segunda-feira, 5 de setembro de 2016

TCE aponta prejuízo de R$ 1 milhão em contrato do VLT da Baixada Santista

Modelo de contratação para supervisão de instalação de sistemas e veículos e aditamento de R$ 7 milhões foram considerados irregulares pela fiscalização
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 05/09/2016 
GOVERNO SP
VLT
VLT da Baixada Santista está em operação desde janeiro deste ano, mas ainda não há previsão para conclusão da obra
São Paulo – Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo indica prejuízo de R$ 1 milhão em um contrato de supervisão da implementação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que liga as cidades de Santos e São Vicente, na Baixada Santista. O órgão cobrou respostas da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), administrada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), sobre a necessidade imposta no edital de a empresa contratada apresentar comprovação de experiência específica para o gerenciamento de instalação de Sistemas e Material Rodante do VLT.
Para o conselheiro do TCE Antonio Roque Citadini, essa necessidade não ficou comprovada e foi considerada irregular pela Unidade de Engenharia do tribunal e pelo Ministério Público de Contas. A regra levou 16 empresas que retiraram o edital de licitação a desistir da concorrência. Somente duas empresas apresentaram proposta. O conselheiro considera que o prejuízo ao erário pelo modelo restrito de contrato foi de R$ 1 milhão.
De acordo com o tribunal, a necessidade de experiência seria sanada com a apresentação de atestados de realização de obras anteriores, algo que a EMTU não aceitou. Além disso, o TCE quer que a empresa explique o aditamento realizado ao contrato, que elevou o valor original de R$ 28,3 milhões para R$ 35,2 milhões. O aumento, perto de 25%, não ficou justificado, segundo o tribunal, que exigiu explicações sobre possíveis alterações no projeto original para referendar o aumento.
A EMTU alegou que o sistema de VLT tem características “muito distintas de outros meios de transporte terrestre”. “Os sistemas VLT são basicamente trens leves (antigos bondes) que trafegam no ambiente urbano de ruas, avenidas, estando intimamente ligados com o sistema viário e ambiental urbanístico já existente”, argumentou. A empresa também defendeu que o edital respeitou a legislação vigente.
O VLT da Baixada Santista terá 15 quilômetros, com 21 estações, ligando o Terminal Barreiros, em São Vicente, ao Terminal Porto, em Santos, com uma extensão até o Terminal Valongo. Está em operação comercial, desde janeiro deste ano, entre as estações Mascarenhas Moraes (São Vicente) e Pinheiro Machado (Santos). A obra devia ter sido concluída em 2014, ao custo de R$ 690 milhões. Não há previsão para conclusão total do trecho, item que também está sendo questionado pelo TCE.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Trabalhadores gastam mais tempo nos engarrafamentos

01/09/2016 09:02 - O Globo

RIO - Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra o tamanho do transtorno de quem trabalha longe de sua moradia na Região Metropolitana do Rio. Segundo os dados do estudo, em 2013, o tempo médio que um morador levava no trajeto casa-trabalho-casa era de 141 minutos diários, 11 a mais que no levantamento de 2011. Já na cidade do Rio, a demora é quase a mesma: 134 minutos, 10 a mais que 2011.
Para o gerente de Estudos de Infraestrutura do Sistema Firjan, Riley Rodrigues, a proximidade entre o tempo de deslocamento casa-trabalho para moradores do Rio e de municípios vizinhos é explicada pela distância entre os polos de atração econômica (Centro e Zona Sul) e as regiões com grande contingente de mão de obra, como as Zonas Norte e Oeste:
— As pessoas têm de sair de Santa Cruz, Bangu, Irajá, Fazenda Botafogo, e vêm todas para o Centro e a Zona Sul. Todas fazem um longo trajeto. Chegar ao Centro de Santa Cruz é mais distante do que chegar de Duque de Caxias — explica.
Segundo ele, a realização de obras viárias para a Olimpíada impactou os deslocamentos da Região Metropolitana, principalmente em relação à análise de 2011.
A Firjan também estimou a perda financeira ocasionada pelo tempo gasto nesses trajetos na Região Metropolitana, usando variáveis como PIB per capita e tempo médio de viagem. A quantia em 2013 chegou a R$ 24 bilhões. A cidade do Rio é a que mais perdeu na região: R$ 16,6 bilhões ao todo.
JAPERI, TRAJETO MAIS LONGO
Seropédica foi a cidade que teve o maior aumento do tempo perdido no percurso: 10,5% (de 141 minutos para 156 minutos). Já os trabalhadores de Japeri amargaram o maior tempo dentro dos transportes a caminho do trabalho. Foram, em média, 186 minutos por dia, mais de três horas somando ida e volta.
Para Riley, a solução a longo prazo, além do aumento da capilaridade da rede de transportes coletivos, passa pelo desenvolvimento econômico das regiões vizinhas, o que estimularia seus trabalhadores a ficarem perto de casa:
— O reordenamento urbano é a única coisa com resultado de longo prazo. Mas, a curto prazo, você precisa reestruturar sua engenharia de tráfego. E, em médio prazo, da construção de infraestrutura de transportes. Temos que ampliar a rede de metrô. Não apenas esticar. É imprescindível construir o traçado original da Linha 2, que passa pela Carioca e termina na Praça Quinze.
Já o engenheiro de transportes e professor da PUC-RJ José Eugênio Leal considera que o aumento do tempo de deslocamento entre os dois anos pode ser consequência do aquecimento da economia e da alta das vendas de automóveis.
— Boa parte dessas pessoas que foram incorporadas poderia estar morando na periferia. É mais gente viajando de mais longe — observou.
MAIS ESTRESSE
Funcionária de uma empresa em Campo Grande, Renata Louro, de 43 anos, mora em São João de Meriti e leva, de carro, contando ida e volta, cerca de 3 horas em deslocamentos. A rotina, segundo ela, é cansativa. Costuma, inclusive, passar mais horas na empresa para escapar do rush:
— Quando comecei a trabalhar lá, há 10 anos, o percurso era de uma hora. Minha impressão é que vai piorar. Isso influencia a produtividade. A gente já chega no trabalho cansada, com o estresse do trânsito —diz.
Se tivesse metrô ligando as duas pontas do trajeto, Renata não hesitaria em usá-lo em vez do carro. Para ela, o tempo economizado nos deslocamentos seria usado para fazer atividades físicas ou cursos.

ANPTrilhos lança nova campanha de valorização do transporte urbano sobre trilhos

01/09/2016 08:16 - ANPTrilhos

Os operadores de sistemas metroferroviários, através da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), lançam nesta 5ª feira (01/09) a 2ª Campanha Nacional de Valorização do Transporte de Passageiros Sobre Trilhos.  O objetivo do projeto é conscientizar a sociedade sobre a importância do transporte sobre trilhos na mobilidade urbana, na qualidade de vida da população e na qualidade ambiental das cidades. 
A campanha terá duração de três meses e será dividida em três temas que abordarão a integração dos modos de transporte, segurança, rapidez, uso consciente dos sistemas, sustentabilidade e qualidade de vida.  A divulgação do projeto será feita pela ANPTrilhos e seus associados nos sites corporativos, redes sociais, trens e estações. 
“O objetivo da nossa campanha é mostrar para a população e para os governantes os benefícios econômicos, sociais e ambientais do transporte de passageiros sobre trilhos. Rápido, eficiente, seguro e sem emissões de poluentes, o transporte sobre trilhos permite que o cidadão chegue mais rápido ao seu destino, proporcionando mais tempo para o lazer e a família”, explica Roberta Marchesi, superintendente da ANPTrilhos. 
A ANPTrilhos é uma entidade civil, sem fins lucrativos, criada para promover o desenvolvimento e o aprimoramento do transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil. Na visão da Associação, a mobilidade urbana deve ser adequada à realidade e às necessidades de cada uma das cidades brasileiras.

Movimento Revolucionário das Calçadas do Brasil - Washington Fajardo

01/09/2016 06:00 - El País

Nós somos a infraestrutura principal da vida urbana. Nós somos o alicerce das economias urbanas, dos negócios, dos comércios, dos serviços, do turismo, da vida cultural. Nós somos o fundamento da política. Nós somos duras mas temos a capacidade de amolecer os corações e dar gosto à existência na metrópole. Nós protegemos, ou deveríamos, suas crianças. Nós somos cegas, mudas e surdas. Assim como a Justiça, não fazemos distinção de cor, credo, riqueza. Pelo menos assim deveria ser. São os próprios poderosos que nos desvirtuam de nossa função primordial. Não é deste modo, democráticas, que nos constroem. Estamos mal conservadas. Somos poucas ainda. Nós somos negligenciadas pelos homens no poder. Se eles usassem salto alto, lembrariam-se de nós (apesar de muitos terem tal fetiche).
Nós somos da vida pública. Somos da rua. Nós, Calçadas do Brasil, não mais ficaremos quietas. Vamos lutar. Não podemos nos erguer, infelizmente, mas estaremos ali presentes, mirando vocês, brasileiros, e especialmente os políticos, de baixo pra cima. Nós estamos de olho. Vemos todos os segredos de vocês aqui de baixo. Temos um visual claro de todos os seus orifícios, conhecemos suas entranhas.
Somos distintas, diversas, somos de concreto, de ladrilho hidráulico, de pedra portuguesa, de pedra de Lioz, de granito de costaneira, de cimento simples, de bloco inter-travado, de mosaico cerâmico, de terra batida, e agora ficaremos mais unidas. Vamos lutar!
Começa período de eleições municipais em todo o Brasil e uma vez mais os políticos falam da nossa condição, que olharão por nós, cuidarão, mas eles mentem. Nós sabemos bem porque após assumir o poder eles não mais caminham sobre nós. Passam a circular em carros estilo executivo, vidros opacos, blindados, seguranças, e se esquecem de nós, que somos parte essencial da mobilidade urbana, e que estamos com os brasileiros do raiar do sol à noite. Nós estamos com os brasileiros 24 horas por dia, 365 dias no ano. Nós somos parte da verdadeira democracia. Somos parte da vida.
Brasília tem responsabilidade sobre nosso ocaso, pois lá, até para mudar de prédio ministerial, os poderosos vão de carro. Quantas transformações poderiam haver se estivessem todos juntos, políticos e cidadãos, caminhando cotidianamente sobre nós. Que alegria teríamos!
Nós, Calçadas do Brasil, somos essenciais à vida urbana.
É sobre nós que as crianças correm, idosos caminham, a vida circula, os casais se apaixonam, os poetas sonham, as conversas viram empresas, os comércios prosperam. É sobre nós que formam-se as filas de emprego. É sobre nós que o trabalhador volta para casa após um dia cansativo.
Estamos mal conservadas nas áreas ricas, não existimos nas áreas pobres, abandonadas nos centros urbanos. Os carros colocam seus pneus sobre nós, prédios constroem sobre nós em todos os lugares, ricos ou pobres. Ninguém nos representa.
Nós, Calçadas, estamos com a humanidade desde o início das cidades, mas fomos nós que demos graça à urbanidade. Éramos mais amplas e generosas antes do advento do carro, de quem não somos inimigas mas sabemos do desprezo dele para conosco. O “footing" e o “flaneur" do início do século vinte consagrou-nos. O modernismo nos desprezou.
Agora buscam sobre nós, bichinhos virtuais, o Pokemon Go. Já éramos atacadas pelo mundo real e agora é o virtual a invadir-nos. Ao menos este não espeta-nos postes estúpidos. Faz com que as pessoas venham mais para nosso leito, apesar de olharem mais para as telas dos celulares do que umas para as outras. Estamos fartas de obstáculos absurdos. Postes desnecessários, fiação aérea, placas burras, exageradas, ambulantes descontrolados, grades fascistas, prédios sem lojas, luzes automáticas de seguranças. Basta!
Vocês não percebem brasileiros, a loucura que estão vivendo? Voltem para nós!
Sempre fomos silenciosas e generosas mas agora basta! Vamos protestar! Não aguentamos mais!
Brasileiros, de todas as cidades, unam-se a nós, pois sempre estivemos com vocês. Caminharemos juntos, unidos. Nossa récem criada organização, o Movimento Revolucionário das Calçadas do Brasil, será combativo. Nosso lema é “Immotus nec iners”; em bom português “imóvel, mas não inerte”. (Sabemos que o latim é muito bem apreciado em Brasília).
Somos inertes mas temos vida. Rígidas porém flexíveis. Duras mas o fluxo da vida corre em nós. Brasileiros, nós não iremos puxar o seu tapete. Oferecemos sustentabilidade e vida digna na cidade.
Nós, associadas à arborização urbana, resolveremos os desafios climáticos das cidades e do planeta. Ao andar sobre as calçadas, fazemos você saudável, oferecemos melhor condição cardíaca, combatemos a diabetes. Os comércios, as decisões de investimento e empreendimentos sempre precisam de nós. As prefeituras não nos entendem. Não nos projetam. Não nos conservam. Não fazem valer a ordem pública sobre nós. Os prefeitos fazem demagogia conosco.
Há uma revolução em curso. A juventude de hoje prefere nós ao carro. Apoiamos os parklets, os bancos confortáveis, a permeabilidade pluvial, as ciclovias. (Próximas a nós. Não sobre nós.) Nós levamos vocês às praças, aos parques. Nós, calçadas, nascemos dos pés da humanidade. Somos parte do seu corpo. Por que nos abandonas?
Brasileiros, unam-se a nós!
Abaixem um pouco o olhar, deixem de soberba, deixem de pressa, pois vocês ficarão velhos e o buraco em nós que você não reclamas, brasileiro, poderá um dia ser a sua cova.
Calçadas do Brasil, uni-vos! Nosso movimento vai do Oiapoque ao Chuí, porque até na Amazônia tem calçadas.
Lutaremos pelos nossos direitos de sermos boas, seguras, lisas, acessíveis, sem obstáculos, resistentes, bonitas, limpas, ordenadas, democráticas, servindo à você, da sua infância à velhice, o seu estudo, o seu trabalho, a sua família, seus entes queridos. Até vossa morte poderás alongar muito se nos usar mais.
Precisamos de desenho, não precisamos ser caras, de materiais caros, luxos. Precisamos estar em todos os lugares, servindo as vossas solas de sapato, servindo aos vossos encontros, empreendimentos, ao passeio livre, à liberdade.
Somos parte de vocês, brasileiros.
Washington Fajardo é arquiteto e urbanista

Morador de Pinheiros vive 25 anos mais que o de Cidade Tiradentes

01/09/2016 08:28 - O Estado de SP

Quem mora no Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste da capital, vive cerca de 25 anos a mais que o morador de Cidade Tiradentes, no extremo leste. Na média, o primeiro chega a 79,67 anos, enquanto o segundo não passa de 53,85 anos. Essa diferença é causada por dificuldades enfrentadas pela população mais carente, que foram expostas ontem em estudo apresentado pela Rede Nossa São Paulo. O Mapa da Desigualdade de 2016 mostra grandes diferenças de acordo com o distrito da cidade em todas as áreas. Na Sé, por exemplo, as bibliotecas municipais dispõem de 7,92 livros para cada habitante com mais de 18 anos. No Jardim São Luís, essa taxa é de 0,001.
O 'desigualtômetro' contém dados atualizados até 2015. As taxas foram calculadas a partir de informações econômicas e sociais fornecidas pela Prefeitura e demais órgãos oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir delas, a entidade listou os melhores e piores distritos da capital paulista sob o ponto de vista de saúde, educação, cultura, mobilidade, segurança e habitação.
Com ele, é possível saber, por exemplo, que a Barra Funda, na zona oeste, tem 9,42 salas de cinema para cada grupo de 10 mil habitantes. Na contramão, essa relação é de apenas 0,039 no Sacomã, zona sul.
Na habitação, o mapa coloca o distrito de Vila Andrade, na região do Morumbi, zona sul, como o que tem o maior porcentual de favelas, levando-se em conta o número total de domicílios - 49,10%. É lá que fica Paraisópolis, a segunda mais populosa de São Paulo. Situação inversa vive o bairro de Pinheiros, com 0,081 dos domicílios classificado como inadequado.
Saúde. A divisão da quantidade de leitos hospitalares pelos distritos da cidade é a que melhor exemplifica as desigualdades na área da saúde. Na Vila Medeiros, zona norte, a divisão do número total de leitos privados ou públicos disponíveis para cada grupo de 1 mil habitantes da região resulta em uma taxa mínima, de 0,041, enquanto que o ideal seria uma taxa entre 2,5 e 3. Na Bela Vista, região central, a meta é superada com folga.
Quando o assunto é violência, a taxa de homicídios por distrito volta a colocar em confronto bairros nobres e áreas periféricas. Em Marsilac, extremo sul da cidade, o número de assassinatos por 10 mil habitantes é de 4,95. Em Moema, também na zona sul, o mesmo dado é de 0,114. Já o índice de homicídios de jovens (de 15 a 29 anos) do sexo masculino é de 10,44 por 10 mil habitantes dessa faixa etária no distrito do Campo Limpo. Na Vila Mariana, o indicador para esse tipo de crime é de 0,642.
Na avaliação da entidade, o mapa funciona como uma espécie de radiografia da qualidade de vida nas diversas regiões da cidade. Em tempos eleitorais, serve para mostrar a realidade de São Paulo aos candidatos a prefeito e também para cobrar deles propostas de solução.
A atriz Helen Rio Branco, de 32 anos, mora desde criança na Cidade Tiradentes e atribui a baixa expectativa de vida à "ausência de Estado". "A expectativa de vida está ligada a um contexto social. Por ser periferia e ter uma comunidade composta por pessoas de origem pobre, a ausência do Estado é desde sempre. Então, automaticamente, há essa baixa expectativa de vida", afirma.

Cartilha sobre mobilidade urbana deve auxiliar debate nas eleições municipais

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“Caderno Mobilidade Humana para o Brasil Urbano” foi elaborado por especialistas da  ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos
ADAMO BAZANI
A mobilidade urbana cada vez mais tem ganhado espaço nas discussões do dia a dia da população, mas em época de campanhas eleitorais, em especial, de eleições municipais, que o tema recebe um destaque especial.
Afinal, são os municípios os principais responsáveis pelo gerenciamento não só dos transportes por ônibus, mas de todos os deslocamentos dos cidadãos, o que inclui desde a conservação das calçadas, velocidade das vias, táxis, estacionamentos rotativos até a regulamentação de novos serviços de transportes, como o Uber, por exemplo.
Também em época de eleições municipais é que são prometias muitas coisas sobre mobilidade. Algumas delas são essenciais para o administrador municipal e vereadores, outras são apenas ilusões vendidas para se ganhar voto.
Aliás, não são poucos os exemplos que mostram que o tema transporte pode fazer com que um candidato ganhe ou perca determina eleição.
Mas como cidadão pode identificar uma boa proposta? E como o gestor público que quer manter-se no cargo ou o novo postulante pode lidar com essa questão?
Para auxiliar qualificação desse debate, a ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos lançou a cartilha “Mobilidade Humana para o Brasil Urbano”
Com 25 páginas, o documento, elaborado por técnicos, traz experiências, os principais conceitos de mobilidade e o avanço das leis sobre o tema.
Um dos assuntos de destaque é como reverter a perda de competitividade do transporte público.
“O transporte coletivo perdeu competitividade com o automó-vel, tanto pelo custo, quanto pelo conforto. Resultado: com mais carros nas ruas tem-se um grande impacto negativo no desempenho do transporte público, pois reduz a velocidade dos ônibus, aumentando a frota necessária para transportar as pessoas. O resultado é um aumento direto no custo de opera- ção e na tarifa, uma espécie de “pedágio” urbano às avessas… Um dos efeitos danosos dessa má distribuição no uso do espaço público está nos gastos com infraestrutura. Nas cidades do Brasil com mais de 60 mil habitantes, em 2013, o transporte individual (autos e motos) foi responsável por R$ 8,7 bilhões de manutenção do sistema viário, ao passo que o transporte coletivo custou R$ 2,5 bilhões (menos de 30% do custo do transporte individual), sendo que os dois sistemas serviram uma quantidade semelhante de viagens. Os grandes prejudicados: (a) o sistema de transporte por ônibus (menor velocidade comercial, maiores custos para o sistema, impactando diretamente no valor da tarifa); (b) os pedestres, que perdem espaço para a expansão do viá- rio destinado ao automóvel; (c) aumento dos ciclos semafóricos e dos tempos de espera, causando grandes atrasos a pedestres e à circulação dos ônibus e (d) a saúde pública, que sofre com as doenças provenientes de uma cidade voltada para veículos em lugar de pessoas (poluição, atropelamentos, perda de produtividade). – diz um dos trechos
É possível ter acesso gratuito ao caderno por este link:http://files.antp.org.br/2016/9/1/caderno-mobilidade-e.pdf

Audiência pública vai dar início ao processo de licitação dos ônibus metropolitanos de São Paulo pela EMTU

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Ônibus no ABC Paulista. Licitação pode remodelar prestação de serviços
Ainda não foi descartada a possibilidade de eliminação da área do ABC Paulista com a incorporação por outras regiões
ADAMO BAZANI
A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos dá início ao processo de licitação dos transportes metropolitanos por ônibus na Grande São Paulo, no próximo dia 19 deste mês, quando realiza uma audiência pública para discutir o edital que deve definir como serão os serviços nas 39 cidades.
A licitação envolve uma demanda de dois milhões de passageiros por dia, que usam os seis mil ônibus das 45 empresas filiadas ao CMT – Consórcio Metropolitano de Transportes, que hoje operam em torno de 600 linhas.
A última licitação realizada para a Grande São Paulo foi em 2006, quando o sistema foi dividido em cinco áreas operacionais. No entanto, apenas quatro delas foram efetivamente licitadas. A área 5, correspondente ao ABC Paulista, ainda opera por meio de contratos precários.
Desde então, a EMTU tentou sem sucesso licitar seis vezes a região do ABC. Em uma delas, os  empresários barraram a licitação na Justiça e nas demais cinco vezes esvaziaram o certame.
Os empresários de ônibus alegam que as exigências das demais áreas não poderiam ser aplicadas para o ABC Paulista, que teria custos e realidades operacionais diferentes.
Por causa disso, a área 5 vive diferenças gritantes entre as operadoras.
Enquanto há empresas que até possuem certificados de qualidade, como Auto Viação ABC e a Rigras, por exemplo, outras companhias como as de Baltazar José de Sousa, a exemplo da EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, Viação Ribeirão Pires, Urbana, Imigrantes, Riacho Grande e São Camilo, possuem as piores classificações em qualidade de serviço pela EMTU,  veículos antigos, sem acessibilidade e que quebram constantemente.
De forma geral, as linhas no ABC Paulista também apresentam defasagens em relação à realidade dos passageiros. Muitas dessas linhas estão praticamente obsoletas, com trajetos muito longos e serpenteados, enquanto existem ligações que não têm oferta adequada de ônibus.
Diante das dificuldades de licitação dos ônibus metropolitanos no ABC, a EMTU estuda a possibilidade de extinguir a área 5 e anexar as linhas às outras áreas operacionais. A possibilidade, inclusive, foi discutida mais de uma vez em audiências do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização – CDPED. Relembre aqui:https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2016/08/16/gestao-alckmin-volta-a-cogitar-extincao-da-area-5-e-quer-mais-onibus-com-motor-traseiro-nas-linhas-metropolitanas/
A licitação da EMTU não envolve o Corredor Metropolitano ABD, operado pela Metra entre São Mateus, na zona leste de São Paulo, ao Jabaquara, na zona sul, pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, além da extensão entre Diadema e Morumbi, na zona sul de São Paulo .
A concessão do Corredor é diferente e se refere a uma licitação cujo contrato foi  assinado em 24 de maio de 1997 e ainda está em vigor.
O aviso de audiência pública:
Aviso de Audiência Pública 001/2016 A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos comunica aos usuários e agentes do setor de transportes, bem como aos demais interessados, que realizará Audiência Pública para apresentar o Projeto de Concessão para prestação e exploração dos serviços públicos de transporte coletivo intermunicipal de passageiros na REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO – RMSP, prestados pelo SISTEMA REGULAR (comum, seletivo e especial) de linhas de ônibus e pelos demais veículos de baixa e média capacidade, atuais e que vierem a ser implantados, incluindo os VEÍCULOS e as GARAGENS, bem como sua operação e manutenção. A Audiência Pública será aberta ao público em geral e será realizada no dia 19-09-2016, às 09h, no Instituto de Engenharia, localizado na Avenida Doutor Dante Pazzanese, 120, São Paulo/ SP, CEP 04012-180. 
AS ÁREAS (ATUAIS) DA EMTU NA GRANDE SÃO PAULO:
ÁREA 1: Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra,Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista – Operadoras:  Consórcio Intervias – Viação Miracatiba Ltda, Viação Pirajuçara Ltda, Viação Raposo Tavares
ÁREA 2: Barueri, Cajamar, Caieiras, Carapicuíba, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba – Operadoras: Consórcio Anhanguera – Auto Viação Urubupungá Ltda, Auto Ônibus Moratense Ltda, Benfica Transporte e Turismo Ltda, Del Rey Transporte Ltda, Empresa de Transporte e Turismo Carapicuíba Ltda, Ralip Transporte Rodoviários Ltda, Viação Cidade de Caieiras Ltda,  Viação Cidade de Caieiras Ltda – Franco da Rocha, Viação Osasco Ltda, Viação Osasco Ltda – Filial
ÁREA 3:  Arujá, Guarulhos, Mairiporã, Santa Isabel. Operadoras: Empresa de Transportes Mairiporã Ltda,  Empresa de Ônibus Guarulhos S/A,  Empresa de Ônibus Pássaro Marron Ltda,  Empresa de Ônibus Vila Galvão Ltda,  Guarulhos Transportes S/A, Terminal Metropolitano Taboão – Guarulhos, Transmetro – Transportes Metropolitanos S/A, Viação Arujá Ltda, Viação Atual Ltda, Viação Transdutra Ltda, Vipol Transportes Rodoviários Ltda.
ÁREA 4: Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba,Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Suzano. Operadoras: Consórcio Unileste – CS Brasil Transporte de Passageiros e Serviços Ambientais Ltda (Júlio Simões),  Radial Transporte Coletivo Ltda, Viação Jacareí
ÁREA 5: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires,  Rio Grande da Serra. Operadoras (não há consórcios): Auto Viação ABC Ltda, Auto Viação Triângulo Ltda,  Empresa Auto Ônibus Santo André Ltda, Empresa Expresso São Bernardo do Campo Ltda,  Empresa Urbana Santo André Ltda, Rigras – Transportes Coletivos e Turismo Ltda,  Trans-Bus Transportes Coletivos Ltda, Transportes Coletivos Parque das Nações Ltda,  Viação Imigrantes, Tucuruvi Transportes e Turismo Ltda,  VIPE – Viação Padre Eustáquio Ltda, Viação Riacho Grande Ltda,  Viação Ribeirão Pires Ltda,  Viação Santa Paula Ltda, Viação São Camilo Ltda,  Viação São José Transporte Ltda