sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ENTREVISTA: Confira onde será testado o ônibus GNV e biometano da Scania com carroceria nacional

scania biometano
Ônibus GNV/biometano no Parque Central de Santo André (ABC Paulista). Modelo vai ser tesyado em sistemas de transportes com características diferentes. Foto: Scania/Matéria: Adamo Bazani
De acordo com a montadora, além de desempenho ser melhor que os veículos GNV que já circularam pelo País, tempo de abastecimento completo na garagem pode ser em torno de seis minutos
ADAMO BAZANI
A Scania já tem um cronograma definido de testes com o ônibus a Gás Natural Veicular – GNV que também pode ser movido a biometano (gás obtido na decomposição do lixo) apresentado nesta semana, durante o Seminário Nacional de Mobilidade Urbana da NTU –  Associação Nacional de Transportes Urbanos, que ocorreu em Brasília.
O Blog Ponto de Ônibus conversou por telefone na manhã desta sexta-feira, 26, com o diretor de Vendas de Ônibus da Scania do Brasil, Silvio Munhoz.
“Até pelo menos abril do ano que vem já está completo o cronograma de testes com esse ônibus. Há interesse principalmente de gestores públicos preocupados em melhorar as condições de meio ambiente das cidades” – disse o executivo.
O interesse pelas vantagens econômicas também foi grande. De acordo com os testes realizados no Brasil, com o modelo importado, e analisados pela Netz Engenharia Automotiva, o custo por quilômetro rodado ficou em R$ 0,89, enquanto um ônibus a diesel tem custo de R$ 1,24 por quilômetro.
Segundo Munhoz, já na próxima semana, o ônibus vai circular em Sorocaba, no interior de São Paulo. Estes testes terão a participação da empresa fornecedora de GNV, Gás Fenosa Brasil, e deve durar um mês.
“Houve o interesse pela tecnologia de Gás Natural para o futuro corredor BRT de Sorocaba. O ônibus GNV ou biometano é bem indicado para sistemas de corredores porque além dos benefícios ambientais, com emissões menores de poluentes e vantagens econômicas, há também uma redução importante na emissão de ruídos, um dos problemas de BRT. Por este ônibus ter motor ‘ciclo otto’, é mais silencioso que os ônibus a diesel” –  disse Munhoz ao Blog Ponto de Ônibus.
Depois de Sorocaba, o ônibus fará operações com GNV ou biometano em sistemas de transportes com características operacionais e climáticas diferentes. As datas podem ter variações. Confira:
– Recife:  O ônibus deve em outubro circular por Recife com GNV. É um projeto do Governo do Estado com a participação da empresa operadora do Grupo Metropolitana.
– Fortaleza:  Em Fortaleza, o ônibus deve operar no mês de novembro. Os testes serão com o biometano, que é o gás obtido na decomposição do lixo, trazendo vantagens de redução de emissões de poluentes na operação do veículo e também auxiliando a questão da destinação e aproveitamento de resíduos. Os testes terão parceria com a empresa Ecometano.
– São Paulo: Na Grande São Paulo, a partir do final de novembro e início de dezembro, o ônibus com GNV vai ficar entre dois e quatro meses. Os testes vão ocorrer nas linhas municipais da capital paulista e também em linhas metropolitanas gerenciadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos. As linhas dos sistemas SPTrans e EMTU ainda serão definidas.
– Florianópolis, Porto Alegre e Londrina serão as cidades, nesta ordem, que terão o veículo em circulação.
MAU DESEMPENHO E LONGO TEMPO DE ABASTECIMENTO FICARAM NO PASSADO, GARANTE EXECUTIVO:
onibus biometano
Com nova tecnologia, abastecimento completo se dá em seis minutos. Foto: Scania/Matéria: Adamo Bazani
O diretor de Vendas de Ônibus da Scania do Brasil, Silvio Munhoz, reconhece que por causa das experiências com os ônibus a gás natural que operaram no Brasil entre os anos de 1980 e 1990, ainda há certa desconfiança em relação à viabilidade operacional desses veículos.
No entanto, o executivo garantiu que estes problemas ficaram no passado.
Segundo Munhoz, hoje sensores no sistema de injeção dos ônibus a gás natural calculam a quantidade exata de combustível necessária em cada momento diferente da operação, como subidas e arrancadas. Com isso, a queima fica otimizada, eliminando o problema de desempenho.
Já o tempo de abastecimento também é outra questão que foi contornada, segundo Munhoz.
“É possível abastecer a carga total de 1.200 metros cúbicos em seis minutos com compressor de quatro estágios, comum no mercado. É, por exemplo, o que vai ocorrer nos testes em Sorocaba” – disse o diretor
VEÍCULO TORNA-SE LUCRATIVO EM 2,5 ANOS DE OPERAÇÃO:
Levando em conta simulações de preços de consumo de combustível e de peças e componentes, Silvio Munhoz diz que hoje o ônibus GNV/biometano é entre 20% a 25% mais caro que o ônibus convencional a diesel similar.
No entanto, ele garante que após dois anos ou dois anos e meio de operação, já é possível ter uma receita adicional em relação ao ônibus a diesel .
“Vários componentes foram acertados e são diferentes que os ônibus GNV no passado. Por exemplo, as velas que hoje são refrigeradas a água. No passado, a vida útil das velas era pequena, mas agora com esta a solução, o problema está resolvido” – diz o executivo, que garante que o custo de manutenção do ônibus GNV/biometano se equivale ao veículo diesel, com a vantagem de ter um consumo de combustível mais em conta.
PRODUÇÃO PODE TER VÁRIAS CONFIGURAÇÕES:
O ônibus em testes é de 15 metros de comprimento, piso baixo, possui motor com 280 cavalos de potência e carroceria Marcopolo Viale, que pode transportar até 130 passageiros.
Silva Munhoz garantiu que já há capacidade técnica para produção no Brasil em outras configurações, como o ônibus padron a partir de 12 metros, e ônibus articulados a partir de 18,6 metros.
Ele também destacou que o motor já tem como base o padrão de redução de emissões Euro 6, usado na Europa.
“O motor é considerado Euro 6 ‘Ultra Limpo’, já que emite metade dos poluentes admitidos pelo padrão Euro 6” – lembrou.
Em comparação ao Euro 5, hoje em aplicação no Brasil, a redução de emissões pode ser de até 85%.
A produção em linha no Brasil já deve começar em 2017, revelou, faltando apenas a homologação de oito componentes, o que já está em andamento.
Munhoz lembrou que além de ser amplamente utilizado na Europa, o ônibus GNV também é usado em cidades da América Latina, como Bogotá, Colômbia; Cidade do México, México; e Lima, Peru.
Esses ônibus foram desenvolvidos na planta do Brasil, em São Bernardo do Campo.
Assim, para o mercado interno, já está praticamente pronta a linha de produção, que contando com a demanda da América Latina, vai trazer o benefício do barateamento de cada unidade  nacional.

São Paulo terá carreata de veículos elétricos no sábado

onibus
Evento quer tornar o veículo elétrico mais próximo da realidade da população
Serão exibidos ônibus, carros, motocicletas, bicicletas e scooters elétricos puros ou híbridos
ADAMO BAZANI
blogpontodeonibus
A cidade de São Paulo recebe neste sábado, 27 de agosto de 2016, a primeira edição do Movimento Paulistano de Veículos Híbridos e Elétricos.
Trata-se de uma carreata com mais de 60 veículos, entre ônibus, automóveis, motocicletas bicicletas, scooters, elétricos puros ou híbrido.
A ação é organizada pela ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico e tem o objetivo de promover e incentivar a ampliação da frota tanto de uso individual como coletivo de veículos menos poluentes ou com emissão zero na operação.
A atividade faz parte da Conferência Latino-Americana de Veículos Elétricos que ocorre simultaneamente ao 12º Salão LatinoAmericano de Veículos Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias, no Pavilhão Amarelo, do Expo Center Norte, em São Paulo.
O Salão, que vai ter exposições de modelos de ônibus, carros, motocicletas e bicicletas elétricas ocorre nos dia 1°,2, e 3 de setembro e a Conferência nos dias 1º e 2 de setembro.
O passeio pelo coração da cidade de São Paulo – Av. Paulista – por uma mobilidade mais verde e um futuro mais sustentável vai contar com veículos leves, levíssimos e pesados da Toyota, Lexus, Renault, BYD, Volvo, JAC Motors, Go Lev, Souza Motors, Wind, Bike Car, Cooltra, Nanico Car, Drop e Compact Car.
SERVIÇO
Movimento Paulistano do Veículo Híbrido e Elétrico – 1ª edição
Data: 27 de agosto – sábado
Horário de concentração: 09h00
Hora de saída: 10h00
Local: Partindo da Praça Amadeu Amaral, na Av. Treze de Maio, Paraiso
Destino: Praça Charles Miller / Estádio do Pacaembu

Falhas no Metrô dobram em cinco anos, diz jornal

AUTOR: RENATO LOBO 

Foto: Rafael Asquini
Um levantamento feito pelo jornal “Folha de São Paulo” aponta aumento no número de falhas registrados no Metrô de São Paulo, onde o índice mostra que quase dobraram o número de panes, que consequentemente afetam o deslocamento dos passageiros, as chamadas “velocidades reduzidas e maior tempo de parada”, quando a paralisação se dá mais que cinco minutos.
Em 2010 foram 30 ocorrências intituladas de “notáveis”. Já no primeiro semestre deste ano já foi atingido a casa dos 44. Este cenário corresponde a operação das linhas 1-Azul, 2-verde, 3-vermelha e 5-lilás. Por outro lado, a rede não cresceu nem em número de quilômetros percorridos, e em extensão de rede cresceu pouco.
Confira ano a ano:
– 2010: 30 falhas pontuais;
– 2011: 56 falhas pontuais;
– 2012: 71 falhas pontuais;
– 2013: 71 falhas pontuais;
– 2014: 73 falhas pontuais;
– 2015: 76 falhas pontuais;
O Metrô de São Paulo disse em nota ao jornal que o aumento nas falhas está relacionado ao programa de modernização das composições. Os engenheiros explicam que quando uma composições retorna à operação, existe um período de adaptação, resultando nas falhas.
Os problemas em trens, segundo a série histórica vem apresentando discreta melhora. Confira:
– 2010: 22 falhas notáveis em trens;
– 2011: 33 falhas notáveis em trens;
– 2012: 49 falhas notáveis em trens;
– 2013: 45 falhas notáveis em trens;
– 2014: 43 falhas notáveis em trens;
– 2015: 42 falhas notáveis em trens;
A companhia ainda discorda da maneira com que os dados foram interpretados pelo jornal. “O total de falhas no período analisado está praticamente constante porque enquanto trens novos entram em operação, outros já estão estabelecidos”. A companhia diz ainda que a avaliação do jornal é isolada e simplista.

Nossa Cidade: qualidade é a chave para promover o transporte coletivo sustentável

  
  http://thecityfixbrasil.com/2016/08/25/nossa-cidade-qualidade-e-a-chave-para-promover-o-transporte-coletivo-sustentavel/?utm_source=TCFB&utm_medium=twitter&utm_content=qual
Nossa-Cidade_TRANSPORTE-COLETIVO
O projeto Nossa Cidade, do TheCityFix Brasil, explora questões importantes para a construção de cidades sustentáveis.
A cada mês um tema diferente.
Com a colaboração e a expertise dos especialistas do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, os posts trazem artigos especiais sobre planejamento urbano, mobilidade sustentável, resiliência, segurança viária, entre outros. A cada mês, uma nova temática explora por ângulos diferentes o desenvolvimento sustentável de nossas cidades.

Qualidade é a chave para promover o transporte coletivo sustentável

Quando a Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU) divulgou uma pesquisa, em março deste ano, revelando que no ano passado o transporte coletivo perdeu 900 mil passageiros por dia no Brasil, em comparação ao ano de 2014, a crise econômica foi considerada a principal responsável. Embora houvesse uma queda contínua da demanda nos últimos anos, essa foi a maior da década: chegou a 4,1%.
(Foto: Mariana Gil/WRI Cidades Sustentáveis)
(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
Para além dos problemas crônicos, como a divisão do espaço viário, por exemplo, que é de 20% para o transporte coletivo e 80% para o motorizado individual, e dos custos das tarifas, há um fator que ganha cada vez mais força: a qualidade. Se a crise econômica é um impeditivo, ele é agravado quando o usuário percebe que se trata de um serviço que não entrega totalmente o que promete.
Se os protestos de junho de 2013 já não foram suficientes para mostrar o que pensam os brasileiros sobre o transporte coletivo, fica claro tanto em levantamentos com usuários quanto na opinião de especialistas que fatores como superlotação e baixas velocidades afastam as pessoas. Além disso, anos de incentivos do governo à compra de veículos particulares fizeram as pessoas migrarem cada vez mais para motos e carros.
Como fazer para evitar a migração para o transporte individual e, para os que já migraram, como convencê-los a deixar os veículos em casa? Uma das chaves de transformação é pensar o transporte coletivo dentro de uma lógica de gestão integrada voltada para o cliente, que incorpore a sua opinião. Para Cristina Albuquerque, Coordenadora de Mobilidade Urbana do WRI Cidades Sustentáveis, a população precisa ser vista como cliente do serviço de transporte coletivo.
“O primeiro passo para estancar a queda na demanda e atrair novas pessoas é fazer com que o usuário seja visto como cliente. Ele tem que estar satisfeito e escolher o transporte coletivo por opção, não por que é a única opção. Garantir previsibilidade de tempo de viagem e diminuir esses tempos de viagem em relação ao transporte privado fará com que as pessoas optem naturalmente pelo transporte coletivo”, afirma Cristina.
O WRI Brasil Cidades Sustentáveis vem tentando contribuir com as cidades brasileiras nesse sentido, com a Pesquisa de Satisfação QualiÔnibus, uma ferramenta que permite conhecer a visão dos clientes. Ela avalia 16 fatores de qualidade que geram dados quantitativos para basear a tomada de decisão em relação ao sistema de transporte coletivo por ônibus. As informações servem de base para intervir nos pontos mais críticos do sistema na percepção dos clientes, iniciando um processo de gestão e melhoria baseado no ponto de vista do usuário.
Ainda se busca um modelo ideal de inclusão de critérios e índices nos contratos com as operadoras, para garantir aos clientes qualidade no transporte. Curitiba é um exemplo de cidade brasileira que tentou um modelo como esse. Mas há um consenso de que é preciso aferir o desempenho de quem opera o sistema sob o ponto de vista dos usuários. Pesquisas recentes mostraram como a confiabilidade, o tempo e a conveniência são importantes fatores de decisão para as pessoas.
Moradores em parada de ônibus na cidade portuária de Saint Denis. O acesso à informação sobre o trânsito em tempo real ajuda a reduzir os tempos de espera e aumentar o número de passageiros. Foto: Miwok/Flickr
(Foto: Miwok/Flickr)
Uma delas, realizada pela Xerox com 1.900 jovens em 19 cidades do Reino Unido, da França, da Alemanha, da Bélgica e da Holanda traçou um paralelo entre a realidade atual e as perspectivas para o futuro do transporte. Ao serem perguntados sobre quais fatores poderiam incentivar uma mudança de comportamento, eles responderam: um transporte multimodal que funcione. Para isso, citavam a necessidade de viagens mais rápidas, oferta mais frequente, novas rotas e mais informações, além de bilhetes integrado, ou seja, um cartão que possa ser usado em múltiplos (ou todos) meios de transporte.
Por outro lado, um estudo realizado pela Transit Center, organização com sede em Nova York, chegou à conclusão que a nova tendência de oferecer opções tecnológicas em ônibus, como Wi-fi ou carregadores de celulares, não significa mais usuários ou menos carros nas ruas. Os pesquisadores entrevistaram cerca de 3 mil pessoas de 17 regiões dos Estados Unidos para ouvir as melhorias que elas gostariam de ter nos sistemas de transporte com opções como melhores pontos de ônibus, serviços mais frequentes, conexão gratuita de internet, tarifas mais baratas, entre outras. Como resultado, descobriram que transporte de baixa frequência, lento e não-confiável, com estações desprotegidas e sem informações são os motivos que deixam os usuários mais descontentes.
O transporte coletivo é uma via fundamental para promover o desenvolvimento urbano de uma cidade, com benefícios sociais, ambientais e econômicos. Pensar as cidades do futuro passa por incentivar que ele seja cada vez mais sustentável e atenda às necessidades das pessoas.