quarta-feira, 6 de março de 2013

“O que está em jogo vai além dos pedágios. É a relação do Estado com a sociedade”



“As empresas aderem a contratos. Para entender essa modelagem contratual dos pedágios, nós devemos olhar que forças políticas dominavam o Estado quando foram assinados” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Marco Aurélio Weissheimer
Especial para o Sul21
Desde a década de 1980, o tema dos pedágios desempenha um papel central na vida política do Rio Grande do Sul. O debate sobre a administração das estradas ultrapassa a dimensão meramente econômica, envolvendo concepções sobre a própria natureza do Estado. Para o governador Tarso Genro, que decidiu mudar o modelo de pedagiamento vigente há décadas e motivo de muitas reclamações por parte dos usuários, o que está em jogo neste processo vai além da questão dos pedágios em si. “Trata-se, fundamentalmente, do tipo de relação entre Estado e sociedade que interessa à maioria da população e não apenas a determinados grupos econômicos”.
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Em entrevista ao Sul21, concedida terça-feira (5) à tarde, no Palácio Piratini, Tarso Genro falou sobre a decisão do governo gaúcho de mudar o modelo de pedágios vigente no Estado e as implicações políticas, econômicas e sociais dessa iniciativa. Para o governador do Estado, há uma disputa entre dois modelos sendo travada no Rio Grande do Sul. Ao falar sobre esse tema, ele aponta o sentido estratégico de seu governar: formar um novo bloco social e político no Estado. “Um bloco que pode ter suas contradições internas, mas que deve ter um amálgama cultural, político e econômico portador de um compromisso com um modelo alternativo em relação ao que ocorreu no governo anterior”. Um governo que, diz ainda Tarso, “atrasou o Rio Grande do Sul em todos os setores”.
Sul21: O que representa a decisão do governo gaúcho de mudar o modelo de pedágios vigente no Estado. Quais são as diferenças entre o modelo atual e o que está sendo proposto agora pelo governo?
Tarso Genro: O modelo atual foi construído na época áurea da influência do neoliberalismo e do Consenso de Washington sobre os governos. Essa também foi a época em que a socialdemocracia começou sua grande guinada em direção à direita. A repercussão desse ideário e dessa ideologia foi grande em países como o nosso, que naquela época estava sujeito a governos que viam com simpatia essas reformas de direita. Esse modelo correspondia a um certo ideal que permitiu a constituição de um bloco político em torno dele. Havia um problema real nas estradas que estavam mal cuidadas. A modelagem em torno da qual ele foi articulado reunia a defesa do Estado mínimo, do Estado ausente e o uso de recursos públicos para garantir a continuidade do pagamento da dívida. Além disso, dava a oportunidade de, em torno de grandes negócios, articular grandes empresas simpatizantes dessa posição política. O modelo foi gestado a partir dessa visão.
Tarso: “Aqui os pedágios são caros, as cidades foram cercadas por polos, os serviços são medíocres e as empresas que fecharam esses contratos têm lucros extraordinários” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Há uma certa tendência, nos agrupamentos não neoliberais ou de esquerda, de focar esse tema a partir da crítica às empresas. Na minha opinião, essa é uma visão equivocada. As empresas aderem a contratos. Para entender essa modelagem contratual dos pedágios, nós devemos olhar que forças políticas dominavam o Estado naquela oportunidade e a que interesses essas forças políticas se reportavam naquele momento. Os contratos gerados naquele contexto resultaram em uma tarifa cara, em serviços medíocres (não ocorreu duplicação das estradas) e constituíram verdadeiros polos de cerco, como o polo de Farroupilha que geraram e ainda geram um descontentamento enorme em toda a sociedade.
“O modelo de pedágios atual é resultado de uma crise financeira dos estados, particularmente dos Estados de Bem-Estar”
Sul21:Um dos argumentos dos defensores do atual modelo de pedágios consiste em afirmar que o Estado não possui recursos para investir e garantir estradas de boa qualidade. Qual a sua resposta a este tipo de argumento?
Tarso Genro: Na verdade, o modelo de pedágios é resultado de uma crise financeira dos estados, particularmente dos estados de Bem-Estar que esvaziaram os seus cofres organizando um modelo de socialdemocracia sem fundos. Esses estados foram se endividando progressivamente. O que esse modelo de pedágios substitui é um aumento de impostos que deveria ter ocorrido para permitir que o Estado fizesse obras de duplicação e qualificação das estradas. Como isso ia contra a dogmática neoliberal que prega a redução de impostos e, contraditoriamente, cobra serviços de qualidade do Estado, optou-se pelo atual modelo de pedagiamento. O modelo de pedagiamento, nos países desenvolvidos, inicialmente incide sobre comunidades que, naquela época, tinham salários bastante satisfatórios. A população, ao invés de pagar um imposto maior, passou a pagar os pedágios.
Em países como o nosso, buscou-se esvaziar as funções públicas do Estado e cobrar tarifas de pedágio do conjunto da população que tem, em geral, salários baixos. Esse negócio foi oferecido à iniciativa privada como uma nova fronteira de acumulação de recursos. Isso foi feito também aqui no Rio Grande do Sul naquela oportunidade.
Se compararmos, por exemplo, o pedagiamento das estradas europeias e a qualidade dessas estradas, veremos que os resultados são muito diferentes daqueles que conhecemos. Aqui os pedágios são caros, as cidades foram cercadas por polos, os serviços são medíocres e as empresas que fecharam esses contratos têm lucros extraordinários. Então, uma empresa pública, na nossa opinião, pode baixar os pedágios de maneira significativa e prestar um serviço, no mínimo com a mesma qualidade, e até melhor do que o que é prestado atualmente, reduzindo a pressão sobre o bolso da população e das empresas transportadoras que acabam transferindo o valor desses pedágios para os seus custos.
“Temos fortíssimos investimentos da União em estradas que não serão pedagiadas e, se forem, será apenas para sua manutenção”
Sobre o tema dos investimentos, o Brasil há muito tempo não tinha capacidade de investir. Está tendo agora. E esses investimentos que a infraestrutura brasileira precisa tanto podem sair de pedágios bem administrados como de uma relação do Estado com a União como está ocorrendo aqui no Rio Grande do Sul. Temos fortíssimos investimentos da União em estradas que não serão pedagiadas e, se forem, será apenas para sua manutenção. Portanto, um pedágio muito barato que não será criado para repor o custo da obra como ocorre em pedágios que tem como destinação a construção de estradas.
Neste momento, estamos estudando a possibilidade de uma parceria público-privada na RS-10, com um grande retorno para a população da Região Metropolitana, pois ela vai se tornar, na verdade, em uma grande avenida metropolitana. Esse é um investimento que nós não temos condições de realizar. Agora, um acordo como esse precisa ser muito bem estudado. O que não podemos ter é um sistema de pedagiamento que redunde, como no caso atual, no favorecimento exclusivo do polo privado e não do interesse público.
“Neste momento, estamos estudando a possibilidade de uma parceria público-privada na RS-010″, afirma governador do RS | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21: Ao propor essa mudança de modelo, o Rio Grande do Sul parece estar adotando uma iniciativa singular no país. Há algum outro estado, hoje, que está fazendo um movimento similar a este?
Tarso Genro: Nos moldes em que estamos fazendo, não. Temos alguns princípios que estão sendo obedecidos no modelo que estamos construindo que têm irritado sobremaneira aqueles que bolaram o sistema de pedágio atual. Quais são as suas características? Uma pequena empresa pública em termos de pessoal e de custo operacional, que não cria um gigantismo estatal que depois não possa ser mantido. Em segundo lugar, vamos adotar um mecanismo de discussão com a comunidade, envolvendo inclusive a técnica de preço. Vamos discutir com a população das regiões com pedágio e estabelecer critérios, inclusive para a fixação das tarifas e sua atualização. Isso pode ser feito com questionamentos do tipo: a comunidade quer que essa estrada seja duplicada em quanto tempo? Em dez anos? Então, temos condições de oferecer esse preço de tarifa e a população poderá verificar por onde o dinheiro entra e para onde vai. Nós teremos um controle público sobre o movimento financeiro da EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias) e esse dinheiro não será misturado com dinheiro do Tesouro.
“Vamos rebaixar os preços dos pedágios dos automóveis e rebaixar ainda mais os pedágios dos caminhões de carga”
Sul21: A posição das comunidades influenciará efetivamente a definição dessas questões? Como isso ocorrerá?
Tarso Genro: Sim, será levada em consideração. É claro que a técnica de preços para o pedágio tem que ser discutida a partir de dados que a gente ofereça para a comunidade verificar se estão corretos. Um terceiro aspecto importante é que vamos rebaixar os preços dos pedágios dos automóveis e rebaixar ainda mais os pedágios dos caminhões de carga. Esse é um ônus que é pago hoje pela população de uma maneira surda e que não é levado em consideração pelo modelo atual. Há custos de mercadorias, hoje, que são onerados por pedágios extremamente caros. Reduzindo as tarifas poderemos ter, automaticamente, uma interferência sobre a formação desses preços. Em quarto lugar, vamos construir um sistema de pedágios comunitários cujo funcionamento estará sob o controle das populações envolvidas.
Sul21: As empresas concessionárias apontam a existência de passivos e prejuízos que deveriam ser pagos pelo Estado e anunciam uma longa batalha judicial. O governo avalia que terá que enfrentar uma longa disputa neste campo?
Tarso Genro: Cabe lembrar que esses pedágios foram montados numa época de juros altos, de ausência de recursos, inclusive da União, para investimentos, e de inflação alta. Esses fatores determinaram uma técnica de formação de preço que está completamente desatualizada e que gerou, na nossa opinião, lucros exorbitantes para as empresas. Então, nestas ações judiciais, vamos cotejar a natureza desses contratos para verificar inclusive a relação entre direitos e deveres. Nós fizemos um levantamento para ver se as empresas estavam cumprindo suas obrigações contratuais. Além de não duplicarem estradas, porque isso não estava previsto nos contratos, os serviços prestados não estão adequados às exigências com as quais se comprometeram. Então, será uma longa batalha judicial. O que estará em jogo nesta batalha, na verdade, não será apenas o aspecto jurídico das contratações feitas, mas também o conteúdo dos contratos firmados e a verificação se esses contratos foram feitos segundo o interesse público e se esse interesse prevalece hoje. Nós achamos que não prevalece. É possível que essas ações apontem para a existência de lucros exorbitantes, o que não permitiria a correção das tarifas e não justificaria o pedido de reparações.
Tarso Genro prevê longa batalha judicial com concessionárias de rodovias | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21: A decisão do governo de mudar o modelo de pedagiamento parece ter um grande apoio da população. No entanto, na maioria dos meios de comunicação, essa simpatia não aparece. A que se deve, na sua opinião, essa disparidade de posições?
Tarso Genro: Há uma profissão de fé, em boa parte dos meios de comunicação, no receituário neoliberal. Há uma dogmática sobre as funções públicas do Estado, montada nas décadas de 80 e 90, que ainda permanece em certos meios de comunicação. Isso está retratado inclusive no próprio modelo de desenvolvimento que essa mídia propôs para o Estado, processo este que está caracterizado em dois grandes momentos. O primeiro foi a instalação da GM, retratada como um grande acontecimento, e o segundo foi quando a Ford foi embora, no governo Olívio Dutra. Eu lembro desses episódios porque eles têm a ver diretamente com a questão das funções públicas do Estado.
“Nas décadas de 80 e 90, uma certa mídia procurou forjar uma ideia na sociedade de que o PT e a esquerda eram contra empresas multinacionais, o que é uma grande bobagem”
Naquela oportunidade foi forjada uma ideia na sociedade de que o PT e a esquerda eram contra a vinda de empresas multinacionais, o que é uma grande bobagem. Só quem não tem empresas multinacionais hoje é a Coreia do Norte. Os outros países todos têm. Vivemos um processo de internacionalização da economia onde as grandes empresas locais e globais se integram hoje no mesmo circuito de relações comerciais. Isso é uma decorrência da própria evolução da sociedade capitalista o que, aliás, foi previsto por Marx no velho Manifesto Comunista. Quem não se deu ao trabalho de ler o Manifesto, poderia dar uma olhada nisso. A internacionalização galopante da economia é uma das características da universalização do capitalismo e da luta pela universalização dos direitos também.
Então, a visão transmitida por essa mídia afirmava que todo processo de desenvolvimento local tinha que depender dos processos de privatização do Estado, como se não houvesse empresas privadas incompetentes e como se a incompetência estivesse apenas do lado do Estado. Essas ideias forjaram um modelo de desenvolvimento no Rio Grande do Sul. Todas as empresas que jogaram sua sorte neste modelo, estão hoje em crise. Uma grande empresa como a GM, por exemplo, muda de fornecedor como quem muda de gravata. Ela muda o modelo de seu carro e muda de fornecedores. Isso pode gerar uma crise na economia local, que é dependente, associada e subordinada e não meramente dependente associada como são todas as grandes empresas hoje no mundo.
“Na medida que você discute o preço dos pedágios com a comunidade e retira esse debate da visão exclusivamente tecnicista, transformando-o também em um tema de uma política cidadã” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Nós invertemos esse modelo. Nós não queremos apenas grandes empresas do país e do exterior, sejam montadoras ou não. Segundo o nosso entendimento, os mecanismos que tem previsibilidade, permanência e capacidade de manejo pelo capital local e pelo Estado são aqueles que vêm de baixo para cima. Vou dar um exemplo concreto. Você faz um programa como o Mais Água, Mais Alimento. As empresas que fabricam pivôs duplicam a sua produção e o seu número de empregos. Quando o Estado faz encomendas para a iniciativa privada através de políticas públicas de interesse social, isso gera uma dinâmica no capital que vai corresponder a uma necessidade regional. Isso está sob o nosso controle. Agora, as encomendas da GM não estão sob o nosso controle e nem as de nenhuma empresa multinacional que, quando se instala aqui, gera determinados efeitos.
Sul21: Em que sentido o debate sobre os pedágios se insere neste debate mais amplo sobre o desenvolvimento do Estado?
Tarso Genro: O novo sistema de pedágios também corresponde a essa mudança de padrão. A medida que você discute o preço dos pedágios com a comunidade e retira esse debate da visão exclusivamente tecnicista, transformando-o também em um tema de uma política cidadã, você estabelece uma corresponsabilidade com a comunidade sobre os efeitos dessa política. E estabelece também um compromisso de informação.
Esse fenômeno que ocorreu aqui no Rio Grande do Sul em torno dos pedágios é, na verdade, um fenômeno político, pois engendrou um bloco de poder no Estado. Não foi por acaso que, dois anos antes de encerrar o seu mandato, a governadora Yeda queria prorrogar os contratos. Por que ela queria prorrogar? Será que era uma visão de interesse público que estava predominando? Na nossa opinião, não. Era uma certa antevisão de que seu governo, seu modelo, estava se esgotando, e queria garantir a permanência dos negócios envolvidos naquele processo. Não estou, aqui, falando de má fé. Estou falando, objetivamente, de visão de desenvolvimento e de visão política.
A criação da EGR pelo nosso governo não é uma birra, mas uma concepção de mundo e uma concepção de Estado. Nós vamos demonstrar com a EGR que, com um custo menor para o cidadão, será possível prestar um serviço melhor. Essa é a grande resposta que se deve dar na minha opinião nesta disputa que existe entre privatização do Estado e cumprimento das funções públicas do Estado. Um exemplo elementar: hoje nós entregamos 24 tratores para escolas técnicas do Rio Grande do Sul. Você sabe há quanto tempo não eram entregues tratores para escolas técnicas no Estado? Vinte anos! Por quê? Isso é uma visão de mundo, uma visão de política e uma visão do sistema educacional.
“Empresários que eram íntimos, ou ainda são, de uma ideologia e de uma prática de gestão que levou Yeda Crusius ao governo, eles não gostam de nós. Eles não nos suportam” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Esse bloco de mudanças que estamos fazendo aqui no Estado, que passa pela educação, pelos 12% para a saúde e pela natureza do desenvolvimento altera toda aquela visão medíocre que presidiu o Estado durante muito tempo e que não teve acolhida no governo Olívio Dutra. O que essa visão medíocre dizia: o Estado compõe a sua agenda a partir do grande capital global que diz o que devemos fazer. A nossa visão é o contrário desta. O Estado compõe a sua agenda a partir de uma visão do interesse público da maioria da sociedade, do sentido comum do povo, abrigado nas forças econômicas empresariais e sociais que querem um modelo que receba a globalização, colocando seus efeitos sob controle público.
Sul21: Considerando esse movimento de retomada do controle público de vários setores da vida econômica e do próprio Estado e de envolver a população no debate sobre o desenvolvimento, é possível perceber, no meio empresarial, uma mudança de mentalidade que aponte para essa direção?
Tarso Genro: Sim. Isso já é nítido. Quando damos um exemplo aos empresários do que significa, do ponto de vista prático e do ponto de vista de ação pública, o que chamamos de desenvolvimento de baixo para cima, grande parte deles entende e se associa a nossa opinião. Na segunda-feira (4), por exemplo, lançamos uma política para o leite aqui no Estado que visa dar maior rentabilidade para o setor e supõe uma demanda de 40 mil refrigeradores de leite de um modelo especial para a indústria metal-mecânica do Rio Grande do Sul. Essa demanda gera emprego, desenvolvimento, mobilização no interior entre pequenas e médias empresas que fabricam esses refrigeradores. Os empresários que estão envolvidos com essa política, que recebem financiamento do Badesul, do Banrisul ou do BRDE, passam a compreender a diferença entre um modelo e outro.
Por outro lado, há uma resistência em certos setores empresariais que é de natureza ideológica. Aqueles empresários, por exemplo, que eram íntimos, ou ainda são, de uma ideologia e de uma prática de gestão que levou Yeda Crusius ao governo, eles não gostam de nós. Eles não nos suportam. Na visão deles, o fato do Estado estabelecer uma relação com classes sociais que não são controláveis pelas suas decisões políticas é uma coisa que os enfraquece. O que nós oferecemos é um espaço público para o debate. Uma parte dos empresários, normalmente, quando se reporta ao Estado é para pedir redução de impostos, melhoria de serviços e mais investimentos, o que é uma contradição. Essa é uma visão tradicional e curta de grande parte do empresariado.
No debate sobre esse tema, fazemos algumas observações: está bem, eu reduzo o ICMS de vocês por um certo tempo, vamos ver como vai reagir a cadeia produtiva para ver se isso vale a pena para o Estado. Ou então vocês me dizem, se eu reduzir uma parte dessa alíquota para onde que eu a jogo. Eu não posso baixar a minha arrecadação. Não há nenhum setor que possa contribuir com mais um pouquinho? Quando dizemos isso, nunca ninguém oferece uma alternativa. Há uma grande solidariedade de classe entre eles, o que é até natural. Mas quando colocamos essa questão estão abrindo um debate sobre o interesse público, que tem que ser mediado ou às vezes até mesmo confrontado com o interesse privado imediato.
“O que ainda existe no Estado hoje é uma velha hegemonia cultural e política que teve seu auge no enlace econômico, político e social originado desse sistema de pedagiamento” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
A nossa visão é trabalhar com todas essas políticas públicas para formar um novo bloco social e político aqui no Estado. Um bloco que pode ter suas contradições internas mas que deve ter um amálgama cultural, político e econômico portador de um compromisso com um modelo alternativo em relação ao que ocorreu no governo anterior. Eu não vou me reportar ao governo Rigotto, pois ele não conseguiu resolver as dificuldades de caixa. Ele administrou o Estado com toda boa vontade, mas não conseguiu proporcionar nenhuma mudança no modelo de desenvolvimento nem no modelo de gestão. Digo isso com todo o respeito que tenho pelo Rigotto e pelo esforço que eu sei que ele fez.
“O governo Yeda atrasou o Rio Grande do Sul em todos os setores”
Já o governo da governadora Yeda foi o símbolo do que a maior parte do empresariado gaúcho achava o mais moderno e mais qualificado em termos de gestão para o Estado. Foi um governo que atrasou o Rio Grande do Sul em todos os setores, na educação, na saúde, na segurança e no desenvolvimento econômico. Mesmo assim, uma grande parte dessas pessoas ainda tem saudade do governo Yeda, talvez pelo tipo de interferência que tinham nas decisões do governo, que hoje não têm mais. Hoje, quem quer ter interferência no governo tem que legitimar sua opinião na cena pública, por exemplo no Conselhão. E essa política que tem que ser discutida em todos os setores da sociedade que estão ali representados.
O que ainda existe no Estado hoje é uma velha hegemonia cultural e política que teve seu auge no enlace econômico, político e social originado desse sistema de pedagiamento. Há uma disputa com um novo modelo que, ironicamente, também tem na questão dos pedágios um elemento muito importante. Na verdade, o que está em jogo vai além da questão dos pedágios em si. Trata-se, fundamentalmente, do tipo de relação entre Estado e sociedade que interessa à maioria da população e não apenas a determinados grupos econômicos.

sábado, 2 de março de 2013

SPTrans diz que mais trólebus de 15 metros devem ser adquiridos. Usados serão leiloados ainda neste semestre


por 

trolebus
SPTrans confirma que mais trólebus de 15 metros devem servir à cidade de São Paulo. Já são 51 unidades adquiridas. Scania diz que número pode chegar a 101. Foto: Adamo Bazani
Mais trólebus de 15 metros virão para o sistema da Capital Paulista. Leilão dos usados ocorre ainda neste semestre
Com exclusividade, SPTrans fala à reportagem sobre os investimentos no sistema
ADAMO BAZANI – CBN
São Paulo deve ter mais trólebus de 15 metros, que possui três eixos e capacidade para 101 passageiros, além dos 51 já adquiridos pela empresa Ambiental Trans, operadora do sistema na Capital Paulista.
A informação foi revelada nesta sexta-feira à reportagem do Blog Ponto de Ônibus/Canal do Ônibus pela SPTrans – São Paulo Transportes, que gerencia o sistema municipal e confirma o que já havia sido comunicado pelo gerente nacional de vendas da Scania, Wilson Pereira, em entrevista a este mesmo espaço, no ano passado.
“Sobre os veículos de 15 metros, há a intenção de continuar incluindo-os no sistema, substituindo os modelos mais antigos e completando a renovação da frota” – diz nota da Assessoria de Imprensa da SPTrans em resposta aos pedidos do Blog Ponto de Ônibus/Canal do Ônibus.
Ainda não foi revelado pela gerenciadora, entretanto, quando virão estes novos veículos e a quantidade.
De acordo com a Scania, serão mais 50 chassis só neste ano.
Os trólebus de 15 metros além de oferecerem uma oferta maior de lugares ocupando apenas um pouco mais de espaço nas vias em relação aos modelos convencionais de 2 eixos, são dotados de itens mais modernos de conforto e acessibilidade, como iluminação de Led no interior e piso baixo com rampa para acesso não apenas para quem usa cadeira de rodas, mas para quem possui mobilidade reduzida mesmo sem a necessidade de equipamentos que ajudem a locomoção. Há espaço para fixação de cadeira de rodas, que também serve como área para cão-guia acompanhante de quem possui limitação visual, maior espaço entre os bancos e tecnologia de corrente alternada, que é mais moderna.
A carroceria é feita pela Caio, do grupo de José Ruas Vaz, controlador da operadora Ambiental Trans, e o sistema elétrico é feito pela empresa Eletra, do mesmo grupo da Metra, que opera o Corredor Metropolitano ABD, ligando São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara,na zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema.
Não há, no entanto, propostas para ampliação da rede de trólebus. Mas, segundo a SPTrans, a rede área vai continuar a ser trocada para modernizar os serviços.
“A Secretaria Municipal de Transportes tem como diretriz a renovação da atual frota de trólebus na cidade para garantir a continuidade do serviço. Da mesma forma, está investindo na manutenção e troca da rede aérea. A rede da cidade é composta por 201,4 quilômetros de fios.” – segundo a nota da gerenciadora.
TRÓLEBUS ANTIGOS SERÃO LEILOADOS:
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Trólebus mais antigos e que deixaram de prestar serviços serão leiloados ainda neste semestre. São hoje 132 trólebus parados num pátio, para serem vendidos Não há sistemas no País para absorver estes veículos, muitos ainda em plenas condições de uso, apesar de a idade alta. Foto: Adamo Bazani
Os trólebus antigos, substituídos nesta mais recente renovação de frota, devem ser leiloados ainda neste primeiro semestre, de acordo com a SPTrans.
Atualmente, estão reservados em um pátio 132 trólebus que deixaram de operar o sistema da Capital Paulista.
Pela maior durabilidade dos trólebus em relação aos ônibus convencionais, muitos destes veículos parados, mesmo com cerca de 20 anos de uso, estão em condições de operação. No entanto, não há sistemas mais de trólebus no Brasil que poderiam absorver estes veículos. Em Santos, no Litoral Paulista, a Viação Piracicabana opera poucos veículos e não há, até o momento, nenhuma intenção oficial de ampliar o sistema. O Corredor ABD passa por uma renovação de frota e a Metra vai adquirir veículos novos, pelo menos 20 ônibus elétricos articulados devem compor a frota do sistema São Paulo – ABC Paulista.
Assim, o que deve interessar nestes veículos a serem leiloados serão as peças e os equipamentos.
O sistema de trólebus no Brasil foi inaugurado em 1949 e a primeira cidade a ter os ônibus elétricos foi justamente São Paulo.
A cidade de São Paulo já ocupou lugar de número 22 no ranking entre os maiores sistemas de trólebus no mundo. No ano 2000, chegou a ter uma frota de 474 ônibus elétricos. Com a desativação das linhas da Zona Norte e das redes dos corredores de Santo Amaro, Pinheiros e Butantã, a frota e a malha foram reduzidas.
De acordo com os dados da SPTrans, enviados à reportagem nesta sexta-feira, a cidade de São Paulo conta hoje com uma frota de 192 trólebus em operação, sendo que 141 veículos são do tipo convencional e 51 são deste novo modelo de três eixos, com 15 metros de comprimento. Deste total, deste o início da renovação, 142 veículos novos passaram a circular por dez linhas da Capital.
2001-10 – Terminal Parque Dom Pedro II / Terminal Bandeira
2100 -10 – Terminal Carrão / Praça da Sé
2290-10 – Terminal São Mateus – Terminal Parque Dom Pedro II
2290-31 – Jardim Vila Formosa / Terminal Princesa Isabel
2291-10 – Terminal São Mateus / Praça da República
3139-31 – Jardim Vila Formosa / Praça da República
3160-10 – Terminal Vila Prudente / Terminal Parque Dom Pedro II
342 M – Terminal São Mateus / Terminal Penha
408 A-10 – Machado de Assis / Cardoso de Almeida
4112- 10 – Margarida Maria / Praça da República
4113 – 10 – Gentil de Moura / Praça de República.
TRÓLEBUS NÃO É COISA DO PASSADO:
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Corredor Metropolitano ABD também terá trólebus novos, do tipo articulado. Custos por quilômetro de operação e manutenção dos veículos têm se tornado menores. Além disso, existe a vantagem de ser o único tipo de ônibus em operação no Brasil que emite poluição zero. Foto: Samuel Tuzi.
A imagem que ainda muitos paulistanos têm dos trólebus nem sempre é positiva. Logo que se fala deste tipo de veículo, muitas pessoas já pensam nos transtornos por causa de falhas no fornecimento de energia elétrica e desprendimento das alavancas (pantógrafos) dos trólebus da fiação.
Mas os avanços tecnológicos permitem com que o trólebus seja uma solução viável de mobilidade urbana e com diversas vantagens: o nível de ruído é muito baixo e o trólebus é o único tipo de ônibus com custo relativamente baixo de aquisição e manutenção, cujas emissões de poluentes durante a operação são zero. O ônibus a células de hidrogênio, que no lugar de fumaça solta vapor d’água, ainda é um modelo muito caro e está em desenvolvimento para a realidade brasileira. Existe uma unidade em testes e estudos na garagem da operadora Metra, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Os ônibus elétricos híbridos são bem menos poluentes e barulhentos na comparação com os ônibus comuns. Mas diferentemente dos trólebus ainda soltam fumaça, mesmo que em quantidade menor em relação aos veículos movidos somente a diesel.
É fato que o sistema de trólebus não é totalmente imune aos problemas de queda de energia elétrica ou na rede, como nem o metrô é isento completamente de falhas.
No entanto, a renovação da rede deve diminuir os problemas de fornecimento. Além disso, os modelos novos de trólebus possuem baterias armazenadoras que dão autonomia de até 6 quilômetros a 10 quilômetros, dependendo da lotação e da velocidade operacional, para o veículo circular mesmo sem estar conectado aos fios. Isso permite que o ônibus chegue até a próxima estação de energia que não está com falhas ou se desloque para terminais, garagens e recuos para não prejudicar o trânsito se houver algum problema.
Os novos trólebus também podem vir equipados com alavancas pneumáticas, cujo sistema absorve os impactos sofridos pelo chassi e carroceria, diminuindo a possibilidade destas alavancas se desprenderem dos fios. Além disso, o sistema permite que a alavanca seja recolhida automaticamente, evitando que em caso de desprendimento, ela retorne para cima e danifique a rede aérea de fios.
Diversas cidades do mundo ainda usam trólebus.
De acordo com dados da ONG Respira São Paulo, há no mundo 360 sistemas de trólebus em 48 países, totalizando 40 mil 700 veículos.
Alguns países, inclusive, importam tecnologia para trólebus desenvolvida por empresas brasileiras, como a Eletra, de São Bernardo do Campo – ABC Paulista.
O que contribuiria para o melhor desempenho dos trólebus seria uma melhor condição viária. Este tipo de veículo é considerado ideal, por especialistas, para trafegar em corredores.
ECONOMICAMENTE VIÁVEL:
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São Paulo já esteve entre as cidades com os maiores sistemas de trólebus do mundo. A CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos não só operava os ônibus elétricos, mas contribuía com as fabricantes no desenvolvimento de novos produtos. Foto: Douglas De Cezare.
Apesar de os veículos serem mais tecnológicos, os trólebus estão proporcionalmente mais baratos que antes.
Hoje, em média, o valor do veículo de 15 metros é de R$ 750 mil.
O preço é alto perto de um ônibus convencional do mesmo porte, que pode variar entre R$ 400 e R$ 500 mil.
Mas a diferença de preços entre o trólebus e o ônibus diesel tem ficado menor.
“Por causa destas quantidades maiores negociadas, o preço do trólebus está mais atraente e a tecnologia nacional está com um custo mais baixo que dos fabricantes internacionais” – explicou Ieda Maria Alves de Oliveira, gerente comercial da Eletra, empresa que fornece o sistema dos trólebus novos da Capital Paulista e dos veículos do ABC.
Além disso, segundo Ieda, por quilômetro percorrido, o custo de operação de trólebus é mais barato que o ônibus diesel, considerando abastecimento e manutenção. A vida útil de um trólebus é de 20 anos, em alguns casos podendo chegar a 30, enquanto que de um ônibus comum é em torno de 10 anos.
No entanto, a operação do trólebus poderia ser mais barata se houvesse uma adequação da política de preços de energia elétrica.
Ainda hoje, nos horários de pico, o trólebus e até mesmo o metrô pagam uma taxa de energia maior como qualquer cidadão comum que demora no banho no início da noite.
“É um serviço de utilidade pública. Não há desperdício no horário de pico. Nem o trólebus, nem o trem e nem o metrô podem ser sobretaxados numa faixa de horário na qual ele é mais útil ainda por transportar mais pessoas” – defende Ieda.
Ela afirma que o passo agora é conscientizar o poder público para considerar a implantação de sistemas de trólebus nos novos projetos de corredores exclusivos de ônibus do tipo BRT – Bus Rapid Transit.
“Além de corredores eficientes, precisamos de corredores verdes, não poluentes. Os ganhos de qualidade de vida e a redução dos custos ocasionados pela poluição justificam os investimentos em sistemas de transportes limpos, como o trólebus. E não são altos demais estes investimentos. Os custos de implantação de uma rede, com as subestações e toda a estrutura são de R$ 1,6 milhão por quilômetro, valor facilmente coberto pela economia gerada na manutenção e operação, além dos benefícios à saúde pública, por exemplo” – conta Ieda Maria Alves de Oliveira, gerente comercial da Eletra.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Movimentação de cargas em portos do país cresceu 2% em 2012



28 fevereiro de 2013 às 1:44 pm
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Porto de Santos. Foto: Reprodução
A movimentação de cargas nos portos brasileiros cresceu 2,03% em 2012 em relação ao ano anterior, chegando a 904 milhões de toneladas. O crescimento foi maior nos portos públicos, que apresentaram movimentação 2,27% maior em 2012 em relação ao ano anterior. Nos portos privados, o crescimento chegou a 1,91%. Os dados foram divulgados hoje (28) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
No entanto, do total de cargas movimentadas no ano passado, a maioria foi transportada pelos portos privados. Em 2012, foram movimentados 588 milhões de toneladas de cargas nos terminais privados (65%) e 316 milhões de toneladas (35%) nos portos públicos. A movimentação nos terminais privados é impulsionada, principalmente, pelo transporte de combustíveis e minério de ferro.
A movimentação de contêineres cresceu 3,6% em 2012, o que é considerado significativo pela Antaq porque, em geral, o crescimento fica na média de 2%. Em relação à natureza da carga, a maior parte diz respeito a granel sólido (554 milhões de toneladas). Mais 217 milhões de toneladas foram de granel líquido, 45 milhões de toneladas de carga geral solta e 87 milhões de toneladas de contêineres.
A navegação de cabotagem – transporte de cargas realizado entre os portos do mesmo país – teve crescimento de 4%, com movimentação de 139 milhões de toneladas. A movimentação de contêineres nesse tipo de transporte aumentou 25% no período. Segundo o gerente de navegação marítima da Antaq, Rodrigo Trajano, a navegação de cabotagem é uma alternativa ao transporte rodoviário, principalmente por grandes atacadistas.
O diretor da Antaq Fernando Fonseca disse que a entidade já aprovou o pedido da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para um reajuste de 58% nos preços dos serviços cobrados pelo uso da infraestrutura no Porto de Santos. A proposta, que está em análise pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria Especial de Portos, é que a correção seja feita em três parcelas (2013, 2014 e 2015).
Fonte: Agência Brasil, Por Sabrina Craide
Edição: Lílian Beraldo

Concessões de ferrovias vão gerar mercado de 50 mil vagões, prevê EPL


Foto: Reprodução
O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, disse nesta sexta-feira que o pacote de concessões de ferrovias vai gerar uma demanda por 50 mil vagões e 3 mil novas locomotivas.
A informação foi dada durante palestra no evento “Brazilian Infrastructure Forum 2013”, que acontece hoje em Londres, com apoio do Valor.
O pacote de ferrovias prevê a construção de dez mil km de novas malhas. Figueiredo ressaltou que as empresas terão “100% do risco garantido pelo governo”, com a garantia de que a estatal Valec comprará toda a capacidade de transporte de carga das linhas que serão construídas.
Ontem, o governo fez o anúncio do primeiro trecho de ferrovia que será concedido, o qual funcionará como um “piloto” para os demais. “O governo quer debater com o mercado novo modelo de concessão de ferrovias”, disse Bernardo, destacando que as concessões de ferrovias terão seus estudos concluídos até maio. Ainda segundo Figueiredo, o Brasil precisa renovar praticamente 100% de sua malha ferroviária.
Portos
Figueiredo disse também que os leilões para contratação dos serviços de dragagem de portos terão início daqui a um mês. A iniciativa faz parte das medidas previstas para garantir a competitividade dos portos públicos do país.
Figueiredo destacou que os investimentos em concessões de portos deverão atrair US$ 10,1 bilhões, enquanto o uso de terminais privados somarão mais US$ 15,3 bilhões.
O Plano Nacional de Dragagem prevê investimento de R$ 3,8 bilhões. Outros R$ 2,6 bilhões são previstos para melhoria e construção de acessos terrestres aos terminais.
Fonte: Valor, Por André Borges e Assis Moreira

Primeira fase de corredores de ônibus em SP terá R$ 1,4 bilhão.


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Ônibus em São Paulo. Prefeitura conclui licitação para a construção de corredores de ônibus para tornar mais rápidas as viagens em transporte público. Foto: Adamo Bazani
Ônibus em São Paulo. Prefeitura conclui licitação para a construção de corredores de ônibus para tornar mais rápidas as viagens em transporte público. Foto: Adamo Bazani
Prefeitura de SP anuncia R$ 1,4 bilhão para corredores de ônibus e vias
Poder público liberou R$ 32 milhões adicionais para adiantar as obras
ADAMO BAZANI – CBN
A prefeitura de São Paulo vai investir inicialmente R$ 1,4 bilhão em corredores de ônibus e obras viárias. Para contribuir com a rapidez dos processos de contratação das obras, o prefeito Fernando Haddad decretou a abertura de crédito adicional de R$ 32 milhões.
Já foram escolhias as empresas que vão realizar as obras em quatro corredores, um terminal urbano e uma obra viária:
De acordo com nota da Prefeitura, serão implantados os seguintes corredores nesta primeira fase:
Radial Leste 1: 12 quilômetros
Radial Leste 2: 05 quilômetros
Corredor do sistema viário Capão Redondo – Campo Limpo – Vila Sônia: 12 quilômetros e 100 metros
O pacote orçamentário inclui também o complexo viário de acesso ao Jardim Ângela, com 1,5 quilômetro, e o Terminal Jardim Ângela, de 74 mil metros quadrados. O corredor Inajar de Souza será revitalizado.
Em nota divulgada pela Prefeitura à imprensa, o prefeito Fernando Haddad diz que o início das obras vai depender de eventuais desapropriações e explica qual é o próximo passo dentro do processo de licitação.
“Já abrimos os envelopes de propostas, já temos as empresas vencedoras e agora há o prazo para contestação”, explicou Haddad.
Ainda de acordo com nota da prefeitura: “Os investimentos fazem parte do programa de mobilidade urbana da administração, que inclui a recuperação dos corredores já existentes, a construção de 150km de novos corredores e a criação de 150km de faixas exclusivas para ônibus.
De acordo com o prefeito, a meta é concluir o primeiro ano de governo com 66km licitados e 84 km com projeto para licitação”.

F: Obras do VLT retomadas

GDF abre processo de pré-qualificação das empresas interessadas em construir o trecho que ligará o aeroporto ao terminal da Asa Sul, depois de dois anos de suspensão do serviço. As propostas serão recebidas em 19 de abril e a previsão de entrega é 2015
Imagem: Reprodução
Depois de quase dois anos de paralisação, o GDF vai retomar as obras do Veículo Leve sobre Trilhos. A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô) abriu o processo de pré-qualificação das empresas interessadas em executar o projeto básico, executivo e as obras, do trecho que ligará o Aeroporto Internacional de Brasília ao terminal da Asa Sul. A sessão pública para recebimento da documentação será em 19 de abril e a meta do governo é entregar o serviço até 2015.
O aviso de pré-qualificação foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal de ontem. De acordo com a presidente do Metrô, Ivelise Longhi, o trecho deve custar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. “A obra está incluída no PAC da Mobilidade do governo federal e os recursos já estão assegurados”, afirmou.
Segundo Ivelise Longhi, a retomada do projeto reforça o interesse do Executivo local em investir em todos os modais de transporte para garantir a mobilidade da população. Ainda segundo ela, os técnicos já concluíram o estudo de viabilidade técnica, econômica e social de todo o trecho do VLT — do aeroporto até o fim da W3 Norte.
A obra estava embargada desde o fim de 2001, quando os desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) anularam os contratos e embargaram o serviço já que ficou comprovada fraude na licitação. Mas esse foi apenas o desfecho de uma série de disputas judiciais iniciadas em fevereiro de 2008, quando o então governador José Roberto Arruda lançou o edital.
Perícia
O governo também divulgou o nome da empresa contratada para fazer uma perícia no viaduto da W3 Sul e do Complexo de Manutenção da Linha 1 do VLT. A firma escolhida terá 90 dias para concluir um inventário físico das obras executadas.
Segundo Ivelise, isso é indispensável para que o governo responda futuramente na Justiça caso alguma empresa decida cobrar pelo serviço. “Com a anulação os contratos pela Justiça, o governo não pode pagar por serviço feito ali. Mas as empresas cobram uma dívida de R$ 160 milhões. Então, precisamos saber exatamente o que existe para que possamos discutir isso judicialmente”, disse. O levantamento vai custar R$ 73,8 mil.
Memória
Fevereiro de 2008
Começa a primeira etapa do processo de licitação do VTL, mas a concorrência dura apenas dois dias: acaba interrompida pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MPDFT porque os estudos para a elaboração do edital foram considerados insuficientes.
Julho de 2009
O governo federal não dá aval a empréstimo de 134 milhões de euros (cerca de R$ 365 milhões) da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para o financiamento do VLT. Apesar disso, as obras do primeiro trecho são lançadas.
Outubro de 2009
O Ministério Público ajuíza ação civil pública pedindo a suspensão do processo de empréstimo da AFD e o embargo das obras. O empreendimento só é retomado em 30 de dezembro.
Janeiro de 2010
A construção do VLT volta a ser interrompida pelo MPDFT, mas o Tribunal de Justiça derruba a liminar no mês seguinte.
Junho de 2010
A construção do VLT é embargada novamente, dessa vez pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sob alegação de que o Metrô-DF não entregou os projetos solicitados. As obras demoraram três meses para voltarem a ser executadas.
Abril de 2011
Sentença da 7ªVara de Fazenda Pública volta a suspender o serviço. A decisão obrigava a abertura de nova concorrência para a finalização do empreendimento.
Dezembro de 2011
Decisão unânime da 1ª Turma Cível do TJDFT cancela as obras, alegando novas fraudes no processo licitatório. Desde então, o trabalho está parado.
Fonte: Correio Braziliense, Por Adriana Bernardes