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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Memória de um tempo... O Metrô de São Paulo

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11/06/2017 12:00 - Plínio Assmann

Artigo publicado em 2004, na Revista dos Transportes Públicos (nº 102)


É inquestionável o sucesso do Metrô de São Paulo. Nenhum projeto de infra-estrutura pública une um consenso tão unânime como ele. Todas as classes sociais da cidade querem que ele seja expandido. De preferência todo morador quer que uma nova linha passe perto de onde mora e perto de onde trabalha.
Mas o apoio não vem só dos atuais usuários do Metrô ou dos que um dia têm a esperança de sê-lo. Vem também do usuário do automóvel cujo volume cresce exponencialmente nestes últimos tempos num viário que não cresce e que também vê no metrô uma saída para o trânsito caótico.
São Paulo é uma cidade interessante e nesse sentido única. Nasceu para ser grande. Foi a primeira cidade a atingir 1 milhão de operários, antes mesmo de Chicago, ainda a cidade industrial do mundo.
Seu central business district - CBD tem mudado de local a cada 20 anos. Cada mudança é um custo altíssimo. Urbano e financeiro. Aos poucos a cidade vai se tornando deseconômica. Do antigo centro histórico, o CBD saltou o Anhangabaú e foi localizar-se em torno da praça da República. Migrou para a região da Paulista e daí então para a Berrini e marginal do Pinheiros. Esses CBDs que misturam ao mesmo tempo negócios e residência crescem sem parar principalmente pela reciclagem da cidade industrial para a cidade de serviços. Não é difícil imaginar que o próximo CBD vá se situar ao longo do Rodoanel.
Quando o metrô foi inaugurado em 1974, seu impacto foi além das fronteiras. O mundo olhou para o Brasil admirado pela capacidade do país fazer o que fez, com a qualidade e modernidade de um sistema de tal complexidade e com a aceitabilidade popular atingida com uma operação modelar. Esse sucesso foi construído. Detalhe a detalhe, pormenor a pormenor, passo a passo, igual ao escultor que da pedra bruta tirou a forma perfeita no acabamento e na expressão. Ecce homo...
Não há obra mais difícil de construir do que o metrô. Desde a escolha do traçado da linha a implantar. No estágio atual da rede de linhas, qualquer nova que se construa deve atingir 1 milhão de passageiros-dia. A tecnologia a adotar deve ter em conta menos as limitações do conhecimento dos técnicos experimentados na operação atual do sistema e mais a necessidade do custo e as aspirações do usuário que vê na modernidade do metrô a realização para sua "auto-estima urbana”. Foi assim na construção da linha 1 - Norte-Sul. O Metrô mostrou ao Brasil que o país também poderia fazer coisas muito modernas e isso se deu em São Paulo, o que permitiu que os paulistanos se orgulhassem de sua cidade.
A implantação de uma linha de metrô é uma verdadeira cirurgia urbana. E essa oportunidade deve ser aproveitada para renovar a cidade, ainda mais em São Paulo que está permanentemente em mutação. A interface obra-cidade durante a implantação não deve temer o lindeiro, mas fazer dele um parceiro e não obrigar o projeto a esconder a obra encarecendo o custo enormemente apenas para torná-la "invisível”. Até e sobretudo a urbanidade da cidade tem na obra do metrô a oportunidade de realizar modificações e atualizações de modernizações de outro modo difíceis ou até mesmo impossíveis.
Metrô não é apenas "trenzinho pra lá e pra cá”. É muito mais que isso. É também comunicação pública, um diálogo com a cidade que deve ser diário e permanente. O transporte público é o locusideal e o metrô particularmente propício para tal porque por  ele passa a população todos os dias, inexoravelmente.
O Metrô de São Paulo teve o sucesso que teve porque ousou. Ousou procurar o que de melhor havia na experiência do mundo e trazê-lo para a realidade brasileira. Ousou desafiar a descrença de todos aqueles que na época achavam que o metrô não seria solução. Ousou entrar para a comunidade metroviária mundial e fazer parte dela como um parceiro de personalidade e respeitado. Ousou motivar a indústria nacional a produzir produtos heavy-duty modernos. Ousou introduzir a engenharia de sistemas no país e criar a gerência de empreendimentos como uma nova modalidade da engenharia. Ousou introduzir a qualidade nas obras civis pesadas urbanas. Ousou introduzir quase pioneiramente no mundo a aplicação da automação industrial on line. Nunca antes se deixou a segurança de tantas vidas humanas nas "mãos” dos computadores.
E tantas outras ousadias. Mas talvez a principal delas tenha sido, com toda a simplicidade, a de motivar uma equipe e criar uma gestão de grande atualidade na área de recursos humanos; e o Metrô foi a primeira empresa em nosso ambiente a usar essa denominação no lugar dos antigos departamentos de relações industriais ou de pessoal da época.
Ousar é preciso...
Plinio Assmann - Engenheiro, fundador da ANTP e ex-presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Além da linha 1-Azul com trecho interrompido, sexta-feira teve cachorro em cima de trem na Linha 3-Vermelha

Sexta-feira, 9 de junho, dia complicado para quem utiliza o metrô na capital…
ALEXANDRE PELEGI
DIÁRIO DO TRANSPORTE
Além da falha técnica na Linha 1-Azul do metrô de SP, outro fato, este inusitado, interrompeu por alguns minutos nesta manhã a Linha 3-Vermelha. Literalmente um dia de cão no sistema metroviário…
A cena foi registrada e postada no twitter @UsuarioMetroSP: um cachorro subiu no teto de um trem na Estação Guilhermina-Esperança, atrasando a saída da composição.
A assessoria de imprensa do Metrô informou depois que o animal cachorro foi retirado por funcionários e levado para uma clínica veterinária da região.
LINHA 7 DA CPTM TAMBÉM APRESENTOU PROBLEMAS:
A Linha 7-Rubi da CPTM também teve problemas na manhã desta sexta-feira. Houve interrupção da circulação nas estações Francisco Morato e Franco da Rocha. A CPTM informou através de nota que a falha ocorreu por volta das 7h. Por conta disso a circulação de trens teve de ser realizada por apenas uma via e com intervalo maior entre as composições.
A CPTM precisou acionar a operação Paese, com ônibus, para auxiliar no transporte dos passageiros.

Trem descarrila e deixa 3 estações da linha azul fechadas

VIATROBUS

Atualizado às 15h42 9/6

Um trem da linha 1 – azul, do Metrô, descarrilou por volta das 9h40 perto da estaçào Jabaquara e 3 estações estão fechadas até o momento: Jabaquera, Conceição e São Judas. Ônibus do sistema PAESE estão operand no trecho afetado.

Três vagões foram afetados na falha. O primeiro foi parar na via ao lado da em que trilhava. O segundo permaneceu na mesma, mas se “soltou” do trilho. O terceiro permaneceu no trilho, mas também ficou danificado.

Os passageiros foram retirados pelos trilhos. Não houve feridos. Metrô irá investigar as causas do acidente.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Salvador ganha nova linha de metrô

O número de passageiros deve duplicar

Do Conversa Afiada
publicado 23/05/2017
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Via G1:
O metrô de Salvador começa a operar até o bairro de Pituaçu a partir das 5h da terça-feira (23). Com isso, quatro novas estações da Linha 2, que corresponde ao trecho, entram em funcionamento: Pernambués, Imbuí, CAB e Pituaçu. A informação foi divulgada pelo Governo do Estado nesta segunda-feira (22).
Com as novas estações, o trajeto entre o Acesso Norte e Pituaçu, que tem 8,3 quilômetros, será percorrido em cerca de 12 minutos. Até então, a Linha 2 seguia até a rodoviária da capital baiana. O trecho está em operação desde dezembro de 2016 e tem como ponto de partida a estação Acesso Norte 2, que funciona como integração com os ônibus e com a Linha 1, que liga a Estação Pirajá à Lapa.
Segundo a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom), hoje cerca de 92 mil pessoas usam o metrô por dia. A expecativa é que, com as novas estações, esse número praticamente duplique e o transporte passe a receber 180 mil passageiros diariamente.
Com obra iniciada em novembro de 2015, a Estação Pituaçu do metrô, é a maior da Linha 2 na Avenida Paralela, com área total de 12.151 metros quadrados. A estação terá 14 bloqueios e outros dois exclusivos para pessoas com deficiência, quatro escadas rolantes e seis escadas fixas.
Através de nota, o Governo do Estado informou que ônibus gratuitos farão o transporte dos usuários do metrô ao CAB. O serviço estará disponível também a partir desta terça, das 6h às 19h30.
Passando pelas passarelas das estações Pituaçu e CAB (próximo ao Colégio Estadual Bolivar Santana), quatro ônibus seguirão o trajeto e vão circular por todas as avenidas do CAB, num intervalo de 15 minutos, chegando a 10 minutos nos horários de pico. Dois ônibus vão iniciar o trajeto no sentido Aeroporto e os outros dois iniciam no sentido Centro. Um letreiro eletrônico fará a identificação dos veículos destinados ao transporte complementar.
Além disso, a linha metropolitana de ônibus Portão/Terminal da França (via Rua Queira Deus), nº 86012, seguindo pela Avenida Jorge Amado, passa a fazer integração com o metrô na Estação Imbuí, com mudança no itinerário e retorno no viaduto do CAB. Para a integração com o metropolitano, o usuário deve utilizar Metropasse, SalvadorCard ou o cartão do metrô. Desta forma, ele não precisará pagar mais nada no metrô.
Horário de funcionamento
Todas as linhas do transporte funcionam das 5h à meia-noite, inclusive em feriados e nos finais de semana. O valor da tarifa do metrô é igual a do ônibus, R$ 3,60. No metrô, o usuário pode utilizar o cartão da CCR Metrô Bahia, o SalvadorCARD e o Metropasse.
Os passageiros terão acesso às estações Pernambués e Pituaçu por novas passarelas. No Imbuí e no CAB, os usuários vão seguir até as estações por passarelas que foram requalificadas.
Com o novo trecho, foram acrescentados novos trens à frota operacional. Agora são 16 no total, cada um com capacidade para até 1 mil passageiros. Nos horários de pico, as saídas ocorrem a cada 5 minutos na Linha 2, e no intervalo de 4 minutos e 40 segundos na Linha 1. Nos horários de menor movimento, os trens saem a cada 8 minutos nas duas linhas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

1863: Londres inaugura o primeiro metrô do mundo

CALENDÁRIO HISTÓRICO

http://www.dw.com/pt-br/1863-londres-inaugura-o-primeiro-metr%C3%B4-do-mundo/a-297312

DW

No dia 10 de janeiro de 1863, começaram a circular regularmente os metrôs em Londres. Um exemplo logo seguido por várias outras metrópoles, que também canalizaram o transporte público para debaixo do solo.
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Placa na estação de Notting Hill
O primeiro metrô do mundo foi criado por pura necessidade. No começo do século 19, as ruas da capital britânica estavam completamente entupidas de carroças, carruagens e ônibus de dois andares puxados a cavalos. O criador do trem subterrâneo em Londres, Charles Pearson, disse certa vez que a única solução para os constantes engarrafamentos era transferir o transporte coletivo para cima de viadutos ou para debaixo da terra.
A administração pública decidiu-se pela segunda opção. O trem passaria por um túnel cavado entre os fundamentos de uma fileira de prédios. O engenheiro "sir" John Fowler chefiou as obras. Sob suas ordens, 3.500 operários começaram a arrancar casebres e barracos, deixando sem teto 12 mil pessoas, justamente da camada mais pobre da população. O sistema de dutos só se tornou possível graças à grossa camada de argila, que permitia escavações durante certo período de tempo sem que o túnel desabasse.
Movidos a vapor
Outro desafio era a forma de tração. Como ainda não havia sido inventada a energia elétrica, os trens subterrâneos de Londres começaram sendo movidos a vapor. Os gases eram recolhidos num vagão especial e só liberados fora do túnel. O sistema, entretanto, não era ideal, conforme noticiou o jornal Observer de 12 de janeiro de 1863:
"Apesar da excelente ventilação, os funcionários já começaram a sentir os efeitos negativos. Dois homens intoxicaram-se com o ar contaminado e tiveram que ser hospitalizados. (...) Infelizmente, é preciso reconhecer que o sistema de ventilação ainda não está apurado o suficiente. (...) Os passageiros terão que calcular com grandes desconfortos."
Por esse motivo, o primeiro traçado do metrô de Londres não era totalmente subterrâneo. Em alguns locais, os trilhos estavam abaixo do nível do solo, mas a céu aberto. Só a partir de 1890, com o advento da eletricidade, o traçado passou a ser todo debaixo da terra, pois não havia mais problemas de ventilação. Não demorou para que o metrô (ou "tubo", como era chamado) se tornasse a "menina dos olhos" dos londrinos.
Intervalos regulares
Logo foi desenvolvido um horário regular para os trens. O trecho principal, entre Paddington e o centro, tinha 6,5 quilômetros. Entre as 6 e 8 horas da manhã, havia um metrô a cada meia hora. Depois, a cada 15 minutos. Na primeira classe, a passagem custava 6 pence, na segunda, quatro, e, na terceira, três pence.
O sistema de Pearson e Fowler, inaugurado a 10 de janeiro de 1863, demonstrou tanta eficiência que, dois anos mais tarde, a passagem para pedestres por debaixo do Rio Tâmisa começou a ser usada pelo metrô.
A partir daí, não demorou para que a rede fosse ampliada dentro de Londres e área metropolitana. Outras metrópoles seguiram o exemplo. Budapeste, Paris e Berlim aplicaram os conhecimentos dos pioneiros britânicos no transporte subterrâneo.

Alckmin amplia prazo para entrega de 3 estações da linha 5


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, postou um video neste sábado, 20, em que está dentro de um trem da linha 5 – lilás, do Metrô, realizando uma viagem entre as estações Adolfo Pinheiro e Brooklin e iz que a entrega das estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin devem ocorrer entre julho e agosto. O último prazo dado era entregar as 3 em julho.

Em seu discurso depois da viagem, Alckmin diz que o sistema CBTC já estará funcionando integralmente entre as estações Capão Redondo e Adolfo Pinheiros a partir de segunda, 22, com trens da frota P.

Quem passa em frente às futuras estações ou vê os videos de andamento das obras que o Metrô posta, logo já havia percebido que julho era inviável porém agosto também temos dúvidas.
Alckmin reafirma que as demais, com exceção de Campo Belo, serão entregues até o fim do ano.

Governo de SP promete três novas estações na Linha 5 do Metrô até agosto


22/05/2017  - Jovem Pan
Governo do Estado promete entregar três novas estações da Linha 5-Lilás do Metrô até o mês de agosto.
O cronograma prevê a inauguração das estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin entre julho e agosto.
Até o fim do ano, mais seis deverão ser finalizadas, fazendo com que o ramal tenha ligações com as linhas 1-Azul e 3-Verde.
Neste sábado (20), foi realizada a primeira viagem experimental entre Adolfo Pinheiro e Brooklin.
O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, explicou que a Linha Lilás será concedida para a iniciativa privada para que não seja necessário aumentar o subsídio do governo.
“Nessa linha, hoje a nossa proposta é pagar R$ 1,73 por passageiro transportado. R$ 3,80, hoje a pessoa não anda só em uma linha, anda em duas. Hoje o governo já subsidia o transporte coletivo através das gratuidades e aportes na CPTM. O que a gente quer é não aumentar esse subsídio existente”, disse.
Nesta segunda-feira (22), será implantado na Linha-5 Lilás o controle automático de trens conhecido como CBTC.
Com o novo sistema, o Metrô espera reduzir os intervalos entre as composições com mais velocidade operacional e menor consumo de energia.
*Informações do repórter Anderson Costa

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Alckmin fala sobre entregas da Linha 4


O governador Geraldo Alckmin, mais uma vez, adiou a entrega das estações da linha 4 – Amarela, do Metrô. Higienópolis-Mackenize e Oscar Freire estavam previstas, até a última previsão, para este ano.  De acordo com entrevista desta terça, 2, Alckmin disse que Oscar Freire só para 2018.

“Vamos entregar até o fim deste ano Higienópolis-Mackenzie. No começo do ano que vem, Oscar Freire e, depois, São Paulo-Morumbi. Vamos tentar até o fim de 2018 entregar Vila Sônia. E vou dar início ao projeto executivo da estação do Metrô até Taboão”, disse o governador em Taboão da Serra.
Por enquanto, ficamos com este video de 2014. Quem sabe um dia veremos isso realmente feito.

ESTAÇÃO LARGO DO TABOÃO - Linha 4 Amarela

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tucanos roubaram uma linha inteira de metrô

Começou com Careca, o guloso

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Santo e Careca roubam juntos e separados (Reprodução)
Conversa Afiada reproduz reportagem de Talita Bedinelli no El País:
Uma obra, muitos corruptos. Assim poderia ser descrita a expansão da linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, segundo o relato do delator Fabio Gandolfo, ex-diretor do contrato na Odebrecht. Seu depoimento mostra a anatomia da corrupção que beneficiou a empresa ao longo de ao menos 15 anos e envolveu diversas esferas políticas: teriam recebido propina o órgão que deveria fiscalizar o contrato, membros da Assembleia Legislativa e um deputado federal e membros da diretoria do Metrô. Além do tucano José Serra, que no período se preparou para eleições à Prefeitura de São Paulo e ao Governo paulista. O depoimento do executivo foi colhido pela força tarefa da Operação Lava Jato e tornado público no final da semana passada, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, derrubou o sigilo das investigações, revelando a sistemática corrupta gerenciada pela empresa.
Gandolfo conta em seu depoimento que assumiu o contrato dos lotes dois e três da linha no início dos anos 2000. O contrato existia desde 1992, mas nunca havia sido implementado, pois o Governo do Estado afirmava não ter dinheiro para as obras. Havia, no entanto, uma cláusula que determinava que, se a construção não se iniciasse no prazo de seis meses após a assinatura do acordo, ele poderia ser extinto. Para que isso não ocorresse, esse contrato precisava passar por aditamentos. É neste momento que se inicia o primeiro episódio de corrupção. Para que o Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão responsável por fiscalizar a lisura da aplicação do dinheiro público em São Paulo, não contestasse os aditamentos, o delator conta que havia um "compromisso" de pagamento, na ordem de 0,9% do contrato. Quando questionado se esse compromisso indicava "propina", ele confirma que sim.
"Quando eu cheguei, já tínhamos assinado 20 aditivos contratuais mantendo a eficácia [do contrato]. Vinte aditivos sem ter iniciado [a obra]", conta ele. "O Metrô não tinha interesse em desmanchar o contrato porque teria que fazer licitação outra vez, e isso demora. Mas não havia recurso para executar a obra. O grande problema era se o TCE aprovava ou não aditivo. Não sei se o acordo envolvia todos os conselheiros, um conselheiro ou o quadro técnico do tribunal", afirma o executivo. Segundo ele, os pagamentos haviam sido acordados com um intermediário, chamado Luiz Carlos Ferreira. Não fica claro o papel dele junto aos receptores da propina, já que o delator afirma que ele era um consultor. "Esse compromisso seria da ordem de 0,9% do valor do contrato. Nós tínhamos dois lotes, portanto, dois contratos. O do lote dois, da linha 2, era da ordem de 125 milhões de reais, e o contrato do lote três, da ordem de 150 milhões de reais." O codinome dele na planilha da Odebrecht era Corinthiano e ele recebeu, ao todo, 2,754 milhões de reais, segundo o delator.
Em 2003, houve a decisão por parte do governador Geraldo Alckmin de ampliar a linha Verde. E, com isso, decidiu-se colocar em prática a obra acordada com a Odebrecht. E, neste momento, se inicia o segundo episódio de corrupção, segundo o delator. "Um pouco antes de começarem as obras, o presidente do Metrô na época, Luiz Carlos Frayze David, me convocou para uma reunião no gabinete dele. Disse que ele precisava de um apoio político nosso para um grupo de deputados, para que não tivesse pressão da assembleia contra esse contrato. Porque, vamos convir, que ficar com um projeto por dez anos em stand by[espera] é um negócio discutível. Por que não fazer nova licitação? Porque vai perder tempo. Mas é discutível", afirma ele.
O ex-diretor do Metrô, que ganhou o codinome Estrela, teria recebido 10 milhões de reais, em três entregas distintas, todas feitas em sua casa. O dinheiro, diz o delator, iria ao menos para dois parlamentares: Rodrigo Garcia, então deputado Estadual pelo DEM que entre 2005 e 2007 foi presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo; e Arnaldo Madeira, um dos fundadores do PSDB, ex-deputado federal e que, em 2003, assumiu a secretaria estadual da Casa Civil no Governo Alckmin. "Ele me disse que precisaria da ordem de quatro ou cinco por cento do valor do contrato para que fosse destinado a ele e ele se encarregaria de fazer essa distribuição."
Na mesma reunião, descreve Gandolfo, Frayze David teria pedido ainda um outro valor. Ou seja, o terceiro episódio de corrupção no mesmo contrato. "Ele disse que precisava de um apoio da área operacional do Metrô", conta. "Como a gente não ia fazer a linha inteira (...) .seria preciso fazer uma análise e um planejamento operacional. E, para isso, precisaria envolver a área de operação do Metrô, que é uma área muito forte, rigorosa. Ele pediu para designar 0,5%, que seria entregue ao diretor de Operações do Metrô, Décio Tambelli", ressalta.Tambelli ganhou na planilha o codinome Bragança e recebeu em seu escritório, segundo o delator, um valor aproximado de 1,5 milhão de reais. Ainda segundo o delator, um quarto episódio de corrupção ocorreu neste contrato: seria necessário fazer um ajuste contratual, devido às mudanças necessárias no projeto. Para isso, teria dito o ex-diretor do Metrô, seria necessário entregar mais 0,5% do valor contrato para Sérgio Brasil, que liderava o setor de contratação, que ganhou o codinome Brasileiro e uma quantia também próxima a 1,5 milhão de reais, entregues em restaurantes de São Paulo.
Os contratos da Odebrecht para a realização da obra foram responsáveis ainda por um outro nome na planilha de corrupção da empresa. Um executivo da empresa solicitou que ele incluísse o pagamento de 3% deste contrato para o codinome Careca "para gastos em futuras campanhas políticas". Na hora, não foi dito a ele quem era a pessoa por trás do apelido, mas ele descobriu, posteriormente, que se tratava do tucano José Serra, que também era conhecido pelo codinome Vizinho. "Esse eu programava, mas eu nunca pagava. Esse dinheiro era entregue, mas eu não sei a quem", conta o delator, que ressalta que o dinheiro era destinado a campanhas políticas. Em 2004, Serra concorreu nas eleições para prefeito de São Paulo, cargo ao qual renunciou dois anos depois, para concorrer ao Governo de São Paulo."Neste período [de contrato] nós recebemos do Metrô mais ou menos 320 milhões de reais porque tinha reajuste. Eu detectei pagamento para (...) o Vizinho de 4,670 milhões. Os 3% dariam 7,5 milhões, mas eu só detectei isso. Mas eu sai do contrato em 2006. O contrato do lote 3 se estendeu e eu não sei se foi pago depois."
O depoimento faz parte de uma das petições de Fachin, que inclui a fala de outros executivos da Odebrecht que confirmam as propinas. O ministro pede que o caso seja encaminhado para a avaliação da Procuradoria da República em São Paulo, já que envolve pessoas que não teriam foro privilegiado no STF, com exceção de Serra, que é senador e deve ser investigado em um inquérito separado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Se a investigação sobre as irregularidades nas obras do Metrô for autorizada, ela será feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo, que afirma que ainda não tem novidades concretas no momento sobre o caso.
A Secretaria dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo Metrô, diz que a empresa tem "rígidos controles sobre seus contratos". "A empresa mantém firme compromisso com a sociedade para oferecer serviços cada vez melhores e processos de contratação permanentemente transparentes", ressaltou, em nota. "Todos os contratos de todos os lotes e todos os aditivos da linha 2 foram julgados regulares pelo Tribunal de Contas do Estado."
O TCE, por sua vez, diz que reitera sua "disposição de prestar todas as informações que se fizerem necessárias para o esclarecimento de quaisquer fatos". "O TCE determinou o levantamento da situação de todos os processos referentes aos contratos citados. O relatório com essas informações estará disponível, de forma transparente, a todas as autoridades competentes e a quem possa interessar.", ressaltou o órgão, também em nota. O ex-deputado Rodrigo Garcia, atual Secretário da Habitação do Governo de Geraldo Alckmin, afirma que a delação é um "relato mentiroso e falso", "uma suposta citação de uma terceira pessoa (e não do delator), que foi negada por essa pessoa. "Jamais solicitei, ou autorizei que solicitassem em meu nome, recursos irregulares", disse ele, por meio de uma nota.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Qual é o preço da privatização? Transições Parte 1

ASSEMBLEIA APROVA GREVE EM 28/4!


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metroviários votam a participação na Greve Geral no dia 28/4 contra as reformas do governo Temer. Foto: Paulo Iannone
Os metroviários vão parar no dia 28/4, dia em que será realizada uma Greve Geral no País. A decisão foi aprovada na assembleia de 11/4 (terça-feira). A luta é contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, a terceirização e privatização.
O 15/3 mostrou que é possível realizar uma Greve Geral no Brasil. Agora, chegou o momento de parar e mostrar ao governo Temer que não aceitamos perder a aposentadoria, os direitos trabalhistas e sermos submetidos à terceirização.
Os trabalhadores estão conscientes de que agora é o momento de realizar uma grande manifestação. As Centrais Sindicais, sindicatos e os movimentos sociais estão unidos para a Greve Geral. Todos à assembleia do dia 27/4. Vamos parar o Brasil!

FALHAS GRAVES NAS LINHAS DO METRÔ NOS ÚLTIMOS 5 ANOS


 Sindicato dos Metroviários

COMPARAÇÕES QUE A GRANDE MÍDIA NÃO FAZ:


Ao verificarmos a quantidade de trens que circulam diariamente em todas as linhas do metrô estatal e na Linha 4-Amarela (privada), observamos que a L4 teve, nos últimos cinco anos, 40% a mais de falhas do que as linhas estatais. No entanto, a grande imprensa prefere não examinar a fundo os números que o próprio Metrô apresenta para, dessa forma, apoiar a privatização da L5.
O site UOL publicou, no dia 4/1, uma reportagem com o título “Panes graves nas linhas estatais do Metrô de SP crescem pelo 3º ano seguido”. No final deste texto você pode conferir a tabela publicada pelo site. Mas a matéria do UOL é tendenciosa e simplesmente omite informações valiosas. Vamos a elas:
2012: proporcionalmente ao tamanho das linhas, a L4 teve 50% mais falhas do que a L1
L4 teve quase 83% mais falhas do que a Linha 2
L4 teve 25% menos falhas do que a Linha 3
L4 teve 1000% mais falhas do que a L5
2013: proporcionalmente ao tamanho das linhas, a L4 teve 100% mais falhas do que a L1
L4 teve 100% mais falhas do que a linha 2
L4 teve 78% mais falhas do que a L3
L4 teve quase 500% mais falhas do que a L5
2014: proporcionalmente ao tamanho das linhas, a L4 teve quase 400% mais falhas do que a L1
L4 teve 160% mais falhas do que a L2
L4 teve 190% mais falhas do que a L3
L4 teve 300% mais falhas do que a L5
2015: proporcionalmente ao tamanho das linhas, a L4 100% mais falhas do que a L1
L4 teve 100% mais falhas do que a L2
L4 teve 130% mais falhas do que a L3
L4 teve quase 500% mais falhas do que a L5
2016: proporcionalmente ao tamanho das linhas, a L4 teve mais 30% falhas do que a L1
L4 teve 40% menos falhas do que a L2
L4 teve 32% menos falhas do que a L3
L4 teve 100% mais falhas do que a L5
Em 2016, nas 63 estações do metrô estatal, ocorreram 78 falhas. Já as 7 estações da L4 tiveram 8. Proporcionalmente, a L4, mesmo sendo mais nova, teve apenas 7,5% a menos de falhas. Se considerarmos os últimos 5 anos acumulados, ocorreram 370 falhas no metrô estatal e 82 na ViaQuatro, ou seja, proporcionalmente a L4 teve 100% a mais de falhas. Verificando a quantidade de passageiros transportados nos últimos 5 anos no metrô estatal e na ViaQuatro, houve a mesma quantidade de falhas no período, proporcionalmente.
Tudo isso sem contar que nos últimos anos o governo diminuiu os investimentos no metrô estatal e deu calote nas gratuidades. Também nos últimos 5 anos, o metrô estatal repassou mais de R$ 1,1 bilhão para a ViaQuatro. Ou seja, mesmo com o governo priorizando o setor privado, garantindo o lucro da concessionária e tentando precarizar as linhas estatais, o metrô estatal, que tem 40 anos, é mais eficiente do que a L4. Se todo o dinheiro desviado e repassado para a L4 tivesse sido investido no sistema poderíamos ter mais linhas. E menos problemas.
A questão central dessa discussão, que afeta todas as linhas, é que São Paulo precisa da expansão do metrô para diminuir a superlotação e a quantidade de falhas. Mas as linhas devem continuar estatais porque o metrô privado só visa o lucro. A L4 tem, entre operação e manutenção, 480 funcionários em 7 estações. Hoje, com 6 anos de operação, tem mais falhas que o sistema de 40 anos. O que vai acontecer quando a L4 chegar aos 40 anos?
É importante lembrar que a linha que se mostra mais eficiente entre todas (incluindo a L4) é a L5–Lilás, que tem cerca de 720 funcionários em 7 estações (mesmo número da L4). Ou seja, o governo do Estado quer privatizar a melhor linha. E com uma agravante: sem contrapartida nenhuma.
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

A implantação do CBTC na Linha 2-Verde do Metrô-SP foi uma conquista

Matéria do Nexo Jornal citada no texto pode ser lida aqui: O que define o intervalo de trens no metrô de São Paulo
Milton Gioiia Júnior, diretor de Operações do Metrô-SP

LAVA JATO E TRANSPORTES: Novas delações expõem ainda mais escândalos envolvendo o ir e vir dos brasileiros

Linha 2 Verde, que não tem mais previsão certa de ir até Guarulhos.

Obras que poderiam melhorar a vida de milhões de brasileiros estão paradas, atrasadas ou sem a qualidade necessária por causa da corrupção. Advogados especializados em transportes e empresários de ônibus também entraram no rol das acusações. Um deles já chegou a ser preso
ADAMO BAZANI
Diário do Transporte
Rita Lisandra, de 26 anos, se formou no ano passado em Comércio Exterior. Moradora de Santo André, na Grande São Paulo, engrossa a lista dos mais de 12 milhões de desempregados no Brasil.
Essa situação iria mudar, mas ela continua desempregada por causa dos transportes. Isso mesmo.
Rita contou ao Diário do Transporte que disparou dezenas de currículos. Uma das empresas chamou, mas a única vaga disponível era em Guarulhos, perto do Aeroporto, numa companhia de distribuição que tem várias unidades. Mas só em Guarulhos tinha vaga.
De acordo com um aplicativo de rotas, de carro, Rita gastaria mais ou menos uma hora para chegar. “Rota rodoviária Geração entre Vila Luzita, Santo André – SP, Brasil y Aeroporto, Guarulhos – SP, Brasil. A distância entre as duas cidades é 45,1 km, estimado 57 minutos.”
Não é pouco, mas daria para encarar.
Acontece que: “Eu não sei dirigir, não tenho carta e de condução, não vai dar” – disse a jovem à reportagem.
A falta de ligação fácil de transporte e o custo deixariam a rotina da jovem inviável. Ela gastaria mais de 2h30 para ir e o mesmo tanto para voltar e ainda teria de pagar caro (no caso, a empresa).
Pois bem, leitor, se prepare e ganhe fôlego agora:
Por R$ 4,20, Rita teria de pegar um ônibus da Suzantur da linha AL 114 Terminal Vila Luzita/Recreio da Borda do Campo até o Terminal Vila Luzita. De lá, embarcaria sem custo na linha TR 101 – Terminal Vila Luzita/Estação de Santo André. Do terminal Santo André teria de pegar lances e lances de escada e acessar a Estação Prefeito Celso Daniel, da linha 10 Turquesa, de onde pegaria o trem sentido Brás por mais R$ 3,80. Seguiria até o Brás, de onde embarcaria sem custo na linha 3 Vermelha do Metrô. Aí poderia optar para ir até a Estação Armênia ou Tatuapé, de onde pegaria um ônibus da Airport Service por R$ 5,95 até as proximidades daquele que seria seu emprego. – Têm ônibus executivos da empresa de pontos mais próximos para ela, em São Paulo, mas R$ 48,80 toda ida e mais R$ 48,80 toda volta, seria um custo inviável.
Muitos podem dizer: “mas o ideal é que o local de trabalho fique mais próximo da residência” . É verdade, mas enquanto a distribuição de oferta de emprego e moradias não se resolve, as pessoas têm de trabalhar, têm de comer, têm que pensar no seu futuro.  Além disso, para determinadas profissões, algumas regiões sequer têm vagas de emprego.
“Perdi uma chance porque aquele metrô até Guarulhos não saiu” – desabafou.
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Ela se refere à linha 2-Verde do metrô, hoje Vila Madalena/Vila Prudente, que não iria exatamente até o aeroporto, mas ajudaria muito. Rita poderia, por exemplo, se integrar com a linha 13-Jade da CPTM que iria até o Aeroporto Também poderia fazer isso por trem. No entanto nem a extensão da Linha 2-Verde (suspensa por falta de verbas) e  nem a 13-Jade saíram do papel ainda.
A IMOBILIDADE E A CORRUPÇÃO:
Acontece que existem milhões de “Ritas” no Brasil afora. São pessoas que perdem o emprego, oportunidades de estudo, tempo e dinheiro devido à imobilidade.
Faltam investimentos adequados na área de transportes, isso sem dúvida. De acordo com o levantamento do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, até 2027, seriam necessários investimentos na ordem de R$ 234,8 bilhões para oferecer a mobilidade necessária nos grandes centros urbanos. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2015/06/20/brasil-tem-de-aumentar-em-oito-vezes-investimentos-em-mobilidade-diz-bndes/
Mas não é apenas falta de dinheiro. A corrupção atrapalha e muito.
Por causa de pagamentos de propinas, sobretaxas e esquemas em algumas obras, não sobra dinheiro para fazer outras linhas necessárias para o brasileiro se deslocar, seja por corredores de ônibus, VLTs, monotrilhos, trens, metrô ou melhor, todos estes modais integrados.
As delações na Operação Lava Jato têm mostrado a dimensão da corrupção no Brasil, ou ao menos uma parte dela.
É verdade que não se pode condenas apenar por delações, mas é impossível achar que tudo o que estão falando nos depoimentos é mentira, como dizem as notas-respostas do citados.
A área de transportes está sendo diretamente envolvida, seja por esquemas em obras, licitações ou atuação de alguns empresários e advogados do setor.
Lembra da linha 2-Verde que, se estendida poderia melhorar a vida de Ritas e mais Ritas?
A ligação apareceu nas delações.
LINHA 2 – VERDE METRÔ SÃO PAULO:
De acordo com o executivo, Fábio Gandolfo, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato, o senador José Serra recebeu R$ 4,67 milhões de reais em 2004 como, nas palavras do delator, “propina”, sobre as obras da linha 2-Verde do Metrô. Os codinomes de Serra seriam “careca” ou “vizinho”, segundo o depoimento. O governador na época era Geraldo Alckmin e Serra, um dos mais influentes do PSDB, assumiria o executivo paulista em 2007.
A Procuradoria questionou no depoimento a Fabio Gandolfo se o ‘compromisso’ de 3% sobre o contrato era sinônimo de propina: “Propina, propina”, disse o executivo ao ligar o percentual a Serra.
“O senador José Serra reitera que não cometeu irregularidades em sua longa vida pública, que sempre foi pautada pela lisura, ética e transparência. A abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal servirá como oportunidade para demonstrar que as acusações e o conteúdo das delações são fantasiosos e infundados.” – diz nota da assessoria de Serra.
Ainda sobre a linha 2, Gandolfo citou pagamento de propina a um suposto intermediário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), responsável por fiscalizar e liberar as obras, Luís Carlos Ferreira, para o ex-presidente da Companhia do Metropolitano Luiz Carlos Frayse David e aos funcionários da companhia do Metrô, Sérgio Brasil e Décio Tambelli. O pagamento também era chamado de “compromisso”.
Cada um também tinha seu codinome: Luiz Carlos Frayse David era “Estrela”, Sérgio Brasil era o “Brasileiro”, Luís Carlos Ferreira  era “Corinthiano”, e Décio Tambelli era o “Bragança”.
“Eu detectei pagamento para o ‘Estrela’, na ordem de R$ 10 milhões ao longo de 2004, 2005 e 2006. Eu detectei tanto para o ‘Brasileiro’ como para o ‘Bragança’ pagamentos na ordem, cada um, de R$ 1,5 milhão. Esse ‘Corinthiano’ era 0,9% do valor do contrato original sempre pago em cinco vezes a partir do início. Detectei dois pacotes de cinco parcelas que totalizam R$ 2,754 mil, que bate com esse número”, relatou no depoimento.
Todos os acusados negam.
BRT Expresso DF SUL:
O corredor de ônibus, orçado em R$ 800 milhões, liga a região de Santa Maria e do Gama ao centro de Brasília. Mensagens obtidas pelos investigadores da Lava Jato em perícia no celular de José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, indicam que o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, intermediou negócios da empreiteira com o Governo do Distrito Federal em 2014, na gestão de Agnelo Queiroz (PT). O vice governador era Tadeu Filippelli, atual  assessor direto do presidente Michel Temer.
As mensagens indicam pagamentos de propina nas obras, o que foi confirmado nas delações.
O suposto repasse de R$ 1 milhão a Agnelo Queiroz é citado nas delações dos ex-diretores da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz de Oliveira e envolve também o estádio Mané Garrincha.
Ainda sobre o BRT, o  ex governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PR), teria recebido, segundo as delações, R$ 996 mil para o caixa 2 da campanha de 2014. Arruda tentava voltar ao cargo.
Os advogados de Arruda falaram que não comentam o caso porque trata-se de uma delação de investigação em andamento.
Os delatores afirmam que o repasse foi concretizado pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, ou seja, o setor de propinas da construtora.
A construção do Expresso DF Sul começou no governo Arruda, em 2011, com a previsão de que os ônibus já estariam rodando na Copa das Confederações, em 2013. Após uma série de adiamentos e mudanças no projeto, os ônibus começaram a operar em testes somente em abril de 2014.
VLT de Goiânia:
O ex-diretor da Odebrecht, Ricardo Roth Ferraz de Oliveira, disse em delação que  o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, recebeu dinheiro ilegal do projeo do VLT de Goiânia.
“Recurso alocado nessa obra [do VLT de Goiânia] foi destinado a ele”. “Na contabilidade nossa do sistema saíram daí para poder fazer o pagamento para o Parreira [apelido de Arruda nas planilhas da Odebrecht].”
O valor totalizou, segundo o depoimento, R$ 466 mil para a campanha ao Governo do DF.
Os advogados de Arruda falaram que não comentam o caso porque trata-se de uma delação de investigação em andamento.
O VLT de Goiânia foi licitado em 2013, mas a obra não chegou a sair do papel por falta de financiamento. O orçamento foi de R$ 1,3 bilhão e a Odebrecht tendo detém 90% de participação no projeto.
O sistema contaria com 30 composições e de dois carros (vagões) pelo Eixo Anhanguera.
LINHA 4 METRÔ RIO DE JANEIRO:
O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, responsável pelo Setor de Operações Estruturadas da construtora, disse em depoimento que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), recebeu R$ 36 milhões com recursos de caixa dois entre 2012 e 2014.  O dinheiro veio do projeto de construção da Linha 4 do metrô do Rio. O valor parte de um total de R$ 94 milhões destinados a Cabral de forma ilícita, considerando todos os contratos com irregularidades, segundo Benedicto Barbosa.
O ex-secretário de Estado de Transportes, Júlio Lopes, hoje deputado federal pelo PP, também foi citado pelo executivo que contou que Júlio Lopes teria recebido R$ 4 milhões de propina. O dinheiro integra os R$ 12,2 milhões que Lopes teria obtido para que não criasse “problemas” ou interferisse no andamento das obras.
Segundo a Lava Jato, a Odebrecht só entrou na obra por causa da corrupção. As investigações mostram ainda que Sérgio Cabral interferiu na composição da concessão responsável pela obra. A Odebrecht, de início, não fazia parte do projeto da Linha 4, cuja licitação foi em 1998 e, vencida pelas empresas Queiroz Galvão (líder do consórcio), T’Trans e Constran.
Em 2009, porém, com a interferência do Governo do Estado, a Odebrecht conseguiu comprar os 33% de participação da Constran por R$ 11 milhões.
Ainda de acordo com as delações, o ex-governador Sérgio Cabral informou as construtoras da linha 4 que elas “deveriam se preparar” porque novas empresas integrariam o consórcio: a OAS, a AG e a Delta Construções.
A Delta é presidida por Fernando Cavendish, amigo de Cabral e também investigado por corrupção.
Segundo Benedicto Barbosa, Cabral queria cobrar, além do Caixa 2,   5% de propina em cima do contrato da Linha 4.
Mas a Odebrechet, segundo Benedicto Barbosa, não pagou a propina extra, porque já tinha desembolsado R$ 11 milhões para entrar no consórcio da Linha 4.
“Ele voltava com a conversa dos 5%, e eu sempre dizendo: paguei aqui R$ 11 milhões para entrar nesse negócio. Paguei com [dinheiro] privado. (…) Eu não tenho problema de ajudar [isto é, pagar propina], mas eu não posso ser tratado como os 5% que o senhor entende que um prestador de serviço comum faz aqui”, disse o delator.
A Polícia Federal deflagrou em 14 de março de 2017, mais uma fase da Operação Lava Jato.
Foram presos diretor da Rio Trilhos, Companhia de Transportes sobre trilhos do Estado do Rio de Janeiro, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o atual subsecretário de Turismo do estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso.
Eles são suspeitos de participarem de um esquema de corrupção e pagamento de propina em contratos para construção da linha 4 do Metrô.
De acordo com depoimentos de executivos da Carioca Engenharia, havia cobrança de propina em contratos bilionários de obras civis.
Heitor, ainda de acordo com os depoimentos, recebia propina do canteiro em dinheiro vivo. Ele era sócio de duas empresas que prestavam serviços para construção da linha 4 do metrô.
Os procuradores justificaram o pedido de prisão, concedido pelo juiz Sérgio Moro, por causa de  uma possível fuga dos acusados. Heitor a mulher estavam tentando entrar com um pedido de cidadania portuguesa .
A força-tarefa também pediu o bloqueio de bens de R$ 36 milhões de Heitor e de R$ 12 milhões de Velloso.
A linha 4 tem atrasos nos cronogramas e custa quase o dobro do previsto inicialmente. Quando foi lançado o projeto da linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, a estimativa era de que o sistema custaria R$ 5,5 bilhões para ser entregue, valor que foi para R$ 9,8 bilhões, incluindo 15 composições.
A polícia investiga a atuação dos acusados com Sérgio Cabral, ex governador do Rio de Janeiro, preso em novembro do ano passado, acusado de cobrar propina de empreiteiras para fechar contratos de obras com o Estado.
Cabral foi preso na Operação Calicute, um dos desdobramentos da Operação Lava Jato.
As construtoras se associavam para fraudar licitações. As empresas sabiam previamente quem iria ganhar as concorrências e se revezavam.
Todos os citados negam
RONAN MARIA PINTO:
O juiz federal Sérgio Moro condenou no dia, 2 de março de 2017, o empresário de ônibus e dono do jornal Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto, a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro. Também foi condenado à mesma pena, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.
A condenação se refere a 27ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada em 1º de abril de 2016, denominada Operação Carbono 14, mas ele responde em liberdade.
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam um empréstimo considerado fraudulento do Banco Schahin por meio do pecuarista José Carlos Bumlai. Segundo as investigações, o dinheiro foi para o PT, que nega a acusação. Ainda de acordo com a equipe de investigadores, metade do valor foi para dívidas do partido e outra metade para Ronan Maria Pinto porque o empresário de ônibus estaria chantageando o PT e ameaçando envolver o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros dirigentes do PT, como Gilberto Carvalho, José Genoíno e José Dirceu, no caso da morte do prefeito de Santo André Celso Daniel em 18 de janeiro de 2002.
Com os cerca de R$ 6 milhões, Ronan pagou dívidas com fabricantes de ônibus e conclui a compra do jornal Diário do Grande ABC.
ADVOGADOS SACHA RECK E GUILHERME GONÇALVES:
Em outro desdobramento, no dia 13 de agosto de 2015, na 18ª fase da Operação Lava Jato, policiais federais cumpriram mandados de apreensão nos escritórios dos advogados especializados em transporte, Sacha Reck e Guilherme Gonçalves.
A 18ª fase investiga desvio de até R$ 52 milhões em contratos entre a Consist Software e o Ministério do Planejamento . A empresa de informática é suspeita de repassar verba de contratos com o Ministério do Planejamento a operadores da Lava Jato, que indicavam como destino da propina outras empresas, como escritórios de advocacia.
Os procuradores suspeitam de irregularidades e desvios em serviços dos advogados de transportes.
Os dois advogados são investigados por outras irregularidades em licitações da área de transportes, que supostamente foram fraudadas para beneficiar grandes empresários de ônibus.
CONSTANTINO:
O empresário de ônibus e acionista da Gol Linhas Aéreas, Henrique Constantino,  confirmou a procuradores da Lava-Jato que pagou propina para o deputado cassado Eduardo Cunha e para o corretor Lúcio Funaro.
Cunha e Funaro foram presos pela Operação Lava Jato.
Ainda segundo o depoimento no âmbito de um acordo de colaboração premiada que está sendo negociado com os investigadores de Curitiba e Brasília, o objetivo do pagamento da propina foi a liberação de valores do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço  – FGTS.
O empresário de ônibus procurou as autoridades após surgir nas Operações “Sepsis” e “Cui Bono?” e ser citado no pedido de prisão de Eduardo Cunha.
A “Gol Linhas Aéreas” já assinou um acordo de leniência para assumir os crimes cometidos.
De acordo com a reportagem, a empresa se comprometeu a pagar R$ 5,5 milhões para reparação pública, outros R$ 5,5 milhões como multa e mais R$ 1 milhão pela condenação.
Agora, Constantino pretende se livrar na Justiça como pessoa física.
Os pagamentos realizados por Constantino foram em favor das empresas do corretor Lúcio Bolonha Funaro e diretamente a empresas da família de Eduardo Cunha.
Com a liberação dos valores do FGTS, o grupo de Constantino conseguia financiamentos mais facilitados.
A Lava Jato identificou dois pagamentos de propina que saíram de empresas de ônibus. Foram dois envios de R$ 246 mil da Viação Piracicabana e da empresa Princesa do Norte para Viscaya Holding, de Lúcio Funaro.
Os fatos narrados pelo empresário do setor aéreo e de ônibus, Henrique Constantino, coincidem com delação do ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Fabio Cleto.
Em delação, Cleto assumiu que recebeu propina para liberar um aporte de financiamentos de R$ 300 milhões do FI-FGTS para Via Rondon, empresa da família de Constantino.
A Via Rondon é do Grupo BRVias e, apesar de ter participação da família Constantino, não está na relação do Grupo Comporte, que reúne as empresas de ônibus.
Já o Grupo Comporte tem as seguintes empresas de transportes de passageiros (sujeito a alterações): Breda Transportes e Serviços S/A., BR Mobilidade Baixada Santista S/A – SPE, Empresa Auto Ônibus Manoel Rodrigues S/A., Empresa Cruz de Transportes Ltda., Empresa Princesa do Norte S/A., Expresso Maringá do Vale S/A., Expresso União Ltda.,  Turb – Transporte Urbano S/A., Viação Luwasa Ltda., Viação São Paulo São Pedro Ltda., Viação Piracicabana Ltda.. O Grupo Comporte também é sócio, ligado ou controlador em conjunto da Cidade Verde Transp. Rodov. Ltda. – Controladora em Conjunto, Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha S/A, – Controlada em conjunto, Expresso Caxiense S/A – Controlada em conjunto, Expresso Itamarati S/A – Controlada em conjunto, Expresso Kaiowa S/A – Controlada em conjunto; Expresso Maringá Ltda. – Controlada em conjunto, Transp. Coletivo Cidade Canção Ltda.-  Controlada em conjunto, Transp. Coletivo de Rolândia Ltda. – Controlada em conjunto, – Transp. Coletivo Grande Bauru Ltda. – Controlada em conjunto, Transp. Coletivo Grande Londrina Ltda. Controlada em conjunto, Tua Transp. Urbano Arapongas Ltda. –  Ligada, Viação Apucarana Ltda. Controlada em conjunto.
Em relação a pagamentos diretos a Eduardo Cunha, o Ministério Público Federal afirmou no pedido de prisão ao deputado cassado, que a Receita Federal identificou pagamentos de R$ 3 milhões realizados entre julho e setembro de 2012 e em maio de 2015 para as empresas de Cunha e família, chamadas Jesus.com e GDAV.
“Praticamente todos os depósitos identificáveis na Jesus.com e na GDAV indicam uma só origem: o grupo econômico Constantino, que comanda a empresa Gol Linhas Aéreas e diversas empresas de ônibus”, dizem os procuradores no pedido de prisão de Cunha.
Já na Operação Sépsis, assim como o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Fabio Cleto, confirmou recebimento na liberação de financiamento de R$ 300 milhões para Via Rondon, o empresário Henrique Constantino confirmou que como contrapartida à liberação dos recursos, pagou para empresas do corretor Lúcio Funaro.
Funaro é apontado pelo Ministério Público Federal – MPF como operador de Eduardo Cunha.
Já na Operação “Cui Bono?”,  cuja tradução livre significa “a quem beneficia?”, a Via Rondon apareceu novamente. Nos autos, consta uma mensagem de celular que revela que Funaro chegou a cobrar de Fabio Cleto rapidez para destravar o financiamento de R$ 300 milhões .
“Recebi um e-mail aqui da BRVias (empresa controladora da ViaRondon) com todos os documentos já entregues (na Caixa), com exceção de um que foi anexado ao protocolo de entrega. Qual o prazo agora para estar na conta deles o dh (dinheiro) disponível para saque?”, questionou, em mensagem enviada em 11 de junho de 2012. “Consegue liberar isso amanhã?”, cobrou Funaro, na mensagem.
Outras mensagens obtidas pela polícia Federal mostram que Fabio Cleto, da Caixa Econômica Federal, informou que logo em seguida recebeu a documentação de Henrique Constantino e que disse que o setor que dirigia tomaria as providências necessárias para liberar o dinheiro, o que ocorreu em 14 de junho.
Por meio da assessoria de imprensa, Henrique Constantino disse que está à disposição das autoridades.
Já o advogado Ticiano Figueiredo, de Eduardo Cunha, afirmou que não conhece o teor do depoimento e estranha o fato de a imprensa ter acesso à informação antes dos advogados, mas complementou que são ilações desprovidas de prova concreta.
O advogado de Henrique Eduardo Alves, Marcelo Leal, disse que não conhece a colaboração premiada de Constantino e que não pode comentar.
Bruno Espiñeira, que defende Lúcio Bolonha Funaro, também disse que não tem conhecimento da existência da delação e da declaração sobre seu cliente.