quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

VLT carioca resgata memória de bondes com sustentabilidade

Novo meio de transporte é movido à eletricidade e totalmente não poluente.

Para especialistas, modelo é bonde 'turbinado com tecnologia'.

Káthia MelloDo G1 Rio
Trem do VLT em testes na Avenida Rodrigues Alves, Zona Portuária do Rio (Foto: Káthia Mello/G1)Trem do VLT em testes na Avenida Rodrigues Alves, Zona Portuária do Rio (Foto: Káthia Mello/G1)
Em abril, quando o VLT começar a circular em seu primeiro trecho – da Rodoviária Novo Rio até o Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio –, estará sendo escrito um novo capítulo na história dos transportes públicos da cidade.
Movido à eletricidade e totalmente não poluente, o novo meio de transporte, que vai atender a cariocas e visitantes, também resgata lembranças da época dos bondes elétricos. Até mesmo o som do antigo será lembrado. Por ser extremamente silencioso, na cabine do condutor haverá um botão para a tradicional buzina e um outro que reproduz a campainha dos antigos bondes. 
Antigo bonde elétrico na Avenida Rodrigues Alves, Zona Portuária do Rio (Foto: Acervo Fotográfico da Light/Divulgação)Antigo bonde elétrico na Avenida Rodrigues Alves, Zona Portuária do Rio (Foto: Augusto Malta / Acervo Fotográfico da Light/Divulgação)
Os bondes circularam na cidade entre 1892, quando pertencia à Companhia Ferrocarril São Cristovão, e depois de 1905 até o final da década de 60, quando estavam sob o controle da Light, concessionária de energia. Para antigos usuários, especialistas em história e autoridades, o VLT é o que pode se chamar de um "bonde turbinado com alta tecnologia".
A professora Márcia Mendes, moradora da Gamboa, na Região Portuária do Rio, contou que tem memória da infância quando usava o bonde para ir para a escola na companhia da irmã. "Achava o máximo, me sentia gigante com a sensação de liberdade quando ficava na janela", lrelembrou. 
O VLT trouxe a memória do bonde. Quem andou e teve o privilégio não esqueceu. Para quem não conhece, o assunto voltou"
Roberta Saragoça, museóloga
Para ela, o VLT, que tem uma parada na porta da casa dela, é uma visão futurista dos bondes. "Eu estou otimista. Vai ser bom sim se ele realmente for usado como planejado", opinou.

O VLT carioca é um dos primeiros do mundo projetado sem a  tecnologia catenária, que usa cabos para captar energia elétrica em fios suspensos. Os trens não têm fios em rede aérea e são alimentados por duas fontes de energia.
Em entrevista ao G1, o secretário de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Jorge Arraes, explicou que o modelo do VLT do Rio é inédito até mesmo em outros lugares do mundo.

"Abastecimento pela superfície a gente tem conhecimento que existe em Dubai, mas lá é um pouco diferente já que eles circulam em áreas mais livres e não passam por regiões com construções como aqui no Rio".
Trilhos do VLT são abastecidos pelo sistema APS  (Foto: Káthia Mello/G1)Trilhos do VLT são abastecidos pelo sistema APS (Foto: Káthia Mello/G1)
A energia vem de um terceiro trilho, sistema APS (alimentação pelo solo), instalado entre os trilhos de rolamento do veículo, cuja alimentação ocorre apenas no trecho sob o trem. As composições também têm um supercapacitor, uma espécie de bateria, que recebe energia da rede e pode ser recarregado pela energia absorvida no processo de frenagem do trem. Além disso, ele é silencioso
Segundo Arraes, a sustentabilidade não é o principal foco do projeto, mas ele foi levado em consideração. "No mínimo, esses três aspectos, da poluição direta por conta do combustível, da sonora e da visual, ele atende os requisitos da sustentabilidade", explicou. 
Ele explicou que quando a operação for plena, serão feitos testes ambientais para saber, por exemplo, qual a quantidade de carbono está sendo capturada pelo fato do trem não estar queimando combustível.
Outra semelhança com os antigos bondes é o trajeto. Durante as obras, foram encontrados trilhos dos antigos bondes. Em alguns pontos, o VLT vai fazer o mesmo de 160 anos atrás. Entre os achados arqueológicos descobertos embaixo das movimentadas ruas está o calçamento da Rua da Constituição.

Parte do piso será preservada e exposta como previsto na proposta enviada e aprovada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A área tem 15 metros quadrados é o trecho mais antigo, que ainda mantém o desenho original e de maior representatividade histórica, conforme avaliação dos arqueólogos.
E é também por isso a preocupação com os prédios históricos ao longo do traçado do VLT. Para minimizar o impacto e evitar vibrações haverá um mecanismo de controle de ruído atendendo um pedido do Instituto do Patrimônico Histórico (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
"Como o trem vibra quando passa nesses locais, por exemplo na Rua da Constituição, e na Rio Branco onde estão prédios históricos, nós colocamos nesses trechos equipamentos para reduzir o impacto. É um isolante, um material sintético que é colocado no topo do trilho para proteger, dar uma proteção física", explica Arraes.
O secretário afirmou que depois da transformação urbana da Região Portuária eles estão fazendo projetos para a expansão do VLT até a Zona Sul.

"Será com outro viés que não só o da integração. Tem a ver com o resgate da mobilidade, da recuperação urbanística de um bairro como Botafogo. O VLT sairia da Cinelândia para seguir até Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico e Gávea, para integrar com o Metrô".
Bonde na Avenida Rio Branco com Avenida Treze de Maio (Foto: Acervo Fotográfico da Light/Divulgação)Bonde na Avenida Rio Branco com Avenida Treze de Maio (Foto: Augusto Malta / Acervo Fotográfico da Light/Divulgação)
Retomada da história
A museóloga do Instituto Light, Roberta Saragoça, ressalta que o VLT trouxe da volta a memória dos bondes. Segundo ela, aumentou o interesse na história deles aumentou a partir do momento em que começou a se veicular notícias sobre a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos.
"Somos frequentemente procurados por pesquisadores e outros profissionais sobre o assunto. O VLT trouxe a memória do bonde. Quem andou e teve o privilégio não esqueceu. Para quem não conhece, o assunto voltou", explicou.    
O instituto abriga parte da história dos bondes. São fotografias de Augusto Malta, documentos, mobiliário e equipamentos à disposição da pesquisa. Um bonde reformado está em exposição e são feitas visitas teatralizadas  com personagens vestidos como na década de 20 para ajudar a manter essa memória.
Trilhos do VLT sobre a Avenida Rio Branco (Foto: José Raphael Berrêdo / G1)Trilhos do VLT sobre a Avenida Rio Branco (Foto: José Raphael Berrêdo / G1)
Menos carro e material reciclado
A implantação do novo meio de transporte tem custo avaliado em R$ 1,157 bilhão, sendo R$ 532 milhões com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, e R$ 625 milhões viabilizados por meio de uma parceria público-privada (PPP) da Prefeitura do Rio.
De acordo com informações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto Maravilha (Cdurp), os carros que circulam diariamente pelos centros urbanos transportam em média 1,3 passageiros. A capacidade de cada  VLT é de 420 passageiros. Considerada uma taxa de ocupação média, cerca de 255 carros deixarão de circular pela cidade.
Traçado do VLT no Centro do Rio (Foto: Reprodução/TV Globo)Traçado do VLT no Centro do Rio (Foto: Reprodução/TV Globo)
As obras do VLT utilizaram equipamento de fresa ao longo da intervenção na Avenida Rio Branco para a remoção do pavimento, de forma a garantir o melhor uso dos recursos. Ao todo, 3.240 metros cúbicos de asfalto foram retirados da avenida e seguem sendo aproveitados nas obras.  
O novo modelo de transporte alterou o visual da Avenida Rio Branco, uma das principais da cidade. Está em construção um boulevard, com extensão de  600 metros. Nesse ponto, a pista será compartilhada com o VLT e ciclofaixa, nas proximidades da Cinelândia, onde fica o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.
VLT vai passar na Avenida Rio Branco (Foto: Reprodução/Prefeitura do Rio)VLT vai passar na Avenida Rio Branco (Foto: Reprodução/Prefeitura do Rio)
Como vai funcionar a operação  
O VLT vai operar 24 horas por dia nos sete dias da semana, confirma Arraes. Em agosto, quando estiver totalmente entregue o VLT terá 28 quilômetros de comprimento com  32 paradas. Serão 32 trens em operação. Até o início de fevereiro sete trens já haviam sido entregues: cinco deles produzidos na França  e dois produzidos na fábrica da Alstom, em Taubabé, São Paulo. A capacidade total do  sistema chegará a 300 mil passageiros por dia.
Atualmente 28 condutores estão em fase final de treinamento e habilitação para começar a trabalhar em abril. O objetivo é formar mais 40 profissionais
Para as duas turmas iniciais, o primeiro mês aconteceu na França, no centro de treinamento da RATP, empresa responsável pela operação do metrô e VLT em Paris. Eles também usam um simulador de condução que apresenta o trajeto entre a Rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont reproduzindo situações a serem encaradas durante a operação.
Treinamento de condutores do VLT no Centro do Rio (Foto: Káthia Mello/G1)Treinamento de condutores do VLT no
Centro do Rio (Foto: Káthia Mello/G1)
A segunda etapa de implantação do VLT - Central do Brasil até Praça 15 -  está marcada para agosto.

Segundo Arraes, um  dos principais desafios será o início da circulação onde será possível saber se o novo transporte terá o mesmo dinamismo pensado na implantação.
Ele confirma que o VLT terá prioridade nos sinais de trânsito e os outros motoristas vão ter que se adaptar a isso. 

" Se ele vem em uma linha e o sinal está fechado, existe abaixo um sinalizador em que o sinal abre para ele automaticamente e fecha para os outros carros, mas isso é uma situação comum". Ele lembrou ainda os problemas enfrentados pela prefeitura quando o BRT foi implantado e muitas pessoas andavam de skate e cruzavam as vias exclusivas dos ônibus.
De acordo com Arraes, as ruas estreitas, no Centro, a região da Central do Brasil com grande circulação de pessoas serão os pontos mais complicados. O VLT terá velocidade de 18 quilômetros nos trechos mais difíceis e de até 50 quilômetros, nos trechos mais desertos e durante a madrugada. A previsão é que eles circulem na horas de pico com frequência de três minutos.          
Secretário Jorge Arraes em entrevista no VLT    (Foto: Káthia Mello/G1)Secretário Jorge Arraes em entrevista no
VLT (Foto: Káthia Mello/G1)
Preço das passagens x validação
De acordo com o secretário, a prefeitura do Rio irá fazer o  anúncio do preço da passagem do VLT em meados de março.
O pagamento será feito por cartões validados em oito máquinas próprias, no interior dos módulos do trem.

Esse é um sistema inédito no país, mas também haverá fiscalização e a prefeitura pretende mandar um projeto de lei para a Câmara para estabelecer uma multa no caso de alguém não validar a passagem. O modelo é semelhante ao que ocorre com o Lixo Zero. Segundo o secretário, o valor da multa também deverá ser o mesmo.
" Mantivemos essa que é a opção mundial. Esse tipo de transporte no mundo inteiro é assim. Em alguns países funciona melhor e em outros pior. Haverá campanha educativa e também fiscalização", acrescentou.  
No entanto, Arraes acredita que as pessoas já estão acostumadas porque já fazem uso do Bilhete Único nos ônibus, barcas e no metrô.  A diferença é que no VLT não existe catraca.
Prefeito publicou foto do VLT no fim da noite desta quinta-feira (15) (Foto: Reprodução / Instagram)Prefeito publicou foto de teste do VLT na Praça Mauá (Foto: Reprodução / Instagram)

Empresa responsável por novos abrigos diz que aguarda expansão de corredores de ônibus em São Paulo

onibus
Novos pontos de ônibus em São Paulo dividem opiniões. Alguns passageiros dizem que se sentiam mais protegidos do sol, calor e chuva nos modelos antigos.
 Otima instalou 6200 novos abrigos dos 6500 previstos em contrato
ADAMO BAZANI
A empresa Otima, que em 2013 após licitação assumiu a responsabilidade trocar os totens e abrigos em paradas de ônibus da Capital Paulista, afirmou que aguarda apenas conclusão dos corredores de transporte coletivo prometidos pela gestão Haddad para cumprir uma das metas estabelecidas em contrato.
De acordo com reportagem de Regiane Soares, no jornal Agora São Paulo, a concessionária já trocou 6200 dos 6500 abrigos de ônibus que constam no contrato, restando apenas os pontos previstos nestes corredores. A gestão Haddad prometeu concluir e 150 quilômetros de corredores de ônibus até o final de 2016, mas diante da falta de verbas municipais e das dificuldades do Governo Federal em liberar recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, por causa da crise econômica, de  problemas em relação aos projetos e de suspensões de licitações de obras pelo TCM – Tribunal de Contas do Município, a meta dificilmente vai ser alcançada. Tanto é que a prefeitura já mudou a promessa e afirmou que até o final de 2016, 150 quilômetros de corredores estarão em obras e não mais concluídos.
A Otima também substitui os totens indicativos de parada, que somam 12500.
A concessão é por 25 anos e não há custo para prefeitura. A licitação foi iniciada na gestão do ex-prefeito, Gilberto Kassab.
Em troca da implantação dos novos equipamentos e da manutenção, a empresa explora espaços publicitários nas paradas de ônibus. Dentro deste prazo de 25 anos, a Otima também deve instalar mais mil abrigos de 2200 totens. Com isso a cidade passará a ter 7500 abrigos e 14700 totens nas paradas de ônibus.
Apesar de terem um visual mais leve, os novos pontos de ônibus não são unanimidade em São Paulo. Passageiros reclamam de exposição ao sol e calor. Alguns disseram preferir os modelos antigos.

Fórum de Dirigentes de Mobilidade no País formaliza apoio a CIDE para as tarifas de ônibus, trens e metrô

onibus
Atualmente, o transporte público no Brasil tem custo anual estimado de R$ 60 bilhões. Segundo IPEA, até 15% deste valor são gerados por congestionamentos. Foto: Marcelo Piu
De acordo com pesquisa ANTP/IPEA, congestionamentos aumentam em até 15% o valor das passagens. Transporte individual deveria compensar este prejuízo para os passageiros
ADAMO BAZANI
Representantes do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana apresentam nesta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016, na Câmara dos Deputados, propostas e apoio para viabilizar a PEC que prevê a criação de uma CIDE – Contribuição de intervenção no domínio econômico municipal, pela qual a tributação dos combustíveis ajudaria no financiamento dos transportes públicos, barateando as tarifas para os passageiros.
Os municípios teriam liberdade para criação das próprias alíquotas e forma de cobrança.
Devem participar o presidente da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, Ailton Brasiliense, e o presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio Vieira da Cunha Filho.
O grupo vai entregar uma carta de apoio à Proposta de Emenda Constitucional. No documento, os especialistas e profissionais citam estudos da Fundação Getúlio Vargas, de 2014, que apontam que um acréscimo de 10 centavos no preço do combustível resultaria numa redação de vinte e dois centavos nas tarifas.
O Fórum, com base em levantamento do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, revela que os congestionamentos nas cidades podem deixar as tarifas de ônibus mais de 15% mais caras:  o congestionamento acarreta um custo adicional na tarifa para os usuários do transporte coletivo, quais sejam: São Paulo (15,8%); Rio de Janeiro (9,6%); Campinas (6,4%); Belo Horizonte (6,2%), dentre outras cidades. Isso porque os veículos de transporte coletivo gastam mais combustíveis e horas de trabalho presos no trânsito.
Assim, de acordo com o posicionamento do Fórum, a Cide municipal seria uma forma de as políticas em prol do transporte individual compensarem os maiores custos que provocam no bolso de quem usa ônibus, trem ou metrô.
Ainda de acordo com a entidade, nos padrões atuais, o transporte público no Brasil custa em torno de R$ 60 bilhões por ano, a maior parte deste valor bancada exclusivamente pelos passageiros nas catracas.
Acompanhe a íntegra da carta do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, formalizada nesta terça-feira e elaborada após a 86ª da entidade, que ocorreu em 4 de dezembro de 2015,:
Curitiba, 23 de fevereiro de 2016.
Ao
 Excelentíssimo Senhor,
Deputado ANDRÉ FUFUCA
M.D. Presidente Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 159-A, de 2007, e apensadas (Destinação de Recursos da CIDE)
Assunto: Apoio à PEC 179-A, que cria a CIDE Municipal
Excelentíssimo Senhor,
Há algumas décadas a qualidade no transporte público frequenta a agenda de debates no setor de mobilidade urbana no país, na qual, nos últimos anos, se agregou o tema do financiamento, especialmente, no tocante ao valor da tarifa paga pelos usuários.
Para melhorar a qualidade desse serviço público essencial, além dos recursos para a operação, são necessários investimentos expressivos em infraestrutura, bem como, demanda-se recursos financeiros para conservação e manutenção da mesma.
Já a fixação de tarifas mais acessíveis tem exigido subsídios governamentais crescentes em razão do esgotamento acelerado do modelo de financiamento baseado exclusivamente na receita advinda dos usuários. Não é possível, e nem justo, que os usuários banquem sozinhos os custos de operação do sistema de transporte público.
Assim, o custo da operação do transporte público também deve contar com contribuições financeiras dos demais beneficiários desse serviço, diretos e indiretos. Por exemplo, a responsabilidade financeira das gratuidades deve ser de quem as concedeu, seja o governo federal, estadual ou municipal.
De outro lado, os setores beneficiados com o sistema de transporte para os deslocamentos de empregados e clientes, também devem participar do equacionamento dessa questão. E, especialmente, cabe considerar nessa equação, as possíveis contribuições do transporte individual motorizado que, em relação ao transporte coletivo, apresenta externalidades negativas por pessoa deslocada, como no maior volume de emissões e de uso dos espaços públicos.
Além disso, não se pode continuar a impor aos municípios a responsabilidade exclusiva de manter e conservar a infraestrutura do sistema de transporte público num esforço financeiro concorrente com os demais serviços públicos sob responsabilidade municipal.
Por outro lado, a mobilidade tem sido objeto de atenção na legislação brasileira, como a recente Lei da Mobilidade e a nova emenda constitucional, que incluiu o transporte público como direito social. Porém, tais inciativas demandam desdobramentos para superar a urgente questão financeira presente no setor.
Ao longo de todo o país, os municípios brasileiros enfrentam grandes dificuldades para suportar através da tarifa paga pelos usuários, até mesmo os aumentos inflacionários do custo de operação do transporte. Alie-se a este fato a constatação de que é necessário soma considerável de recursos para se expandir e manter a oferta de serviços com a qualidade pretendida e reclamada pela sociedade. Estima-se que apenas o custeio dos sistemas de transportes públicos nas cidades brasileiras, no atual padrão, custa cerca de R$ 60 bilhões por ano.
As manifestações ocorridas em junho de 2013 intensificaram o debate público de temas que precisam ser apreciados com cuidado e urgência por todas as autoridades e gestores públicos. Nesse contexto, algumas questões tomaram corpo, como a necessidade de maior transparência no setor de transporte público, acrescida da ideia de que o binômio “melhor qualidade e tarifas menores” também é algo possível.
Nesse sentido, já foram apontadas diversas alternativas para viabilizar o financiamento em questão, seja por este Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, bem como, pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), entre outras entidades.
Dentre tais alternativas está a alteração na Lei do Vale-Transporte, a desoneração dos impostos incidentes na cadeia produtiva do transporte, considerados no REITUP e a criação de gratuidades seletivas aos estudantes.
Porém, nessa oportunidade este Fórum Nacional entende que ao lado das eventuais alterações que sejam procedidas na atual legislação da CIDE, é de grande relevância a criação da CIDE Municipal, na forma da PEC 179-A. As motivações para tal entendimento são basicamente as seguintes:
  1. a)Os municípios carecem de novas fontes permanentespara investimento e custeio do transporte coletivo. Com a elevação dos custos, a contenção das tarifas e o aumento das gratuidades, os municípios médios e grandes já estão destinando recursos dos seus orçamentos para cobertura de custos do transporte público, em prejuízo de outros deveres municipais fundamentais;
  2. b)É justo que o transporte individual motorizado (automóvel) participe do financiamento do transporte público, já que ele ocupa a maior parte do sistema viário de cidades de médio e grande porte, acarretando investimentos e custos adicionais para os municípios. Apenas como exemplo, na cidade de São Paulo, nas horas de pico, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os automóveis consomem 78% do espaço público quando apenas transportam 33% da demanda de viagens.
  3. c)Em pesquisa realizada pela ANTP/IPEA, há mais de uma década, constatou-se que o congestionamento acarreta um custo adicional na tarifa para os usuários do transporte coletivo, quais sejam: São Paulo (15,8%); Rio de Janeiro (9,6%); Campinas (6,4%); Belo Horizonte (6,2%), dentre outras cidades. Hoje, com a situação agravada pelo excesso de veículos nas vias públicas, certamente estes acréscimos são muito maiores.
  4. d)A CIDE tem mecanismos operacionais já testadose extremamente confiáveis, assim, seria um instrumento pronto e fácil para operacionalizaçãoimediata para aportar recursos complementares para o transporte público.
  5. e)Também cabe ressaltar que estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concluídos em 2014, analisaram o impacto desse tipo de contribuição nos preços dos combustíveis do ponto de vista da inflação, das contas públicas e na renda familiar. Os resultados indicaram que o acréscimo de R$0,10 (dez centavos) no preço do combustível poderia gerar uma redução de R$0,22(vinte e dois centavos) nas tarifas do transporte público, sem nenhum impacto na inflação, com melhoria nas finanças públicas e impacto zero nas finanças das famílias, quando tomada a sociedade de modo geral.
Finalizando, na expectativa de acolhida da presente manifestação a favor da criação da CIDE Municipal, nos colocamos à disposição para maiores esclarecimentos.
Atenciosamente
  
Roberto Gregório da Silva Junior
Presidente do Fórum Nacional de Secretários e
Dirigentes Públicos da Mobilidade Urbana

O Brasil Que Viaja de Ônibus - Assaltos, um perigo iminente para quem viaja de ônibus

O Brasil Que Viaja de Ônibus



BandNews

A partir de hoje você pega carona em uma viagem de ônibus do norte ao sul do Brasil em 5 capítulos.

A repórter Thalyta Almeida embarca em uma linha da Viação Marajó, em Belém do Pará, e Isabel Mega partiu com a Kaissara, em Porto Alegre, para um encontro final em Brasília.

Enquanto as duas seguem a jornada de mais de 4 mil quilômetros, 83 horas e 9 estados, você conhece a fundo a realidade do transporte rodoviário no país, que passa por desafios enquanto vê o número de passageiros cair 8% em um ano: Para ouvir o relato, clique em cima do 2° Capítulo
  • 1º Capítulo
  • 2º Capítulo

Justiça determina 100% dos ônibus com ar condicionado no Rio

AUTOR: RENATO LOBO 

Foto: Rio de Janeiro city bus
Uma liminar a pedido do Ministério Público impõe que todos os ônibus da cidade do Rio de Janeiro tenham ar refrigerado até o final deste ano. A decisão é do juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, da 8 ª Vara de Fazenda Pública do Rio, e o descumprimento implicará em multa de R$ 5 milhões.
A determinação se respalda em um acordo firmado em juízo, no ano de 2013, onde era previsto a modernização da frota, quando foi acordada a demolição do Elevado da Perimetral.
Os concessionários alegam perda de capacidade de investimento, quando a tarifa foi congelada em 2013 pela prefeitura, além da crise econômica. A justiça quer ainda que em até 20 dias, a prefeitura apresente um cronograma mês a mês, com a modernização da frota. Ainda cabe recurso.

BRT de João Pessoa pode ter obras iniciadas

AUTOR: RENATO LOBO 

viatrolebus
João Pessoa pode ter as obras do sistema Bus Rapid Transit (BRT) iniciadas este semestre, é o que diz o superintendente de mobilidade urbana da Capital, Carlos Batinga. Resta apenas a liberação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) e a finalização de projetos complementares, para que a licitação da primeira fase das obras ocorra.
O Tribunal de contas havia paralisado o projeto por falhas no processo de licitação na elaboração do projeto executivo de engenharia e projeto ambiental, e a execução de obras poderia causar prejuízos aos cofres públicos.
De acordo com Batinga, todas as duvidas foram sanadas e o projeto já pode voltar a ser licitado. “Da parte de projetos estamos precisando apenas concluir alguns complementares. A pendência mesmo é a análise do terminal do Varadouro, por parte do Iphaep, uma vez que já obtivemos a liberação do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que é o órgão nacional”, disse.
“Já temos os recursos disponíveis para execução dessa parte da obra e vamos captar o restante à medida em que a primeira parte estiver sendo executada”, afirmou Batinga.
O projeto no eixo Pedro II, engloba o terminal de integração e servirá de convergência das linhas quando saem dos bairros, nas proximidades da Cehap; contará com estações de parada de ônibus e de faixa exclusiva ao longo das Avenidas Rodrigues Alves, Sérgio Guerra e Walfredo M. Brandão.

Falhas no Metrô de SP cresceram 27% em 5 anos, segundo levantamento

AUTOR: RENATO LOBO 

viatrolebus
Imagem: William Molina
Levantamento do site “Fiquem Sabendo” aponta que a quantidade de panes notáveis no sistema metroviário de São Paulo cresceu 27% no período entre 2011 e 2015. A pesquisa exclui a Linha 4-Amarela, que é operada por uma concessionária privada, a ViaQuatro.
De acordo com o estudo feito com base na lei de acesso as informações, o número de panes saltou de 58 em 2011 para 74 e 2015. Ao mesmo tempo, o número de passageiros transportados cresceu cerca de 3%, de 1,087 bilhão em 2011 para 1,116 bilhão em 2015, nas 4 linhas operadas pelo Metrô.
Gráfico com as panes separadas por linhas, disponibilizado no site "Fiquem Sabendo"
Gráfico com as panes separadas por linhas, disponibilizado no site “Fiquem Sabendo“
Panes por linhas
Os dados ainda revelam que a Linha 1-Azul foi a que mais registrou aumento no número de falhas. Em 2011 eram 15 enquanto em 2015 foram 29 falhas, ou seja, quase o dobro. Por outro lado, a Linha 3-Vermelha havia registrado em 2011, 14 falhas notáveis. No ano seguinte foram 35, e em 2015, 22 problemas, evidenciando redução no número de restrições na ligação entre Itaquera e Barra Funda.
Ao mesmo tempo em que aumentam as ocorrências na Linha 1-Azul, e diminuem na Linha 3-Vermelha, o número de composições novas e reformadas em ambas as linhas também são diferentes: Na azul, ainda rodam 14 trens da frota A da década de 70 e 4 trens da Frota D de década de 80.
Já na Linha vermelha, operam apenas trens novos ou reformados, inclusive com trens da Frota G, originalmente adquiridos para rodar na Linha 2-verde. Neste período do levantamento, todos os trens da Frota H (7 composições) foram realocados da Linha azul para a vermelha.
Frota G na Linha 3-Vermelha - Foto de Tiago Costa
Frota G na Linha 3-Vermelha – Foto de Tiago Costa
O que diz o Metrô?
Em resposta a publicação, o Metrô de São Paulo diz que o número de panes esta dentro do aceitável mundialmente. “No ano de 2015, o número de quilômetros percorridos aumentou na comparação ao realizado em 2014. Em 2015, foram percorridos 18,9 milhões de quilômetros pelos trens do Metrô. No ano de 2014, os trens haviam percorrido 18,1 milhões de quilômetros. Ou seja, um aumento de 4,5% na quilometragem percorrida”, diz a nota.
A companhia diz ainda que esta diferença no número de quilômetro percorrido, “apresenta estabilidade entre os anos de 2014 e 2015, mantendo-se dentro dos padrões internacionais de qualidade e segurança”. A empresa diz ainda que sua rede é considerada internacionalmente como um dos dez melhores do mundo.
Mesmo com o aumento no número de falhas, o sistema ainda é considerado confiável em relação aos demais meios de transporte. Segundo a pesquisa “Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (IRBEM)”, realizada pelo Ibope em 2014 com 1512 moradores, o Metrô de São Paulo é o terceiro colocado no ranking de confiança da população da capital paulista. Foram avaliadas 24 instituições e órgãos públicos.
O Metrô obteve 71% de confiança entre os paulistanos, ficando atrás dos Correios (com 82%) e pelo Corpo de Bombeiros (93%).