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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Smov divulga imagens do projeto de revitalização da Rua dos Andradas

Edital de licitação deverá ser publicado daqui a 90 dias

Por: André Mags
Projeto mostra pista para veículos, faixas para serviços (fiação, esgotos etc.) e calçadãoFoto: Smov / Divulgação


Smov divulga imagens do projeto de revitalização da Rua dos Andradas Smov/Divulgação
A rua mais famosa de Porto Alegre ganhará cara nova nos próximos anos. A Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) prevê a publicação do edital de licitação do projeto de revitalização da Rua dos Andradas daqui a 90 dias. As obras na Rua da Praia, como é conhecida a via, durarão um ano, e o resultado pode ser imaginado nas imagens do projeto divulgadas pela Smov, de autoria da equipe do arquiteto Rafael Brener da Rosa, informou a secretaria.
As ilustrações mostram a divisão da rua em três conjuntos. São a faixa central, em paralelepípedos de basalto transferidos da Avenida Ernesto Neugebauer (na Zona Norte, que receberá melhorias), duas mais estreitas, laterais, de concreto e que guardarão fiações, redes de esgoto etc., e, nas extremidades, o calçadão. A ideia é mantê-la com o calçamento original, mas consertado, já que se encontra em péssimas condições de conservação.
 
Imagem: Smov, divulgação
A previsão anterior era de que a licitação saísse ainda no primeiro semestre deste ano. No entanto, houve atraso devido a discussões sobre o piso, envolvendo nove secretarias e entidades da sociedade civil, até que se chegasse a um consenso, segundo o secretário municipal de Obras e Viação, Mauro Zacher.
Uma das mudanças no projeto original foi a manutenção da nivelação do calçadão mesmo com a pista para veículos — que será utilizada eventualmente, como ocorre hoje, para a circulação de carros-fortes ou fornecedores do comércio, causa da deformação do piso atual, conforme Zacher. Com a pista de basalto, o piso ficará mais resistente, ressalta o secretário. Já as faixas de concreto facilitarão as intervenções nas redes subterrâneas, sem afetar o restante da rua.
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A revitalização engloba os 305 metros entre as esquinas com as ruas General Câmara e Marechal Floriano Peixoto e deverá se estender à Rua Uruguai, com as mesmas características. O custo total da obra será de R$ 10 milhões, financiados pela Corporação Andina de Fomento (CAF).
 
Imagem: Smov, divulgação
http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2015/08/smov-divulga-imagens-do-projeto-de-revitalizacao-da-rua-dos-andradas-4831801.html

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SP: Em São José dos Campos, calçadas seguras para todos

No mais próspero município do Vale do Paraíba paulista, um programa de calçadas transformado em lei alcança sucesso adotando o conceito de acessibilidade universal
São José dos Campos: cadastradas calçadas de 65 mil imóveis (Foto: Patrícia Belfort)
O município de São José dos Campos, situado no Vale do Paraíba paulista e distante 94 km de São Paulo, tem cerca de 640 mil habitantes (IBGE 2011) e é há algumas décadas um dos polos industriais e de conhecimento de ponta do estado e do Brasil.
Lá estão situadas indústrias como a Embraer, General Motors, Refinaria Henrique Lage (Revap) e diversas outras, que aproveitam a mão de obra altamente especializada, formada em instituições de excelência como o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), inúmeros centros universitários do município e região.
Tudo isso ajuda a explicar a contemporaneidade da cidade. Mas não é apenas nessas áreas que São José desenvolve conceitos inovadores. O programa Calçada Segura, que começou a ser implantado na cidade em 2007 e foi transformado em lei, denominada Lei da Calçada, nº 8077, em 2010, merece destaque pela transformação que operou nas calçadas locais, sempre adotando o conceito de acessibilidade universal. Hoje, cerca de 30% das calçadas de São José já se adequaram; faltam se adequar cerca de 20% delas, enquanto nos corredores centrais, apenas 10% precisam ser refeitas.
Conscientização e técnica
A receita para o sucesso da iniciativa envolveu planejamento, informação e conscientização da população, assessoria técnica e fiscalização, nessa ordem, explica Rony W. Pereira, coordenador do programa Calçada Segura de São José dos Campos.
Do início, em 2007, quando a prefeitura ainda buscava os rumos que daria ao programa, à consolidação a partir de 2010, um caminho seguro conciliou o levantamento de informações com treinamento aos funcionários que participariam dessa coleta, definição das melhores técnicas a serem adotadas, legislação amparada em experiências de outras prefeituras e com base técnica consistente, cartilhas para divulgação dos conceitos e das técnicas e formação de mão de obra especializada para a execução das obras. “Percebemos, com nossas experiências iniciais, que a população acolheria melhor se os funcionários que fariam os esclarecimentos e preencheriam as planilhas com os dados das calçadas dos moradores fossem idosos”, recorda Pereira.
Definição feita, foram convocados funcionários de secretarias da prefeitura e contratados novos, todos na faixa etária mais elevada, que passaram a visitar os moradores das ruas definidas pelo programa, começando pelos bairros centrais e, posteriormente, abrangendo todas as regiões de São José dos Campos. “Os agentes do programa receberam orientação específica e iniciaram os trabalhos explicando o programa e preenchendo ficha com a situação da calçada de cada residência e estabelecimento comercial. Foi uma ação educativa e de levantamento de dados”, explica o coordenador do programa. Esse levantamento, portanto, não foi por amostragem – ele resultou, desde seu início até setembro de 2012, em cerca de 65 mil residências e estabelecimentos comerciais e industriais com a situação de suas calçadas cadastradas. Esse trabalho é permanente e a tendência é de que a cidade tenha todas as suas calçadas cadastradas em alguns anos.
A consolidação das informações sobre a situação das calçadas aconteceu ao mesmo tempo em que a legislação era revisada, visando à sua atualização, e à produção de material de divulgação e informação sobre o programa. A Prefeitura produziu uma cartilha sobre a Lei da Calçada, a 8077/2010, que contém os principais itens do programa e esclarecimentos técnicos, e um Manual de Execução – Guia Prático com as orientações técnicas sobre a execução dos três tipos de sistemas construtivos definidos pela lei: pavimento intertravado e placas pré-moldadas de concreto e piso cimentado com junta seca. A cidade foi dividida em duas grandes áreas: A I, denominada Setor Central e Corredores, que abrange cerca de 25% da cidade, e Setor Geral, os 75% restantes. Nas áreas centrais, o piso proposto em lei foi o intertravado de concreto, pelas vantagens proporcionadas por suas características de acordo com a cartilha: facilidade de instalação, de retirada para pequenos reparos, de reposição com reaproveitamento das peças, pelo fato de ter junta seca, que permite o escoamento das águas da chuva; por oferecer diversas cores, formatos e espessuras; e por ser antiderrapante, permeável e de fácil limpeza.
A legislação também estabeleceu tipos de faixas (de serviços, livre e de acesso), com a largura mínima de cada uma delas e os tipos de materiais para cada faixa, por perímetro/setor.
Rampas de acesso para pedestres também foram especificadas, com detalhes como piso tátil de alerta com textura e cor diferenciadas, favorecendo a orientação e a segurança da pessoa com deficiência visual, cadeirantes, carrinhos de bebê pessoas com mobilidade reduzida.
Cuidados com o tratamento de esquinas e calçadas comerciais, nas quais definiram-se os parâmetros para colocação de equipamentos e objetos, como mesas e cadeiras por exemplo, na faixa de acesso. Também foi especificada a exigência de inclinação de acordo com a da rua, em calçadas situadas em ruas inclinadas. A legislação e a orientação aos moradores ajudaram a remover muitos obstáculos existentes anteriormente.
A legislação também inovou em outras questões. Entre elas, por exemplo, a exigência de que qualquer edificação precisa ter a calçada executada segundo as exigências da Lei da Calçada para ter o Habite-se. E definiu a possibilidade de empreendimentos privados realizarem obras de regularização das calçadas, de acordo com a regulamentação do programa, como contrapartida. Um exemplo pode ser observado nas calçadas do Vale Sul Shopping, no bairro de Cidade Jardim, que utilizou os pisos intertravados em toda a sua área externa como contrapartida pela construção. “Os empreendedores veem vantagens em tornar suas calçadas regularizadas, fornecendo ao mesmo tempo a vantagem da acessibilidade e melhores condições urbanas para a população”, explica Pereira.
Planejamento e formação da mão de obra
Segundo Pereira, além dessas importantes providências, a prefeitura adotou também outras, geralmente esquecidas em ações do gênero. Em todas as regiões em que o programa é levado, além da conscientização dos moradores e cadastramento da situação das calçadas, é feito um planejamento que permite verificar quais ruas receberão pavimentação, “para agir antes e evitar retrabalhos” e com as concessionárias de saneamento, energia e telefonia. “As concessionárias são orientadas a fazer ou refazer as calçadas nos padrões determinados na lei.”
O sucesso do programa em São José passou também pela formação de mão de obra técnica para execução dos serviços na cidade. Para atender de forma eficiente ao crescimento da demanda, a prefeitura realizou, em 2011, numa parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Senai e Urbam (empresa de urbanização municipal), um curso teórico e prático, com uma semana de duração e 20 horas no total, para 150 pessoas. “A partir desse curso, ministrado pelo engenheiro Cláudio Oliveira, foram capacitados assentadores de pisos intertravados, placas de concreto e cimento queimado”, explica Ricardo Moschetti, gerente da Regional São Paulo da ABCP.
Como resultado desse curso, foram criadas 16 microempresas especializadas no assentamento dos pisos. “Essa iniciativa é muito importante, porque garante a boa execução das calçadas, com qualidade, oferecendo acessibilidade à população”, avalia Eduardo Aoki, sócio-diretor da Arevale, de Taubaté-SP e um dos maiores fabricantes de pisos intertravados do Vale do Paraíba.
A prefeitura de São José dos Campos desenvolve diversas outras ações no sentido da acessibilidade, como o programa Travessia Segura, que procura dotar de instrumentos urbanísticos adequados para os pontos mais críticos para pedestres, especialmente os com dificuldades de locomoção ou outras, ao mesmo tempo que oferece assistência técnica aos munícipes. A prefeitura também oferece assistência técnica aos moradores, orientando-os tecnicamente sobre como executar a calçada de forma correta. “Explicamos as exigências da lei e as questões técnicas de execução, para que o cidadão possa realizar o serviço de forma adequada”, diz o engenheiro Fernando Barbosa Jr., da Assessoria de Políticas para Pessoas com Deficiência. Assim, São José dos Campos tornou-se também referência na região e inspiração para outras prefeituras do Vale do Paraíba quando o assunto é acessibilidade e calçadas seguras e bem-realizadas.
Fonte: Mobilize Brasil, Por Silvério Rocha

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Recife (PE): Aventura e perigo em calçada

Para andar por uma das principais vias no Centro do Recife, é preciso driblar lixo, esgoto, camelôs, buracos e gente apressada
Foto: Bernardo Soares/JC Imagem
Passear nas calçadas da Rua do Hospício, uma das principais artérias do Centro do Recife, é aventurar-se entre sacões de lixos, esgoto que vaza, desníveis no piso, camelôs, buracos, barracas, estandes e corpos apressados. São 900 metros de história e perigo, onde passear olhando para o Parque 13 de Maio pode terminar em uma torção no pé; onde chegar à Igreja Matriz Boa Vista, no fim da via, sem tropeçar, precisar invadir a rua ou fazer alguma acrobacia é uma proeza. “Caminhar aqui é esporte radical”, brinca com olhos tristes o lojista Fernando Maranhão.
Há apenas oito meses, o portal de mobilidade urbana sustentável Mobilize Brasil a elegeu a pior da capital pernambucana para circular. De lá pra cá, esperava-se que houvesse melhorias. Continua-se esperando. “Nem sei quantos casos já vimos de mulheres que torcem os pés e de idosas que precisam ser socorridas ali, nas imediações com a Rua do Riachuelo”, relata Roberto Lima, segurança da Farmácia do Homem Trabalhador. Se a situação pode ser infernizante para quem anda normalmente, ela é mesmo ultrajante às pessoas com necessidades especiais. “Alguém numa cadeira de rodas passa onde ali? Onde? Não passa!”, critica o camelô Antônio Junior, apontando para uma faixa de pedestre e o meio-fio na Rua do Hospício. Até quando deficientes físicos serão negligenciados nas obras públicas?”
Lúcio Marinho, vendedor da Loja da Fábrica, faz uma ressalva e elogia o trabalho da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb). “Costumam limpar a rua todo dia. A sujeira não acumula como acumulava no passado.” Contudo, é vísivel que a situação está longe do ideal. A questão envolve a educação do cidadão pernambucano nas ruas e a reversão de hábitos nocivos ao patrimônio público, como jogar nas calçadas copos plásticos, embalagens, latas e afins. Ao lado da loja de Lúcio, vê-se a lixeira vermelha, com selo da Emlurb, depredada.
A estudante Talita Aguiar vê erro de prioridades do poder público. “Tanto dinheiro para a Copa, mas para resolver a situação dessas calçadas e dos camelôs ninguém tem dinheiro, não é?”. A presença dos camelôs em alguns pontos da via foi regularizada pela prefeitura. Eles portam as carteiras de autorização especial para exercer a profissão, mas não têm destino definido na próxima gestão. “Vai entrar um novo prefeito. Não sei qual é a política dele e não sei o que esperar”, comenta o camelô Dimens do Nascimento.
A voz dos camelôs ecoa em uníssono quando a proposta em questão é a escolha de um novo camelódromo para onde eles seriam transferidos: precisa ser um lugar de referência, adequado e movimentado. É a única exigência. “Há mais de dois anos, a Prefeitura do Recife promete um espaço pra gente e até hoje não cumpriu. Ficamos no esquecimento”, reclama Tiago Miranda, outro camelô. “Até quando os camelôs vão disputar com os passantes as espremidas calçadas da Rua do Hospício, da Avenida Conde da Boa Vista e tantas outras ruas do Centro do Recife?”, questiona outro ambulante, que prefere não se identificar.
Maus tratos
O urbanista Francisco Cunha, sócio fundador da TGI Consultoria em Gestão e integrante do Observatório do Recife, lamenta que um dos principais endereços da capital pernambucana nas décadas de 1950 a 1970 esteja praticamente às moscas. “Toda essa região deveria ser tratada exemplarmente pela sua beleza e historicidade. Mas hoje, a Rua do Hospício – desde o Parque 13 de Maio à Praça Maciel Pinheiro, passando pelo Instituto Arqueológico, o Teatro do Parque e a Igreja Matriz da Boa Vista – é capaz de levar o cidadão, com o perdão do trocadilho, ao hospício por toda a destruição e descaso”, observa. “Torçamos para que a próxima gestão (do novo prefeito, Geraldo Julio, que assume no dia 1º de janeiro) se aperceba desse abismo urbanístico” completa Francisco Cunha.
Fonte: JC Online

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Mais de 90% das calçadas brasileiras não atendem às necessidades dos pedestres

Pesquisa mostra que a maioria das calçadas avaliadas por ONG não tem pavimento regular, rampas para acessibilidade adequadas e iluminação específica.
A calçada da Avenida Oceânica em Salvador (BA), foi a única do ranking a obter 10 em todos os critérios. (Foto: Divulgação)
A mobilidade de pessoas nas grandes cidades já é um problema conhecido, com engarrafamentos e um transporte público ineficiente, os centros urbanos enfrentam mais um problema: a má qualidade das calçadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, no Brasil cerca de 30% das viagens cotidianas são realizadas a pé, principalmente em função do alto custo do transporte público.
Em uma pesquisa realizada pela ONG Mobilize Brasil, durante os meses de fevereiro e julho, em 39 cidades brasileiras para avaliar a qualidade das calçadas no país, apenas 6,57% dos locais avaliados obtiveram nota acima da média nacional, 3,55. Entre as cidades avaliadas estavam Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salvador (BA), Curitiba (PR), Belém (PA), Porto Velho (RO), Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR).
A Mobilize considerou como nota mínima para uma calçada ser considerada de qualidade aceitável a nota 8, obedecendo critérios que avaliam irregularidades no piso, largura mínima, obstáculos, como postes e lixeiras, rampa de acessibilidade, iluminação, sinalização e paisagismo.
Inicialmente, a avaliação foi feita em calçadas em ruas e avenidas em áreas com grande movimentação de pedestres e áreas com urbanizações antigas com mais de 50 anos. De acordo com o relatório, 70,18% das localidades avaliadas obtiveram médias abaixo de cinco.
A única calçada a receber nota dez em todos os critérios foi a da Avenida Oceânica, em Salvador. A Avenida Paulista, localizada em São Paulo, ficou com 9,375 pontos. Das 24 ruas e avenidas que receberam 0 pontos, 14 estão localizadas no estado do Rio de Janeiro.
Responsabilidade
A Mobilize aproveitou a oportunidade e realizou uma pesquisa na sua página da Web sobre a responsabilidade de padronização e manutenção das calçadas. Apesar de ser considerado papel do proprietário, 61,51% consideram que a tarefa deveria caber ao poder público; 20,96% ao proprietário; e 17,53% meio a meio.
A ONG recomenda em seu estudo que as calçadas sejam consideradas como parte do sistema de transporte e que devem ser mantidas pelas prefeituras e administração, como é o caso do Distrito Federal.
Mesmo que a responsabilidade seja do proprietário, o estudo chama a atenção para as formas que o governo utiliza para lidar com o problema das calçadas, como a aplicação de multa. Recomenda-se que seja prestada uma assistência para a conscientização do cidadão, fornecendo informações técnicas e orientar sobre materiais e formas de construção das calçadas.
Ainda de acordo com a publicação, consultores da área de transportes acreditam que as calçadas “devem ser consideradas um sistema de circulação, com mapeamento centralizado, sinalização e sistemas de controle, que permitam realizar as manutenções sempre que necessário”.
Distrito Federal
Calçada no Setor de Autarquias Sul (SAS), DF. (Foto: Marilena Ribeiro)
A pesquisa do Mobilize Brasil avaliou apenas alguns pontos em Brasília, como a Rodoviária, Setor Hoteleiro e Esplanada dos Ministérios, com média de 5,98.
Nesses locais falta iluminação pública e nas calçadas é comum encontrar irregularidades, como rachaduras, desnível no piso, crescimento de grama e raízes de árvores que quebram as calçadas.
A segurança Marilena Ribeiro trabalha no centro de Brasília e faz parte do seu percurso para o trabalho a pé entre o Setor Comercial Sul (SCS) e Setor de Autarquias Sul (SAS) e reclama dessas restrições das calçadas.
“Existem as calçadas remendadas, rachadas; aquelas que as raízes das árvores levantaram os blocos de cimento, além disso, a iluminação é escassa. Sinto-me insegura. Já tropecei várias vezes”.
A administração de Brasília informou que o SCS está sob controle e que não há nenhum problema imediato nessa região do Plano Piloto, que já foi adaptada para uso de portadores de necessidades especiais.
De acordo com o assessor de comunicação da RA, Sérgio Oliveira, a prioridade é a reconstrução das calçadas na L2 porque tem um grande fluxo tanto durante o dia, quanto a noite, quando os moradores fazem exercícios, como corrida.
O cadeirante José Higino de Oliveira falou sobre acessibilidade para cadeira de rodas na cidade, considerada por ele ainda muito ruim. “No Plano Piloto os pontos mais críticos são os comércios com as calçadas desniveladas e o interior das superquadras.”
O estudante Eduardo Augusto compartilha da opinião de José. Morador da região administrativa Águas Claras, ele já teve dificuldades de transportar um cadeirante pelas calçadas.
“A quantidade de rampas para facilitar o acesso das calçadas para rua está boa, mas a disposição dos postes dificulta a passagem das cadeiras de rodas. Tem locais que chega a ser impossível de passar”, afirma.
A Assessoria de Planejamento da Administração de Águas Claras informou que a largura mínima exigida das calçadas é de dois metros, mas algumas construções antigas ainda não se adequaram.
Conforme a administração, existe um projeto para revitalização das calçadas das duas principais avenidas, mas ainda estão aguardando orçamento para a implantação.
Agência T1, Danielle Sousa
Edição: Bruna Yunes

Má conservação das calçadas de SP é responsável por 18% das vítimas de quedas no HC


Dados são do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (HC).
Foto: Reprodução
A má conservação das calçadas no Brasil já não é novidade e a falta de manutenção e cuidado com os pedestres vem causando danos à saúde. É o que prova o estudo realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. De acordo com o HC, as calçadas são responsáveis pela queda de uma em cada cinco vítimas atendidas na unidade.
O estudo aponta que o grande causador das quedas são os buracos, responsável por 40% dos pacientes vítimas em calçadas. Apesar de 77% das pessoas entrevistadas serem do sexo feminino, apenas 8,5% delas usavam salto durante o incidente. O tênis é o principal calçado utilizado (45%).
As entorses são as lesões mais frequentes (45%), seguidas das contusões (35%) e fraturas (8,5%). A estimativa é que um paciente internado devido a queda na calçada custe em média RS 40 mil para o sistema de saúde.
Agência T1, Com informações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mais de 90% das calçadas brasileiras não atendem às necessidades dos pedestres


  • Pesquisa mostra que a maioria das calçadas avaliadas por ONG não tem pavimento regular, rampas para acessibilidade adequadas e iluminação específica.
A calçada da Avenida Oceânica em Salvador (BA), foi a única do ranking a obter 10 em todos os critérios. (Foto: Divulgação)
A mobilidade de pessoas nas grandes cidades já é um problema conhecido, com engarrafamentos e um transporte público ineficiente, os centros urbanos enfrentam mais um problema: a má qualidade das calçadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, no Brasil cerca de 30% das viagens cotidianas são realizadas a pé, principalmente em função do alto custo do transporte público.
Em uma pesquisa realizada pela ONG Mobilize Brasil, durante os meses de fevereiro e julho, em 39 cidades brasileiras para avaliar a qualidade das calçadas no país, apenas 6,57% dos locais avaliados obtiveram nota acima da média nacional, 3,55. Entre as cidades avaliadas estavam Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salvador (BA), Curitiba (PR), Belém (PA), Porto Velho (RO), Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR).
A Mobilize considerou como nota mínima para uma calçada ser considerada de qualidade aceitável a nota 8, obedecendo critérios que avaliam irregularidades no piso, largura mínima, obstáculos, como postes e lixeiras, rampa de acessibilidade, iluminação, sinalização e paisagismo.
Inicialmente, a avaliação foi feita em calçadas em ruas e avenidas em áreas com grande movimentação de pedestres e áreas com urbanizações antigas com mais de 50 anos. De acordo com o relatório, 70,18% das localidades avaliadas obtiveram médias abaixo de cinco.
A única calçada a receber nota dez em todos os critérios foi a da Avenida Oceânica, em Salvador. A Avenida Paulista, localizada em São Paulo, ficou com 9,375 pontos. Das 24 ruas e avenidas que receberam 0 pontos, 14 estão localizadas no estado do Rio de Janeiro.
Responsabilidade
A Mobilize aproveitou a oportunidade e realizou uma pesquisa na sua página da Web sobre a responsabilidade de padronização e manutenção das calçadas. Apesar de ser considerado papel do proprietário, 61,51% consideram que a tarefa deveria caber ao poder público; 20,96% ao proprietário; e 17,53% meio a meio.
A ONG recomenda em seu estudo que as calçadas sejam consideradas como parte do sistema de transporte e que devem ser mantidas pelas prefeituras e administração, como é o caso do Distrito Federal.
Mesmo que a responsabilidade seja do proprietário, o estudo chama a atenção para as formas que o governo utiliza para lidar com o problema das calçadas, como a aplicação de multa. Recomenda-se que seja prestada uma assistência para a conscientização do cidadão, fornecendo informações técnicas e orientar sobre materiais e formas de construção das calçadas.
Ainda de acordo com a publicação, consultores da área de transportes acreditam que as calçadas “devem ser consideradas um sistema de circulação, com mapeamento centralizado, sinalização e sistemas de controle, que permitam realizar as manutenções sempre que necessário”.
Distrito Federal
Calçada no Setor de Autarquias Sul (SAS), DF. (Foto: Marilena Ribeiro)
A pesquisa do Mobilize Brasil avaliou apenas alguns pontos em Brasília, como a Rodoviária, Setor Hoteleiro e Esplanada dos Ministérios, com média de 5,98.
Nesses locais falta iluminação pública e nas calçadas é comum encontrar irregularidades, como rachaduras, desnível no piso, crescimento de grama e raízes de árvores que quebram as calçadas.
A segurança Marilena Ribeiro trabalha no centro de Brasília e faz parte do seu percurso para o trabalho a pé entre o Setor Comercial Sul (SCS) e Setor de Autarquias Sul (SAS) e reclama dessas restrições das calçadas.
“Existem as calçadas remendadas, rachadas; aquelas que as raízes das árvores levantaram os blocos de cimento, além disso, a iluminação é escassa. Sinto-me insegura. Já tropecei várias vezes”.
A administração de Brasília informou que o SCS está sob controle e que não há nenhum problema imediato nessa região do Plano Piloto, que já foi adaptada para uso de portadores de necessidades especiais.
De acordo com o assessor de comunicação da RA, Sérgio Oliveira, a prioridade é a reconstrução das calçadas na L2 porque tem um grande fluxo tanto durante o dia, quanto a noite, quando os moradores fazem exercícios, como corrida.
O cadeirante José Higino de Oliveira falou sobre acessibilidade para cadeira de rodas na cidade, considerada por ele ainda muito ruim. “No Plano Piloto os pontos mais críticos são os comércios com as calçadas desniveladas e o interior das superquadras.”
O estudante Eduardo Augusto compartilha da opinião de José. Morador da região administrativa Águas Claras, ele já teve dificuldades de transportar um cadeirante pelas calçadas.
“A quantidade de rampas para facilitar o acesso das calçadas para rua está boa, mas a disposição dos postes dificulta a passagem das cadeiras de rodas. Tem locais que chega a ser impossível de passar”, afirma.
A Assessoria de Planejamento da Administração de Águas Claras informou que a largura mínima exigida das calçadas é de dois metros, mas algumas construções antigas ainda não se adequaram.
Conforme a administração, existe um projeto para revitalização das calçadas das duas principais avenidas, mas ainda estão aguardando orçamento para a implantação.
Agência T1, Danielle Sousa
Edição: Bruna Yunes