conforme arquivos do acervo do Museu Municipal Manir Haddad, a que o G1 teve acesso. O município também contou com a instalação da Estação Bartira, na área rural. A chegada da malha ferroviária na região possibilitou o desenvolvimento urbano e econômico das cidades contempladas, além de recordações. Mas a história também foi marcada pela paralisação do transporte, que foi parar na Justiça com uma ação do Ministério Público Federal (MPF). O G1 reuniu um pouco da memória ferroviária do Oeste Paulista e a luta pela sua reativação em uma série de reportagens especiais.
Em princípio, itinerário de trem turístico passará somente por Presidente Epitácio (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Em princípio, itinerário de trem turístico passaria
somente por Presidente Epitácio
(Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Além do transporte de cargas, a reativação da malha ferroviária poderá ser benéfica para o turismo de pessoas em Presidente Epitácio. Isto porque a Secretaria de Turismo e Cultura tem um projeto com o intuito de viabilizar o trem turístico no município. Já foi feito o pedido ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de quatro vagões. A Prefeitura também conseguiu uma locomotiva, que é a antiga "Maria Fumaça", para operar esses quatro vagões e viabilizar a malha ferroviária.
A Prefeitura, desde o primeiro semestre de 2014, tenta desenvolver o transporte turístico sobre trilhos para criar atrativos na cidade. Com isso, foram iniciados estudos para ativar uma linha turística de passageiros em Presidente Epitácio. “Com uma ferrovia com mais de 100 anos de história, a cidade tem a iniciativa de desenvolver um projeto que poderá ser benéfica para a região e que contribuirá com a cadeia produtiva do turismo”, declarou no projeto.
Com a malha viabilizada, o trem turístico seria colocado para operar somente no trecho epitaciano, em princípio, conforme declarou o secretário de Turismo e Cultura, Frank Zocante Duranti, ao G1. “Porém, quando estiver instalado esse trem turístico, tem a possibilidade futura de fazer esse trajeto daqui [Presidente Epitácio] a Presidente Prudente, passando por Presidente Venceslau, Santo Anastácio e Álvares Machado”, explicou.
Por ora, a “Maria Fumaça”, passaria pelo cais no sentido da Fepasa. Uma faixa de cinco quilômetros de extensão, aproximadamente, e com a possibilidade futura de aumentar o trajeto. “Depende da malha ferroviária e de a concessionária fazer a reforma nas malhas daqui a Presidente Prudente”, reforçou Duranti ao G1.
Prefeitura aguarda a concessão de prédio da antiga Estação Ferroviária (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Prefeitura aguarda a concessão de prédio da antiga Estação Ferroviária (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Guarda provisória
O município já possui a guarda provisória dos prédios da Fepasa, tanto o da antiga Estação Ferroviária como o adjacente, que fica ao lado. “Um dos prédios está invadido. O Dnit, que passou a guarda provisória para nós, se comprometeu de que, quando passasse a guarda, o problema estaria resolvido e o local livre”, comentou ao G1. No entanto, o secretário ainda salientou que providências estão sendo tomadas para que seja feita a desocupação, por meio de medida judicial.
O próximo passo é conseguir a concessão para poder investir recursos. “Por enquanto, a gente não pode fazer nenhum tipo de reforma no prédio, tendo em vista que a titularidade ainda não é da Prefeitura. Mas, pelo menos, já temos a guarda provisória. Estamos indo a pequenos passos. Já conseguimos os vagões, a guarda provisória e o rumo está seguindo para que dê tudo certo”, disse ao G1.
Atualmente, os prédios pertencem ao Dnit, o qual também tem uma “briga” com a Rumo ALL, conforme comentou Frank ao G1. “O Dnit devia recepcionar esses prédios da ALL [América Latina Logística] reformados, o que não houve. Então, existe esse entrevero entre a ALL e o Dnit. O que faz demorar um pouco a concessão dos prédios. Por isso, a gente só tem a guarda provisória”, explicou.
Prefeitura de Presidente Epitácio já recebeu doações de vagões (Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)Prefeitura de Presidente Epitácio já recebeu doações de vagões (Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)
'Grande avanço'
Com a concessão dos prédios, de fato, a Prefeitura de Presidente Epitácio poderá buscar recursos junto aos governos estadual e federal para que sejam feitas a reforma e a restauração dos locais. “Por enquanto, como não tem a titularidade, a gente não pode investir dinheiro público em uma coisa que não é da Prefeitura. Então, a gente depende um pouco de finalizar essa concessão”, explicou o secretário de Turismo e Cultura ao G1.
O município considera um “grande avanço” o que já foi conseguido sobre a malha ferroviária. “Eles não estão se importando com a nossa região ainda. Eles não fazem acontecer na nossa região. Então, a gente considera que, mesmo que em pequenos passos, foi de grande valia, porque é muito difícil conseguir as coisas com a ALL. Às vezes, podem falar: 'Ah, mas vocês só conseguiram a guarda provisória'. Já é muito com a estrutura que temos aqui, a gente ficar parado e eles tomando multa lá, sem operar nem deixando ninguém operar. Então, fica naquela situação que ninguém sabe em que fim vai dar”, expôs ao G1.
Prefeitura aguarda a concessão de prédio da antiga Estação Ferroviária (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Prefeitura aguarda a concessão de prédio da antiga
Estação Ferroviária (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Conforme explicou Duranti, a restauração deverá ficar por parte da Prefeitura e a malha ficaria ou com a concessionária ou com quem operar. “Na verdade, não ficaria só o trem turístico na malha. A intenção é de que o trem turístico seja só mais um atrativo”, afirmou. “Lógico que a intenção é funcionar a malha para operar carga. Em tese, se voltar a funcionar isso aqui, o trem turístico fica totalmente viabilizado”.
Por isso, de início, o intuito do trem turístico é seguir até a Fepasa. Assim, futuramente, com a malha operando, o município tem condições de levar o trem até Presidente Prudente, segundo explicou o secretário de Turismo e Cultura ao G1. “Terão de fazer a malha. Quando a gente foi viabilizar o projeto do trem turístico, vimos que a malha não está tão complicada para frente. Precisa trocar alguns dormentes, mas ela está boa. Seria mais a questão da operação, porque, se começar a operar carga, é só eles autorizarem que o trem turístico passe no caminho em horários que não atrapalhe. Porque espaço tem. Tem vários trilhos que você pode fazer de estacionamento também”, explicou.
Fomento
"O nosso carro-chefe é o Rio Paraná”, destacou o secretário de Turismo e Cultura ao G1. No entanto, o trem turístico “seria um atrativo a mais”. “Em nossa região, não tem um trem turístico. Seria um potencial, não só para o município, mas para a região inteira”, salientou. “Realmente, é muito bonito. Vai movimentar muito e vai ajudar a fomentar a cidade”, colocou.
Prefeitura visa estimular ainda mais o turismo de Presidente Epitácio (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Prefeitura visa a estimular o turismo em Presidente Epitácio (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Projeto
O G1 teve acesso ao levantamento preliminar para a implantação do trem turístico em Presidente Epitácio, onde o projeto é justificado sobre a importância do turismo e sua dimensão frente à economia atual, pois o segmento pode gerar empregos diretos e indiretos e, consequentemente, renda. Ainda é apontado que “o transporte de passageiros sobre trilhos no país é merecedor de novos estudos em alguns trechos e de pronta reativação em outros”. Porém, é necessária a recuperação de trechos ferroviários, vagões e locomotivas.
Entre os objetivos, o projeto coloca o desenvolvimento do turismo ferroviário em âmbito regional; a inclusão dos estabelecimentos do entorno às estações ferroviárias envolvidas; a integração entre o turismo fluvial e a pesca; e a contribuição com desenvolvimento gastronômico, meios de hospedagem e atrativos diversos.
Com a recuperação e a reativação do trem, especificamente para o turismo, a Prefeitura espera que o produto tenha uma “receptividade com alta demanda de usuários”. “Em primeiro momento, a operação ferroviária deve acontecer apenas aos finais de semana, até que tenha viabilidade de operação em outros trechos, períodos e dias. Acredita-se que este trem será um dos grandes produtos do turismo regional”, de acordo com o projeto.
“Os ganhos serão vantajosos para o movimento turístico da cidade, contribuindo com a geração de emprego e renda da região, integrando as cidades para o desenvolvimento do turismo regional e aumentando a economia do turismo paulista”, apontou, ainda.
Ainda conforme o levantamento enviado ao G1, o turismo ferroviário é um “grande gerador de negócios” para o desenvolvimento local. O projeto aponta como beneficiários: a comunidade, o artesanato, o comércio local, as agências e operadoras de turismo, os hotéis, as empresas de eventos, as empresas de propagandas, o turismo fluvial e o turismo de pesca, bem como a cultura e o entretenimento em geral.
Locomotiva está sendo pleiteada pela Prefeitura de Presidente Epitácio (Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)Locomotiva está sendo pleiteada pela Prefeitura de Presidente Epitácio (Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)
Vagões e locomotivas
Conforme o assessor técnico da Secretaria de Turismo e Cultura de Presidente Epitácio, Krisley Gomes Simões, os vagões de inox são os doados para a Prefeitura. A locomotiva que deverá ser restaurada é a que o Executivo está pleiteando. Seu modelo é Santa Fé 207, de 1949.
Locomotiva está sendo pleiteada pela Prefeitura de Presidente Epitácio (Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)Locomotiva está sendo pleiteada pela Prefeitura de
Presidente Epitácio
(Foto: Prefeitura de Presidente Epitácio/Cedida)
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), segundo Simões explicou ao G1, autorizou a doação da locomotiva para Presidente Epitácio e outras cidades que as pleiteavam. O instituto mandou o parecer para o Dnit, “pois as locomotivas serão devolvidas para o mesmo, com a recomendação da doação para as cidades que fizeram o pedido”.
Os vagões ainda estão no pátio do Dnit em Bauru (SP), pois é necessária uma licitação por parte da Prefeitura de Presidente Epitácio para o transporte dos mesmos. Segundo argumentou Simões, é preciso um meio de transporte “adequado”, que deverá ser feito por caminhões-prancha de 23 metros, com batedores e dois guinchos, para retirá-los do pátio em Bauru, e mais dois guinchos para a retirada dos vagões dos caminhões de transporte e colocá-los no pátio do cais do Porto de Presidente Epitácio, espaço onde serão guardados de “forma segura” e restaurados.
“Estamos, também, montando um projeto para a captação de recursos de empresas interessadas em fazer uma parceria com o município”, disse ao G1, em nota, o assessor técnico da Secretaria de Turismo e Cultura. Segundo ele, serão colocadas cotas de patrocínio, em que as empresas interessadas se beneficiarão com seus nomes em placas e propagandas em diversas mídias, as apontando como parceiras do projeto.
“Com um projeto desses funcionando no município, conseguiremos atrair mais o fluxo turístico na cidade e na região, alimentando assim toda uma cadeia produtiva do turismo, melhorando a movimentação de capital na cidade e também a oferta de trabalho”, ainda argumentou Simões.
Concessão da estrada de ferro na região de Presidente Prudente é da Rumo ALL (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Concessão da estrada de ferro na região é da
Rumo ALL (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Administração
A concessão ferroviária é da ALL e, para a operacionalização do trem, é preciso que a proposta e os estudos técnicos sejam apresentados à empresa e, também, pleiteados junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para que seja autorizado o tráfego do trem turístico, conforme a resolução 359, ainda de acordo com as informações do projeto. O trecho ferroviário tem 10 quilômetros e o trajeto total soma 20 quilômetros.
“A administração será por personalidade jurídica a ser definida pela Prefeitura, que determinará seu gestor e deverão ser exigidos técnicos para áreas específicas”. Ainda é proposto que seja instalada uma “oficina-escola” para jovens. “Estes cursos poderão ser nas áreas de carpintaria, mecânica, funilaria, restauro, pintura, etc., tanto de bens móveis como imóveis. Seja ferroviário ou não”.
A Prefeitura também solicitou ao Dnit a aquisição de três carros de inox da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, para que façam parte do projeto turístico ferroviário. “Até o momento, não há confirmação por parte do Dnit referente à guarda dos bens móveis”.
Ferrovia na região de Presidente Prudente está desativada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Ferrovia na região de Presidente Prudente está
desativada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)
Necessidades
Em visita técnica, foi observado que alguns trechos precisam de reparos. “Há a necessidade de troca de dormentes em todo o trecho sugerido no projeto. Porém, poderá ser utilizado o método de costura, ou seja, a cada cinco ruins coloca-se um novo”, aponta o levantamento acessado pelo G1. A sugestão é de que, como concessionária responsável, a ALL avalie o que pode ser feito no trecho.
“Será necessária a recuperação da estação e do conjunto no entorno da estação de Presidente Epitácio. É importante ressaltar que há um projeto de revitalização da Prefeitura que poderá agregar ao projeto. Também será necessária a construção de pontos de parada em Arpad e no porto”, explica o levantamento.
Dnit
O Dnit informou ao G1 que tem um termo de guarda provisória da estação assinado com a Prefeitura. Porém, em razão das restrições eleitorais de 2016, “o termo de cessão será firmado somente no próximo ano”.

Rumo ALL
A Rumo ALL afirmou ao G1 que ainda “não recebeu nenhum projeto para implantação de um trem turístico em Presidente Epitácio”. A concessionária ressaltou que presta serviço público de transporte ferroviário de cargas e que não lhe é permitido realizar transporte de passageiros. “Conforme a resolução 359 de 26/11/2003 e demais normas vigentes, esse tipo de transporte depende de autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres”, colocou.

ANTT
Segundo informou ao G1 a ANTT, “até a presente data, não foi protocolado requerimento para a operação de trem turístico em Presidente Epitácio”. Além disso, foi colocado que compete à agência a regulação e a fiscalização do investimento.

“À Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) compete, entre outras atribuições, a regulação e a fiscalização da prestação dos serviços de transporte ferroviário interestadual de passageiros. Assim, a ANTT emitiu a Resolução nº 359, de 26/11/2003, por meio da qual estabeleceu os procedimentos relativos à prestação não regular e eventual de serviços de transporte ferroviário de passageiros com finalidade turística, histórico-cultural e comemorativa”, afirmou ao G1.
Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Movimentação no Porto de Presidente Epitácio é prejudicada pela ferrovia parada (Foto: Stephanie Fonseca/G1)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

150 anos da Santos – Jundiaí: Aplicativo conta historia da ferrovia

Diário do Transporte

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Estação da Luz terá exposição de maquete ferroviária
RENATO LOBO
Um novo aplicativo para celular comemora os 150 anos da primeira ferrovia de São Paulo. O projeto em parceira entre a Unesp e a CPTM lançará no próximo final de semana, dias 18 e 19, o app que contará a história ferroviária.
Os passageiros do Expresso Turístico poderão consultar durante as viagens um mapa on-line, que identificará as estações e as respectivas datas de inauguração.
Foi Desenvolvido dentro do Projeto Memória Ferroviária, da Unesp (Campus de Rosana, Assis e Bauru), e coordenado pelo professor Eduardo Romero de Oliveira.
Nomeado como “SPR 150”, o aplicativo homenageia a São Paulo Railway, companhia inglesa que operava a linha Santos – Jundiaí.
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Em 1992, a linha foi dividida e coube a CPTM administrar os trechos Luz – Jundiaí, pela Linha 7-Rubi (antiga Linha A), e Brás – Rio Grande da Serra, pela Linha 10-Turquesa (antiga Linha D). Os dois trajetos também são utilizados pelo Expresso Turístico que oferece viagens para Jundiaí e Paranapiacaba. A operação entre Rio Grande da Serra e o Porto de Santos é realizada atualmente pela MRS, que obteve a concessão para a circulação dos trens de carga.
Exposição
Ficará exposta na Luz uma maquete da primeira locomotiva da São Paulo Railway, cedida pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), que entrou em operação em 1861. A exposição será na Estação da Luz, neste sábado, das 8h às 16h.

Para baixar o programa, é preciso ter um celular Android e acessar o link https://drive.google.com/file/d/0B5E7KbB6rUn7Y1I5eVZTdGVJLUk/view?usp=sharing
Renato Lobo, técnico em Transportes Sobre Pneus e Trânsito Urbano