quinta-feira, 9 de março de 2017

A crise não pode ser desculpa para o sucateamento dos transportes no Brasil

Adamo Bazani


É inegável que o País passa por uma crise econômica e política e que, neste momento, a ordem mesmo é tomar cuidado em relação aos gastos, tanto públicos como privados. Isso interfere diretamente no nível de investimentos.
Assim, é natural que haja, por exemplo, no setor de transportes, um ritmo menor de renovação de frota e a desaceleração de algumas obras, principalmente as que exigem mais dinheiro e são mais complexas do ponto de vista de intervenções civis e tecnologia.
No entanto, é bem claro de se perceber que a crise econômica tem virado desculpa para incompetência administrativa, tanto do poder público como de alguns entes da iniciativa privada, e tem mascarado as faltas de políticas e prioridades na área de transportes, essas bem mais arraigadas.
Quando os jornalistas fazem matérias sobre atrasos nas obras de corredores de ônibus, de linhas de metrô e de trens, logo as respostas quase padronizadas das esferas diferentes de governo, em diversos estados e municípios, é que a crise econômica impactou os investimentos. Tudo bem, pode ter impactado agora. E antes? Muitos destes atrasos são anteriores ao período de 2012/2013. Algumas obras, muitas simples, inclusive como corredores de ônibus comuns, deveriam estar a serviço da população há mais de 15 anos.
A verdade é que apesar dos discursos e leis novas, o transporte coletivo ainda não é prioridade (e nunca foi) nas decisões dos gestores públicos.
O Diário do Transporte, por exemplo, fez um levantamento sobre os planos de corredores de ônibus do Estado de São Paulo, alguns corredores metropolitanos BRT e outros comuns. Nenhum dos espaços foi concluído conforme o previsto. Alguns trechos deveriam estar disponíveis para a população em 2012. (Leia aqui: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/08/%EF%BB%BFcom-menos-verbas-emtu-divulga-previsoes-para-entregas-de-corredores-de-onibus-intermunicipais/  ).
A resposta do poder público para o atraso foi crise econômica. O Corredor Metropolitano ABD, um dos mais importantes da Grande São Paulo e bem avaliado, necessita de modernização. As paradas são de 1988, época em que os passageiros embarcavam pela parte de trás dos ônibus e os abrigos foram colocados nesta posição. Em 2017, porém, ainda não houve mudanças. Os pontos estão alinhados ainda com a porta traseira, mas o embarque é feito pela porta dianteira. O abrigo não serve mais para nada. Mesmo com ele, os passageiros precisam ficar expostos sob o sol e chuva, senão perdem o ônibus. Ocorre que no início dos anos de 1990, começou a ser implantado o sistema de embarque pela porta dianteira, mas até agora os pontos não foram mudados. Isso é crise? Aliás, falar em “ponto de ônibus” em corredores de ônibus mostra que nosso ar de subdesenvolvimento é grande ainda. Corredores devem ter estações com pré-embarque, pagamento antecipado de tarifa.
A desculpa das crises também está entre as obras metroferroviárias, estas mais caras e complexas. No entanto, muitas linhas de trens e metrô por todo Brasil deveriam estar prontas ainda nos anos de 1980. Tudo bem, houve crise nestas épocas também, mas o Brasil infelizmente tem vivido de crise em crise, e o poder público não pode usar a situação econômica como pretexto para a falta de bom planejamento e também de prioridades.
São Paulo, pelo tamanho de sua população possui uma das malhas metroferroviárias mais medíocres do mundo. A implantação começou no anos de 1970, mesma época da Cidade do México. Hoje os mexicanos contam com quase 230 quilômetros de Metrô. Os paulistas só têm a disposição cerca de 80 quilômetros.  Poderiam ter mais de 340 quilômetros, se a malha de trens (desde 1992 da CPTM) incorporasse os conceitos de metrô. A malha está aí há décadas. Por que não fazer?
Muitos podem pensar: “Mas é muito fácil para frente do computador escrevendo, enquanto que os problemas necessitam de ações técnicas”. No entanto, ninguém aqui está falando que os problemas de transportes deveriam ter sido resolvidos em 5 ou 6 anos. São questões de décadas e mais décadas, muito semelhantes à de outros países, com realidades muito parecidas com a brasileira, e que foram resolvidos ou bem encaminhados lá. Por que não aqui?
Aliás, é só ver o caso dos BRTs.  A solução é brasileira, criada em 1974 por Jaime Lerner e equipe em Curitiba. Mas só no início dos anos 2000, depois de ter dado certo em muitos países, é que se começou a pensar em corredores de ônibus com padrão de metrô por aqui.
O braço privado do transporte coletivo também sofre com a crise. É inegável.
No entanto, infelizmente ainda, muitos investidores têm usado a situação econômica como disfarce aos seus erros administrativos, às resistências às mudanças ou até mesmo, em alguns casos, mesmo sendo exceções, às ações espúrias que fazem com que seu prejuízo num negócio se transforme em enriquecimento pessoal. Isso existe e seria hipocrisia negar. A falência é lucro para muita gente e prejuízo para a maioria.
Vamos deixar de blá,blá , blá e planejar e executar ações em prol da mobilidade, que é muito mais que transporte.
Com mobilidade decente, o cidadão, consumidor e contribuinte, chega mais rápido em casa, tem melhor qualidade de vida, trabalha menos cansado, chega facilmente à escola, hospital, parque....
Mobilidade não é um monte de trem e metrô nos trilhos ou carros e ônibus nas ruas, mas é o que permite que milhões de seres humanos vivam suas vidas.

Dados preliminares da CET indicam mais de 100 acidentes com vítimas nas marginais em 30 dias

 G1 SP

ANTP
Dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (8) pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam que houve 102 acidentes com vítimas nas marginais Tietê e Pinheiros entre os dias 25 de janeiro e 23 de fevereiro deste ano. Foram quatro atropelamentos e uma morte no período.
Os dados se referem aos primeiros 30 dias do programa Marginal Segura, que aumentou a velocidade máxima nas duas vias. A média mensal de acidentes com vítimas nas marginais em 2016 foi de 64 ocorrências.
Segundo a CET, no entanto, os números não podem ser comparados porque os dados preliminares do Marginal Segura são operacionais, ou seja, são anotados nos atendimentos das ocorrências de trânsito pelos agentes. Esses dados ainda serão consolidados e cruzados com registros de boletins de ocorrência e atendimentos do SUS (Sistema Único de Saúde).
O presidente da CET, João Octaviano, disse nesta quarta-feira (8) que cresceram os registros de acidentes com vítimas nas marginais porque aumentou também o número de agentes atuando nas vias. “O número [anterior] de registros era para um número inferior de agentes. Nós aumentamos o número de agentes, portanto, nós estamos fazendo mais registros”, disse Octaviano. De acordo com o presidente da CET, 75 “marronzinhos” passaram a atuar nas marginais. Antes, eram 45.
“Os dados operacionais que nós temos nos mostram hoje que nossos operadores estão chegando em no máximo 10 minutos nos locais dos acidentes, portanto nós estamos fazendo mais registros”, completou Octaviano.


Mobilidade Urbana pode salvar futuras gerações: Poluição mata 1,7 milhão de crianças por ano no Mundo

onibusOMS indica que modelo de Curitiba e região deve ser seguido.

No Brasil, a taxa é de 41 mortes de crianças com menos de cinco anos para cada 100 mil nascimentos, segundo OMS
ADAMO BAZANI
Diário do Transporte
A poluição do ar tem comprometido as futuras gerações, agora.
É o que mostram dois estudos da Organização Mundial da Saúde – OMS, divulgados nesta semana.
De acordo com os levantamentos, 1,7 milhão de crianças em todo o mundo morrem por ano, em média, por problemas ocasionados ou agravados pela poluição. No total, morreram 5,2 milhões de crianças por diversas causas.
No Brasil, ainda de acordo com a OMS, os números são altos. Morrem, em média, 41 crianças a cada 100 mil habitantes por causa da poluição.
Entre as causas, estão a falta de saneamento básico, descarte irregular do lixo, que contamina solo e água, e a poluição do ar, em especial provocada pelo excesso de veículos automotores.
Denominados “Herdando um mundo sustentável: Atlas sobre a saúde das crianças e o meio ambiente” e “Não polua o meu futuro! O impacto do meio ambiente na saúde das crianças”, os levantamentos mostram que as doenças mais comuns de causa de morte são respiratórias, como pneumonia, que responderam por 15,5% das mortes de crianças até 5 anos de idade em 2015. São cerca de 570 mil crianças mortas por problemas respiratórios.
Diarreia e Malária são outras das principais enfermidades relacionadas à poluição.
MOBILIDADE URBANA:
Os investimentos em mobilidade urbana, ampliando a oferta de transporte coletivo, são considerados pela OMS essenciais para a preservação das futuras gerações.
Corredores de ônibus, implantação de ônibus não poluentes, como trólebus e elétricos a bateria, e ampliação das malhas de trens pesados e metrô, estão entre as soluções.
O relatório da OMS, “Não polua o meu futuro! O impacto do meio ambiente na saúde das crianças”, cita como exemplo a ser seguido no Brasil, Curitiba.
A capital paranaense, desde 1974, investiu em transporte por ônibus em corredores. Segundo o relatório, isso trouxe um impacto positivo para vida humana e meio ambiente.
“Apesar da população de Curitiba ter quintuplicado nos últimos 50 anos, a qualidade do ar em Curitiba é melhor do que em muitas outras cidades com crescimento rápido”, mostra parte do trabalho da OMS, que ainda diz que os índices da capital paranaense são próximos aos níveis indicados pelo órgão.
Numa PMI – Proposição de Manifestação de Interesse da iniciativa privada, feito pela prefeitura, a proposta aprovada prevê a ampliação dos BRTs (corredores de ônibus) com veículos menos poluentes.
Denominado de CIVI – City Vehicle Interconnect, o projeto deve contar com ônibus híbridos e, posteriormente, elétricos puros, e é de iniciativa de um consórcio formado pela Associação Metrocard, que reúne as empresas de ônibus da região metropolitana de Curitiba, da Nórdica, representante da montadora Volvo, e da construtora Cesbe S.A. – Engenharia e Empreendimentos.

CBTC apresentou uma falha notável a cada 5 dias, diz levantamento da Comissão de Segurança do Metrô

Foram 76 falhas relevantes que afetaram a circulação no primeiro ano de operação integral. Empresa nega números e reitera segurança do sistema
ADAMO BAZANI
Diário do Transporte
Apontado como uma das soluções para melhoria dos serviços de metrô e  trens,  reduzindo a distância entre as composições e, consequentemente, o tempo de espera nas plataformas e a lotação, o CBTC – Controle de Trens Baseado em Comunicação teve no ano passado 76 falhas relevantes em um ano de operação, o que significa uma falha a cada cinco dias no primeiro ano de operação integral na linha 2 Verde.
O levantamento é da Copese – Comissão de Segurança Permanente, do Metrô, e foi divulgado pela Folha de S. Paulo.
Essas falhas podem afetar a circulação da linha, colocar em risco a segurança ou então o conforto da viagem dos passageiros.
Ainda de acordo com o relatório, com a promessa de reduzir a distância entre os trens, o CBTC até agora conseguiu uma diminuição de no máximo dois segundos de intervalo nos picos.
No pico amanhã, a espera entre os trens foi de 2 minutos e 22 segundos em 2016 e, em 2015, o intervalo era de 2 minutos e 24 segundos. No pico da tarde a redução média foi de um segundo, passando de 2 minutos e 26 segundos, em 2015, para 2 minutos e 25 segundos em 2016.
Um dos exemplos concretos de falha grave, ainda segundo a comissão, foi quando em 12 de maio de 2016 um trem passou direto pela estação Consolação, sem parar. O problema ocorreu no funcionamento do CBTC.
O sistema foi contratado em 2008, na época da gestão José Serra frente ao governo do Estado, e custou mais de R$ 700 milhões. É fabricado pela Alstom e deveria ter sido entregue em 2011 para as linhas 1-Azul, 2-Verde 3-Vermelha, mas houve diversos atrasos.
Só em fevereiro de 2016 é que começou operar integralmente apenas na linha 2-Verde.
O sistema é prometido para as outras linhas até 2021. Foi feito um acordo com a Alstom em janeiro de 2016 para a elaboração do novo cronograma e a gestão Geraldo Alckmin perdoou dívidas da empresa por causa destes atrasos, que somaram R$ 116 milhões .
Em entrevista à Folha de São Paulo, o gerente de manutenção do metrô, Antônio Márcio Barros da Silva, diz que o CBTC é seguro e que ainda o metrô aprende com o sistema.
“Nós tivemos o desafio de instalar o sistema enquanto operávamos a linha, transportando milhares de pessoas por dia. Também estamos aprendendo com o CTBC, e eletrônica não tem como prever antes de que maneira vai funcionar”
O gerente explicou ainda que o Metrô conta apenas como incidentes notáveis os que paralisam as operações por mais de 5 minutos. Nesse caso, durante a operação integral do CBTC na a linha 2, ocorreram os registros de apenas 19 ocorrências em 2016 e não 76.
Para o Metrô, o fato de um trem passar direto numa estação não coloca em risco a segurança dos passageiros. O gerente também explicou que de todos os casos apresentados pela Copese, foi aberto apenas um processo e que houve desclassificação. Ele afirmou que as falhas são corriqueiras e que o CBTC trabalha com redundância, ou seja, margem de segurança.
Ao notar uma falha, o sistema a isola e segura a movimentação dos demais trens.
Entre os benefícios citados por Antônio Márcio Barros da Silva, para o sistema, está a economia de gastos e freios e redução de consumo de energia.
Segundo o gerente, com o sistema foi possível colocar um novo trem no horário de pico na linha 2 Verde. Eram 22 composições e o número foi levado para 23 no “carrossel”
Antônio Márcio também explicou que neste momento, essa frota atende bem a demanda e que seria possível colocar mais trens, porém os gastos operacionais subiriam.
O CBTC é um sistema que conta com antenas instaladas nos trens que emitem e recebem ondas de rádio. Isso possibilita com que a composição siga sem interferência direta do condutor ou mesmo sem operador. Os trens podem trafegar a uma distância entre 20 e 30 metros um dos outros. O CCO – Centro de Controle Operacional é conectado às linhas por fibra ótica. O sistema passa informações sobre localização e velocidade dos trens.
Hoje o sistema adotado nas linhas 1-Azul, 3-Vermelha e 5-Lilás é o ATP, sigla inglês para Controle de Tráfego Automático, usado desde a implantação do metrô nos anos de 1970.
Mais antigo, o ATP necessita de maior intervenção do operador e o espaço entre os trens deve ser também maior.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Com menos verbas, EMTU divulga previsões para entregas de corredores de ônibus intermunicipais

onibusÔnibus Metropolitano. Ligações entre Capital e Grande São Paulo seriam facilitas se corredores estivessem prontos – Foto: Adamo Bazani

Obras estão atrasadas. Algumas ainda precisam de definições
ADAMO BAZANI
Diário do Transporte
A EMTU  – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, responsável pelo gerenciamento dos transportes metropolitanos do Estado de São Paulo, a exemplo de outras empresas do governo, teve redução dos investimentos previstos. Em 2016, o orçamento foi de R$ 455,2 milhões. Já por causa do contingenciamento de 25% imposto pelo governador Geraldo Alckmin, diante da crise econômica,  os recursos neste ano tiveram redução. Para 2017, a EMTU só conta com R$ 359,7 milhões para investimentos.
Esse quadro vai influenciar no cumprimento das promessas de entrega de corredores de ônibus metropolitanos na capital, Grande São Paulo, e em parte do interior paulista. Nesta quarta-feira, 8 de março 2017,  a EMTU divulgou no Diário Oficial do Estado, balanço sobre as previsões para esses espaços considerados essenciais para melhorar o deslocamento das pessoas nas regiões atendidas.
O Diário do Transporte, tendo como base as páginas oficiais da EMTU, verificou que todos os corredores de ônibus prometidos, alguns para 2014 e 2015, estão com as obras atrasadas.
Entre as obras prometidas para este ano estão trechos do Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo. O trecho entre Itapevi e Jandira deste corredor teve início das obras em junho de 2011.  A previsão era de que entre Itapevi e Jandira, até a metade de 2012, já seria possível a circulação dos primeiros ônibus, o que não ocorreu. Já o corredor completo entre Itapevi e a Capital Paulista deveria ter sido concluído em 2014.
Alguns trechos estão sem data de previsão ou terão de ser submetidos à nova licitação, como a parte entre Jandira – Terminal Carapicuíba (8,8 km).
O BRT Perimetral Leste, que vai atender a ligação entre a  Av. Monteiro Lobato e Av. Santos Dumont, em Guarulhos, e o Terminal Metropolitano São Mateus, na zona Leste da Capital, está entre os que ainda têm mais indefinições. A obra de 26,7 km ainda precisa de conclusão de projetos básicos, prevista para este ano, e esbarra em indefinições como a construção do Trecho 3, de 4,6 km, na Av. Ragueb Chohfi, que aguarda ainda nova etapa do empreendimento da Linha 15 do Monotrilho e projeto de construção de corredor pela SPTrans.
A demanda inicial prevista para o corredor é de 175 mil pessoas por dia. Em seu site, a EMTU mantinha as seguintes previsões para o BRT Perimetral Jacu Pêssego: Previsão de Início de Obras: 2014 / Previsão de Conclusão das Obras: 2015 – http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/corredor-brt-metropolitano-perimetral-leste.fss
No caso do BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri de 28,9 quilômetros que beneficiaria inicialmente 55 mil passageiros, já teve concluído  projeto funcional do primeiro trecho que liga Cajamar a Santana de Parnaíba, de aproximadamente 12 km de extensão, mas o segundo trecho, entre Santana de Parnaíba e Barueri, sequer teve o traçado definido. Ocorre que, pelo site da EMTU, as datas iniciais eram: Previsão de Início das Obras: 2014 / Previsão de Conclusão das Obras: 2015 –http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/brt-metropolitano-cajamar-santana-do-parnaiba-barueri.fss
No caso do BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos), o projeto básico foi concluído em dezembro de 2016. Mas, de acordo com as primeiras previsões, a Contratação dos Projetos Básicos e Executivo deveria ocorrer no 1º semestre de 2013.  A Previsão de Início das Obras era o 2º semestre de 2014 e a Previsão de Conclusão das Obras:  após 2014 – http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/corredor-brt-metropolitano-perimetral-alto-tiete.fss
O Transporte Rápido Intermunicipal do Vale do Paraíba – TRIVALE, corredor de 96 quilômetros de extensão, incluindo um BRT (Transporte Rápido por Ônibus) entre São José e Jacareí deveria estar pronto entre 2014 e 2016. Mas segundo o novo balanço da EMTU, os projetos básicos, executivo e as licenças ambientais não avançaram. No ano passado, a  EMTU/SP concluiu o Projeto Funcional do Sistema de Transporte Rápido Intermunicipal da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
O Corredor Metropolitano ABD é o mais antigo em operação. Foi inaugurado em 1988 e liga São Mateus, na zona leste da capital paulista, ao Jabaquara, na zona sul, passando por Diadema, Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria) e São Bernardo do Campo, além de ter extensão entre Diadema e a estação Berrini, dos trens da CPTM, na zona Sul da Capital. O sistema tem boa avaliação dos passageiros, conseguindo até nota superior ao Metrô, de acordo com mais recente pesquisa da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos.
Mas o corredor do trólebus, como é chamado, precisa ser modernizado. Não há pontos de ultrapassagem para os ônibus não perderem tempo nas paradas, os terminais não conseguem receber ônibus biarticulados de 28 metros com maior capacidade de demanda (o modelo maior suportado é de 23 metros – superarticulado) e os pontos são de 1988.  Não há pré-embarque, pagamento antecipado da tarifa, e os abrigos foram dispostos na época em que o embarque era pela parte de trás dos ônibus e continuam do mesmo jeito. Assim, muitas vezes, para embarcar os passageiros, têm de ficar avançados na calçada, fora do abrigo e sob chuva e sol, para se alinharem à porta dianteira.
Ocorre que não há na relação publicada pela EMTU nenhuma previsão de investimentos para modernização do Corredor Metropolitano ABD, operado pela Metra, com ônibus e trólebus.
VEJA A RELAÇÃO:
Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo: O traçado do Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo, de 23,6 km, começa junto à Estação Itapevi, da CPTM, passando por Jandira, Barueri, Carapicuíba, Osasco e São Paulo, onde futuramente será integrado com os ônibus municipais de São Paulo no Terminal Amador Bueno (Vila Yara). O projeto foi dividido nos seguintes trechos: Trecho Itapevi – Jandira (5 km) – Inclui a construção da Estação de Transferência Itapevi, sete estações de embarque e desembarque, viaduto sobre a Rua Ameríndia e passarela sobre a via férrea. Em 2016 a EMTU/SP deu continuidade às obras no viário e nas estações com mais de 50% dos trabalhos executados no trecho. Esta ligação será entregue em 2017 e o investimento nesta ligação é de R$ 49,5 milhões.
Trecho Itapevi – Jandira (5 km) – Inclui a construção da Estação de Transferência Itapevi, sete estações de embarque e desembarque, viaduto sobre a Rua Ameríndia e passarela sobre a via férrea. Em 2016 a EMTU/SP deu continuidade às obras no viário e nas estações com mais de 50% dos trabalhos executados no trecho. Esta ligação será entregue em 2017 e o investimento nesta ligação é de R$ 49,5 milhões.
Trecho Jandira – Terminal Carapicuíba (8,8 km) – as obras neste trecho avançaram em 2016 e incluem a construção do Terminal Carapicuíba, da Estação de Transferência de Barueri e nove estações de embarque e desembarque. Neste ano teve início a construção da Estação e do Terminal Carapicuíba. No viário, mais de 90% dos trabalhos foram executados. Para cumprir os novos parâmetros definidos pelo TCE, que inviabilizaram o aditamento do contrato com o Consórcio EQUIPAV/EMPO (vencimento em janeiro de 2017), nova licitação será feita para a continuidade das obras. A publicação do edital e assinatura de novo contrato com o vencedor do certame estão previstas para em 2017. O período do contrato será de 12 meses e o valor estimado é de R$ 103,3 milhões.
Trecho Terminal Carapicuíba – Osasco km 21 (2,2 km) – Nesta ligação serão construídos o Terminal Osasco km 21, duas estações de embarque e desembarque, viaduto Carapicuíba e alças de acesso. Em 2016 a EMTU/ SP deu continuidade às obras com mais de 50% dos trabalhos terminados, envolvendo o viário e o Terminal km 21. O valor do empreendimento é de R$ 95,2 milhões.
Trecho Km21 Osasco – Terminal Vila Yara – Osasco – (7,6 km) Está prevista a reforma e ampliação do Terminal Amador Aguiar (Vila Yara) e construção de 10 estações de embarque e desembarque. Os projetos básico e executivo foram concluídos, viabilizando a publicação do edital de contratação de obras.
BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego) Este BRT terá 26,7 km de extensão. Contará com faixas exclusivas para ônibus com ultrapassagem nas 17 estações de embarque e desembarque, oito passarelas e integração com a CPTM na futura a Estação de Transferência Dom Bosco. O projeto foi dividido em três trechos: O Projeto Básico do Trecho 1, de 1,9 km de extensão, entre a Av. Monteiro Lobato e Av. Santos Dumont, em Guarulhos, tem conclusão prevista para março de 2017. Está pronto o Projeto Básico dos 5,8 km restantes que abrangem a ligação da Av. Hugo Fumagali até divisa com São Paulo e inclui a ampliação do Terminal Metropolitano CECAP. O Trecho 2, na Av. Jacu Pêssego, a partir do limite dos municípios de Guarulhos e São Paulo, com 14,4 km de extensão, está com o Projeto Básico e estudos de desapropriação concluídos. A Licença Ambiental Prévia também já foi emitida pela Cetesb. A contratação do projeto Executivo está prevista para 2017. A construção do Trecho 3, de 4,6 km, na Av. Ragueb Chohfi, aguarda nova etapa do empreendimento da Linha 15 do Monotrilho e projeto de construção de corredor pela SPTrans. O Projeto Funcional de ampliação e readequação do Terminal Metropolitano São Mateus e intervenções na região da Praça Felisberto Fernandes foi concluído pela EMTU/ SP. A contratação do Projeto Básico está prevista para 2017. A demanda estimada para esse BRT é de 175 mil passageiros/dia e o investimento previsto para o trecho prioritário (Trecho 2) é de R$ 280 milhões.
BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri:  Terá 28,3km de extensão onde está prevista a construção de três terminais de integração: Polvilho, em Cajamar, um novo terminal em Santana de Parnaíba e Terminal Antonio João, em Barueri, junto à estação da CPTM, além da implantação de 33 estações de embarque e desembarque, 11,3 km de ciclovia e uma ponte de transposição sobre o Rio Tietê em Santana de Parnaíba. A previsão é de que o empreendimento de cerca de R$ 250 milhões atenda cerca de 60 mil passageiros por dia. O projeto funcional do primeiro trecho que liga Cajamar a Santana de Parnaíba, de aproximadamente 12 km de extensão, foi concluído. O segundo trecho entre Santana de Parnaíba e Barueri encontra-se em fase de consolidação do traçado e desenvolvimento dos projetos.
BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos) Terá 20,2 km de extensão ligando Arujá a Ferraz de Vasconcelos, passando por Itaquaquecetuba e Poá. Serão construídos os Terminais Metropolitanos Arujá e Ferraz de Vasconcelos, junto à estação da CPTM, além da reforma do Terminal Cidade Kemel, em Poá. Serão implantadas 25 estações de embarque e desembarque; as Estações de Transferência Estrada do Corredor e Monte Belo; um viaduto em Arujá e outro em Ferraz de Vasconcelos; mais a abertura de 0,8 Km de viário novo. O Projeto Básico foi concluído em dezembro de 2016. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 400 milhões e o empreendimento deverá atender cerca de 80 mil passageiros por dia.
Transporte Rápido Intermunicipal do Vale do Paraíba – TRIVALE – Em 2016, a EMTU/SP concluiu o Projeto Funcional do Sistema de Transporte Rápido Intermunicipal da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. O TRIVALE será formado pelo BRT Metropolitano Jacareí – São José dos Campos, de 24 km, além da construção do Terminal Multimodal em Pindamonhangaba, Estação de Transferência em Taubaté e outra em Caçapava. O traçado foi definido em conjunto com as equipes técnicas das prefeituras envolvidas. A próxima etapa deste empreendimento será a contratação dos Projetos Básico, Executivo e de licenciamentos ambientais, o que deve ocorrer em 24 meses. Está em processo de assinatura o convênio entre EMTU/SP, Prefeitura de Pindamonhangaba, Estrada de Ferro Campos do Jordão e Secretaria dos Transportes Metropolitanos para concepção conjunta do Terminal Multimodal de Pindamonhangaba.