quarta-feira, 26 de agosto de 2015

BNDES libera R$ 746 milhões para VLT do Rio

AUTOR: CAIO LOBO 

O BNDES aprovou um financiamento de R$ 746,5 milhões para a construção do VLT da cidade do Rio de Janeiro. O valor corresponde a 42% do total e foi liberado para o Consórcio VLT Carioca.
As obras seguem a todo o vapor. O veículo vai ligar a região portuária e o centro da cidade, passando pelo Aeroporto Santos Dumont e pela Rodoviária.
Em nota, o banco informou que parte do financiamento aprovado terá recursos do Fundo Clima, no valor de R$ 35,3 milhões. Isso porque o transporte tem baixa emissão de gases causadores do efeito estufa.
Quando pronto, o VLT terá 27 km de vias, 3 linhas e 32 estações. A primeira fase do modal deve entrar em operação em abril do próximo ano e uma segundo fase no fim de 2016.

Próxima estação “Leblon” e “Higienópolis”: o acesso de “gente diferenciada”

AUTOR: JOANATHA MOREIRA //  

A expansão do metrô do Rio e de São Paulo para bairros mais caros como Leblon e Higienópolis, respectivamente, gerou declarações de moradores como a de que “gente diferenciada” teria acesso aos bairros (veja a declaração de uma moradora de Higienópolis). A citação mais revela do que choca, pois constata o óbvio: a divisão de classes precisa também ser feita fisicamente. O acesso e o livre direito de ir e vir que a mobilidade urbana proporciona não chega a ser argumento plausível para o discurso daqueles que enxergam nos “desiguais” o outro, pois só são capazes de falar em igualdade de direitos quando se trata de “gente como a gente”. Os “diferenciados” devem, portanto, permanecer afastados dos bairros “residenciais”.
Como morador do Rio há quase dois anos, não foram poucas as vezes que ouvi os próprios cariocas dizerem que “arrastões” não existiam na Zona Sul antes das estações chegarem a Copacabana e Ipanema. Aliás, é comum dizer que, depois do metrô (linha 4), o Leblon se tornará uma Copacabana, como se isso fosse algo depreciativo.
É fato que o metrô dá acesso. Num domingo de sol, é comum ver o fluxo intenso das pessoas rumo as praias da Zona Sul. Pessoas que saem da Baixada Fluminense, Niterói, Zona Norte e Jacarepaguá acordam cedo para aproveitar o dia nas areias mais famosas do Brasil. O metrô se torna, assim, uma extensão da praia. São cadeiras, isopores, ambulantes, areia e gente com poucas roupas nos vagões dos charmosos Mafersas (modelo das composições da Linha 1).
O transporte permite, portanto, que as pessoas usufruam dos espaços públicos, mesmo não sendo um morador do bairro. Já que, com o metro quadrado mais caro do país, bairros como Leblon e Ipanema se limitam a uma elite de herdeiros, investidores estrangeiros e funcionários públicos. Com a média salarial paga no Rio de Janeiro (bem abaixo da de São Paulo), o trabalhador consegue, no máximo, morar longe das praias que ainda são apropriadas para o banho. Sem o acesso facilitado, boa parte da população não aproveitaria as areias da Princesinha do Mar, passando os fins de semana longe do Arpoador e sem poder aplaudir o pôr do Sol, mesmo sendo carioca e morando no Rio de Janeiro.
Talvez a praia do Leblon modifique o seu público com a chegada do metrô da Linha 4, prevista para ser inaugurada no meio do ano que vem. Mas não seria a praia o espaço em que as hierarquias e as divisões de classe deveriam deixar de existir? O acesso não será apenas físico. Será também humano. Quem se permitir e entender que uma cidade precisa dialogar entre si, enxergará o metrô não como uma ameaça ao status quo, mas uma oportunidade de inclusão e democratização dos espaços públicos. Próxima Estação: tolerância!

Medellín, na Colômbia testa primeiro VLT da Alstom

AUTOR: RENATO LOBO 

A cidade de Medellín, na Colômbia, testou o primeiro Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) da linha Ayacucho, produzido pela Alstom. Em abril de 2012, foram encomendados 12 veículos da série Translohr STE5, cada um com 39 metros de comprimento.
Os VLTs serão operados pelo Metrô de Medelín em uma linha com 4,3 km de extensão, que liga as linhas de metrô A e B e duas novas linhas de teleféricos metropolitanos da cidade. Serão nove estações, com abertura para o próximo mês de outubro. A nova linha deve atender a uma demanda de 85.000 passageiros por dia.
Sobre o Metrô de Medelín
A cidade conta com 38,1 km de rede, incluindo 2 linhas de metrô e 3 de teleféricos, conhecidos como “metrocable”. O sistema transporta em média quase 500 mil passageiros diariamente.

São Paulo tem o uso do carro como uma forma homicida

AUTOR: RENATO LOBO /

O professor Mario Sergio Cortella no quadro Escola da Vida, da rádio CBN, falou sobre o uso do automóvel como meio de deslocamento, em meio de uma enxurrada de ouvintes que questionam ações da prefeitura de São Paulo em desestimular o uso do carro, que são quase que divulgadas diariamente pela emissora.
O professor, que é pedestre e usuário do transporte coletivo, inicia sua aula dizendo que “de repente começa achar que a caminhada é fora de proposito…alguém só pode existir se tiver dentro de uma maquina de duas toneladas”. Cortela faz ainda uma comparação história: “caminhamos há quase 5 mil anos”.
O professor lembra ainda que a maioria dos deslocamentos na cidade são feitos através do transporte coletivo, ou pela caminhada ou pela bicicleta. “Não são nem um quarto…quem é o proprietário da cidade?”. ”
A âncora do programa CBN São Paulo, Fabíola Cidral, onde o quadro Escola da Vida é apresentado, lembra o estimulo enorme de publicidade direcionado ao carro, e que possuir automóvel significa status. Fabíola diz que o próprio governo federal estimula a compra de automóveis.
“É irracional alguém deslocar uma tonelada de ferro para buscar 100 gramas de pão. Pessoas se sentem diminuídas quando estão dentro de um ônibus” – afirma ainda o professor.
Terminando o quadro, Mario Sergio Cortella conta que o modo esta fadado ao fracasso, por conta da escassez do combustível fóssil e que São Paulo tem “uma forma homicida”, se referindo ao grande número de mortos vitimas do trânsito nosso de cada dia.
Escute o comentário completo:


CPTM inaugura nova Estação Ferraz de Vasconcelos

AUTOR: RENATO LOBO // 

Imagem de Ricardo Bianchi
A nova estação Ferraz de Vasconcelos será inaugurada nesta quarta-feira (26). A parada fica na extensão da Linha 11-Coral, entre Guaianazes e Estudantes. A reforma começou em 2009, e foi programada para ser entregue em 2012.
A abertura aos passageiros será feita nesta quinta-feira (27), a partir das 4h da manhã. De acordo com a CPTM, a readequação de uma galeria de água de chuva atrasou o cronograma de entrega. A nova parada possui 4.800 m² de área construída.
Extensão do Expresso Leste
Por hora, os trens do Expresso Leste ainda devem ter como destino inicial a estação Guaianazes. Quando foi anunciada a reforma da estação, a promessa era que o serviço seria estendido até a estação Suzano. Hoje, cerca de 24 viagens diretas são feitas entre a Luz e Estudantes, sem que o passageiro tenha que trocar de composição em Guianazes.
A CPTM informou em um comunicado que “a estratégia operacional para a circulação de trens na Linha 11-Coral, após a chegada do serviço Expresso Leste até Suzano, só poderá ser definida depois de avaliação da demanda de usuários no embarque e desembarque entre as estações Jundiapeba e Estudantes”.

CPTM encalha em velhos problemas das ferrovias que unificou

Revista do Brasil

ESTAÇÃO DESCASO
CPTM encalha em velhos problemas das ferrovias que unificou
Controlado por tucanos há mais de 20 anos e com baixo investimento, sistema não atende à necessidade da Grande São Paulo por transporte público ágil e decente
por Cida de Oliveira publicado 19/08/2015 
AVENER PRADO/FOLHAPRESS
Capa - Estação Brás.jpg
O Metrô de São Paulo foi construído na mesma época que o da capital chilena, no final dos anos 1960. A diferença é que o daqui tem 78 quilômetros de trilhos e o de lá 92. Outra diferença é que a região metropolitana de Santiago do Chile, com cerca de 6,6 milhões de habitantes, tem a metade da população da capital paulista. Diariamente, em média, 4,7 milhões de pessoas passam pelas catracas das estações em São Paulo. O sistema exibe sinais de que já não dá conta da demanda e – ao que tudo indica – deve chegar ao final desta segunda década do século 21 com os mesmos 78 quilômetros.
Um reforço poderia vir da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com linhas que cortam a cidade em praticamente todas as direções e ligam ao centro da capital e entre si dezenas de cidades da Grande São Paulo. A CPTM, porém, transporta hoje 2,8 milhões de passageiros por dia, embora disponha de 260 quilômetros de trilhos. Obviamente, as condições estruturais das vias, estações e trens da companhia, por ter uma história bem mais antiga que a dos automóveis como meio de mobilidade, não foram pensadas para atingir a mesma velocidade e volume de passageiros do Metrô. Mas algumas medidas de modernização, que andam em marcha lenta demais para o ritmo da metrópole, demonstram que a malha ferroviária tem um potencial muito maior do que o oferecido.
Ao completar 23 anos, em maio, a CPTM orgulha-se de ter deixado para trás a imagem frequente de passageiros pendurados ou se equilibrando no alto das composições. Também são coisas do passado usuários sem pagar passagem, atravessando cercas esburacadas. O comércio nos vagões, em que ambulantes ofereciam doces, salgados, bebidas, cigarros, brinquedos, revistas e eletrônicos, disputando no grito a atenção dos passageiros com pedintes e pregadores religiosos, é mais controlado.
Mas faltou aos sucessivos governos, desde 1992, dar a merecida prioridade ao trem. À época, o então governador, Luiz Antônio Fleury Filho, assinou a lei que criou a CPTM ao lado do então vice e secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Aloysio Nunes Ferreira Filho, hoje senador (PSDB-SP).
“Fleury criou a CPTM para gerir concessões, uma empresa com estrutura ruim e de caráter provisório. E prometia reduzir os intervalos entre trens para três minutos. Mario Covas assumiu em 1995 e seguiu o mesmo caminho”, lembra o estudante de Planejamento Territorial na Universidade Federal do ABC (UFABC) Caio César Ortega, idealizador do Coletivo Metropolitano de Mobilidade Urbana (Commu). Duas décadas depois, o intervalo ainda é um sonho cuja realização nunca é prioridade – e tampouco o orçamento é cumprido. De 2003 a 2014, o total orçado para o setor somou R$ 8,2 bilhões, em valores atualizados, mas R$ 1,1 bilhão deixou de ser investido.

Fora dos trilhos

A atual frota da companhia tem 196 trens. Em setembro passado, o BNDES aprovou financiamento de R$ 982 milhões para a compra de mais 35, a serem fabricados pela CAF Brasil, em Hortolândia, no interior paulista. A empresa é uma das envolvidas em supostas irregularidades praticadas em contratos de obras, serviços de manutenção e fornecimento de equipamentos celebrados pelos governos tucanos.
FOTOS DANILO RAMOS/RBASonho 3
Estação Francisco Morato, prometida para 2011, ficou para 2017; a estação provisória é insegura
As denúncias abrangem integrantes dos governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, além de diretores de 18 empresas do setor metroferroviário, conforme revelações feitas por um executivo de uma das suspeitas, a multinacional alemã Siemens, em 2013. Na lista, inclui a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a japonesa Mitsui. E a formação de cartel para celebração de contratos até 30% acima do valor, conforme estimativa do Ministério Público (MP) de São Paulo.
Os contratos de manutenção preventiva e corretiva com a CPTM são alvo de diversos inquéritos do MP paulista. Um deles, concluído em dezembro, examinou acordos assinados entre 2001 e 2002 para manutenção de composições com Alstom, Adtranz, CAF e Siemens – todas empresas com diversos acordos ainda em vigor com o governo de São Paulo.
No inquérito, os promotores pedem ressarcimento ao estado de R$ 418 milhões e a dissolução de dez empresas envolvidas. A matriz espanhola da CAF ficou de fora do pedido de dissolução, mas foi incluída no de ressarcimento. Na época, o promotor Marcelo Milani disse acreditar em irregularidades nos novos contratos, que poderiam ter sido evitadas se o MP tivesse levado adiante as investigações em 1997, quando as autoridades da Suíça já verificavam pagamento de propinas.
Ainda em dezembro, a Polícia Federal indiciou 33 executivos. Entre eles, um ex-presidente da CAF, Agenor Marinho Contente Filho, e um ex-presidente da CPTM, Mário Bandeira, cujo nome circula entre trabalhadores da companhia como o “cunhado de Alckmin”, além de quatro diretores. Bandeira foi defendido, elogiado e mantido no cargo pelo suposto cunhado até o final de fevereiro.
A lista inclui o ex-diretor de operações e manutenção José Luiz Lavorente, o diretor de engenharia e obras Ademir Venâncio de Araújo (que teria US$ 1,2 milhão em cinco contas na Suíça), o diretor de operações da estatal nas gestões Covas e Alckmin João Roberto Zaniboni (que teria lá US$ 826 mil), e Antonio Kanji Hoshikawa, diretor administrativo na gestão Alckmin (2003-2006).
Em abril, foi o Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec), do MP paulista, que denunciou à Justiça diretores de 12 empresas por participação em esquema de contratos de fornecimento de trens e de manutenção assinados em 2007 e 2008, durante a gestão Serra. Entre eles, o executivo da CAF José Manuel Uribe e o ex-presidente da comissão de licitações da CPTM Reynaldo Rangel Dinamarco. Outras empresas com diretores denunciados foram as habituais Alstom, Bombardier e Tejofran.
A CAF tem outra ligação com a CPTM. O mesmo Agenor Marinho Contente Filho está vinculado à CTrens – Companhia de Manutenção. A empresa não mantém sequer um site para divulgar suas atividades. Porém, segundo o Sindicato dos Empregados em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana (Sinfer), a CTrens faz manutenção de composições das linhas 8 e 9 em um pátio da estatal na estação Presidente Altino, em Osasco, na Grande São Paulo. “Não se sabe ao certo como é feito o trabalho de manutenção. Eles não permitem a entrada de gente do sindicato lá”, diz o diretor do Sinfer Evângelos Loucas, o Grego. A CPTM não atendeu às solicitações de entrevista.

Sucateamento

Foco dos contratos investigados, a manutenção não é o forte das linhas. A mais sucateada, a 7-Rubi, é conhecida pelos velhos trens da série 1100, fabricados nos Estados Unidos entre 1956 e 1957, além de outros com a lataria remendada e goteiras nos vagões. Em julho de 2000, uma composição com falhas nos freios atingiu outro na estação Perus. Morreram nove pessoas, e 115 ficaram feridas. Vítimas e familiares ainda lutam na Justiça por indenização. Em julho de 2012, dois trens da mesma linha se chocaram na estação Barra Funda, matando cinco pessoas e deixando 47 feridas.
Aparentemente mais moderna, a linha 8-Diamante carece de reformas em sua via. Em dezembro de 2011, dois trabalhadores experientes foram atropelados e mortos por um trem durante uma inspeção regular nos trilhos, perto da estação Barueri.
Isso aconteceu menos de uma semana depois de três outros funcionários serem mortos entre as estações Belém e Tatuapé da linha 11-Coral. Dias depois, o governador Alckmin extinguiu a 3ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente, o Meio Ambiente do Trabalho e as Relações do Trabalho. Vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o órgão investigava as causas do acidente. Oficialmente, foi extinta para otimização dos recursos humanos e materiais.
Comparada ao Metrô, a linha 9-Esmeralda margeia o Rio Pinheiros, cortando bairros nobres da zona sul. Liga Osasco ao bairro do Grajaú, na zona sul. Recebeu investimentos, estações e trens novos entre 1998 e 2000, entre os quais os famosos espanhóis doados pela Renfe mediante contrato de reforma assinado por Covas, no valor de R$ 93,2 milhões, sem licitação. As panes, porém, são frequentes. Em fevereiro de 2011, um trem descarrilou próximo à estação Ceasa.
RIVALDO GOMES/FOLHAPRESSRio Grande da Serra
Na Linha 10-Turquesa da CPTM, a passarela está apoiada em estrutura metálica para não cair
Partindo do Brás até Rio Grande da Serra, cortando São Caetano, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, municípios da região do ABC, a Linha 10 é outra com vagões velhos e estações malconservadas. A de Rio Grande da Serra tem passarela apoiada em uma estrutura metálica instalada emergencialmente. O telhado da única plataforma em operação tem péssimas condições, assim como os banheiros. A Linha 11- Coral tem dois trechos. Um que vai do Brás à estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, e outro que sai da Luz e vai até Itaquera – o Expresso Leste, com menos paradas. Antes de receber trens novos para a Copa, a linha sofreu uma pane em 2008, deixando 60 mil pessoas sem transporte. Os passageiros apedrejaram o trem.
DANILO RAMOS/RBAA Viajante
Usuária há 20 anos, Andréia publicou livro de crônicas com histórias do trem

Intervalos crônicos

Autora do livro de crônicas A Viajante do Trem, Andréia Garcia, 42 anos, promove saraus na estação do Brás. Usuária da CPTM há 20 anos, ela publica toda semana em seu blog casos que só acontecem ali.
“Embora estejam mais confortáveis e com linhas novas, os trens ainda são superlotados. É preciso diminuir o intervalo, mas isso depende de mais trens e menos falhas”, diz. “Há várias linhas que não se concretizam como prometido, o que é sério. Isso dá a entender que, por ser investimento público, as verbas escorrem, como não deveriam, causando os atrasos que todos vemos a cada dia.”
Reforçando a queixa de seu colega Grego, do Sinfer, o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, Leonildo Bittencourt Canabrava, cobra investimentos na manutenção da frota, das vias, da sinalização, da comunicação e do fornecimento de energia. “Os trens saem a cada cinco minutos, mas com a redução de velocidade e paradas entre as estações esse intervalo muda no trajeto. Do jeito que estão as vias, não há hoje como diminuir os intervalos”, afirma Canabrava.
Segundo ele, os maquinistas relatam os problemas que afetam as viagens. As soluções chegam a demorar três, quatro meses. Nas condições atuais, cinco trabalhadores levam uma hora para trocar um dormente, e os trens ficam sem circular por cerca de duas horas, no início da madrugada. Por isso, a curto prazo, é necessário contratar trabalhadores e investir em equipamentos mais modernos. E a médio prazo, tirar do papel o ferroanel, para que os trens de carga, lentos e pesados, deixem de usar as linhas dos trens de passageiros.
DANILO VERPA/FOLHAPRESSLinha 7-Rubi da cptm
Caminhada pelos trilhos entre Pirituba e Lapa em dia de pane na alimentação elétrica
A companhia lucrou R$ 123,3 milhões em 2014, apesar de cortes. E informa em seus relatórios que moderniza os sistemas de energia, construindo e reformando subestações e cabines seccionadoras em praticamente todas as linhas; que revitaliza a faixa ferroviária em toda a rede, essencial para a conservação das vias; e que implementa os chamados sistemas de sinalização e de comunicação entre trens, centro operacional e estações. Porém, no final de fevereiro, suspendeu, por tempo indeterminado, diversos contratos.
Segundo o próprio governo paulista, foram suspensos 38 dos 252 contratos da estatal em obediência ao Decreto 61.061, assinado por Alckmin em janeiro sob alegação de equilibrar as despesas. As responsabilidades de falhas são lançadas sobre trabalhadores. Descarrilamentos e acidentes geralmente sobram para o maquinista.
São profissionais que estudam na própria CPTM para operar seus trens durante oito horas por dia, sem horário de almoço, fazendo refeições fracionadas a cada troca de composição na estação terminal – pouquíssimos deles almoçam, mas só porque conquistaram esse direito na Justiça. Entram a cada dia em horário e locais diferentes. Têm de estar atentos à sinalização e a qualquer nova trepidação na via e se antecipar a falhas na comunicação, muito frequentes. É quando é apertado o botão “prosseguir em velocidade reduzida” ou o trem é parado. “Toda atenção é pouca. Se avançar a sinalização, o trem sair do trilho ou bater no da frente, na melhor das hipóteses estamos na rua”, afirma Canabrava.
Conforme os sindicatos, falta manutenção também nas estações. Das 96, só 30% estão no padrão. Na Brás Cubas, há uma diferença de 30 centímetros entre o piso da plataforma e a porta do trem. A CPTM fala em construção, reforma e adaptação de estações, destacando a de Franco da Rocha, entregue ano passado, e obras nas de Suzano e Ferraz de Vasconcelos.
Porém, a estação de Francisco Morato, que já foi paga, não passa de um sonho da população. Licitada em 2009 e prometida para março de 2011, só deverá ficar pronta no final de 2017. O consórcio vencedor, Consbem/Tiisa/Serveng, cobrou
R$ 65,5 milhões para construir esta e a estação de Franco da Rocha, que já entregou. A CPTM pagou R$ 63,5 milhões. A estação provisória, desde 2010, tem plataformas estreitas. Para acessá-las, os usuários são obrigados a atravessar sobre os trilhos. O portão de saída não dá vazão principalmente no horário de pico. Não há acessibilidade para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
FOTOS DANILO RAMOS/RBASonho
Daniele Almeida, estudante: só justificativas para sem fim
“A justificativa é que a estação fica numa área de aterramento, instável, que alaga e requer obras da prefeitura, como um piscinão. E que há briga na Justiça com o consórcio que perdeu a licitação”, conta a estudante de Jornalismo Daniele Almeida, 21 anos, moradora de Franco da Rocha.
Também integrante do Coletivo Metropolitano de Mobilidade Urbana, ela participou de reunião em junho com o presidente da CPTM, Paulo de Magalhães Bento Gonçalves. Daniele já chegou a ficar dentro de um trem lotado por mais de duas horas, no escuro, com as portas fechadas, entre as estações Pirituba e Piqueri. “Havia mulheres grávidas, pessoas passando mal. Só depois de uma hora e meia fomos informados de que faltou energia.”
O estudante da UFABC Caio Ortega afirma que a CPTM é “controlada por pessoas que não conhecem a empresa e tampouco sabem o que farão para reduzir a humilhação diária à qual o passageiro é submetido nos horários de pico”. Para ele, há dez anos o governo estadual subestimou a demanda dos subúrbios, para então se espelhar excessivamente no Metrô. “Ignorou as longas distâncias, negligenciou regiões que giram em torno de cidades como Jundiaí, Campinas, Santos e São José dos Campos, agravando a pressão sobre as rodovias e enfraquecendo o papel da ferrovia como serviço de metrô urbano e regional.”
A solução do problema, avalia o estudante, depende de reforma administrativa que afaste a CPTM do antigo sistema ferroviário e se volte para o cenário atual. E que constitua um plano de desenvolvimento apoiado nos trilhos, envolva as prefeituras e estimule planos diretores abrangentes. “O governo precisa ser menos preguiçoso, ouvir consultores, pesquisadores, a população, e acabar com os contratos e seus aditivos intermináveis que assina com as grandes empreiteiras que financiam sua campanha.”
CPTM MAPA
Tabela mapa trens

Linha 7 –Rubi: Inaugurada em 1867, passou à E. F. Santos a Jundiaí e à Rede Ferroviária Federal. Trens velhos superlotados, problemas de sinalização e fornecimento de energia.

Linha 8 –Diamante: Criada em 1875 como Companhia Sorocabana, foi estatizada em 1919 e em 1971 tornou-se Fepasa. Carece de reformas. A manutenção dos trens piorou com terceirização desses serviços.

Linha 9 – Esmeralda: Entre 1998 e 2000 ganhou estações e trens novos. Superlotada, a linha mais bonita carece de subestação elétrica e tem gargalos nas integrações Pinheiros e Largo 13.

Linha 10 –Turquesa: Com a mesma origem da Linha 7, tem trens antigos, superlotados, panes elétricas e de sinalização. Como nas demais linhas, os trilhos irregulares precisam de reforma.

Linha 11 – Coral: Criada em 1875 para ligar São Paulo e Rio, tornou-se E.F Central do Brasil em 1889. Superlotada, necessita de novas estações e de sistemas de controle e sinalização.

Linha 12 – Safira:
 Construída em 1932 pela Central do Brasil, tem estações antigas, em péssimo estado de conservação, composições superlotadas e problemas elétricos e na sinalização.
Expresso Leste: Complementar à linha 11 Coral, para somente nas estações Brás, Tatuapé e Guaianases. Seus trens são os mais lotados de toda a rede.
Prejuízos generalizados

Dinheiro federal -
 Somente em aval para empréstimo até o momento, o governo federal já concedeu R$ 22 bilhões para o estado, junto ao BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica e instituições multilaterais de fomento, como Banco Mundial, JBIC, BID, entre outros, para obras metroferroviárias.
Do PAC Mobilidade Urbana, o estado e as cidades paulistas ganharam R$ 4,5 bilhões a fundo perdido do Orçamento Geral da União. Serão R$ 400 milhões para a Linha 18–Bronze, monotrilho que ligará a cidade de São Paulo a São Bernardo do Campo, passando por Santo André e São Caetano.
Também serão repassados, a fundo perdido, R$ 1,3 bilhão do Orçamento da União para três projetos: a construção da Linha 13–Jade, duas novas estações na linha 9 e a reforma de 18 estações. A lista de obras é longa:

Atrasos – Os usuários deverão continuar se apertando por muito mais tempo. As razões dos atrasos vão de obras paralisadas pelo Tribunal de Contas por irregularidades em editais, em licitações e em contratos, a falta de recursos.

Extensão Linha 9 até Varginha – Orçada em R$ 727 milhões, a obra que inclui a estação Mendes foi prometida para 2014. Ainda em fase de desapropriação dos terrenos, tem novo cronograma para 2016, com recursos do PAC.

Linha 13-Jade – Ligação de São Paulo ao aeroporto de Guarulhos, com 12,2 quilômetros de extensão, ao custo de R$ 1,8 bilhão, deverá transportar 130 mil passageiros por ano. Prometida para 2014, não deve sair antes do final de 2017. Alckmin alega que faltam repasses federais, mas o projeto original não previa recursos da União.

Modernização de estações – Em 2007, o então governador José Serra (PSDB) prometeu modernizar 63 estações ao custo de R$ 2,5 bilhões no prazo de quatro anos. O prazo terminou em 2011, mas apenas 15 estações (23% do prometido) foram modernizadas.

Trens regionais – São Paulo a Sorocaba – Anunciado em 2013 e previsto para funcionar em 2017, não tem data para sair do papel. O projeto prevê investimento de R$ 4 bilhões, com a construção de trilhos e estações em Sorocaba e São Roque. 

Trem Intercidades – Litoral-Interior – Em dezembro de 2013, sem detalhar o projeto, Alckmin anunciou um trem ligando São Paulo, Santos, Jundiaí, Sorocaba, Campibnas e São José dos Campos. A primeira etapa começaria por Campinas. A ideia está parada no Conselho Gestor das Parcerias Público-Privadas.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A outra cidade que aparece quando a Paulista fecha para os carros

por : 
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O segundo teste de proibição para tráfego de automóveis na avenida Paulista coincidiu com a inauguração de mais um trecho da ciclovia e foi uma mostra de quanto a cidade só tem a ganhar com essas iniciativas.
A primeira e mais óbvia constatação foi o volume de pessoas. São Paulo é uma cidade carente de lazer e a ocupação do espaço público uma necessidade básica para cidadãos de todos os extratos da sociedade.
Segunda observação: a Paulista é o local com vocação natural para ser a praia – ou uma delas – do paulista. Já há muitos anos que a esquina da alameda Joaquim Eugênio de Lima tem este apelido. Na avenida há livrarias, muitas dezenas de bares, lanchonetes, museu, feiras de artesanato, cinemas, shopping centers, infinitos (e alguns ótimos) artistas de rua. Um deles, era ninguém menos que Edgar Scandurra, do Ira. Chegou com sua bike, parou na calçada, ligou um amplificadorzinho e empunhou a guitarra.
Cantou os versos de Bici, bike, magrela: “São Paulo está diferente, pedala olhando pra frente, São Paulo está mais contente.” Perguntei a ele se acreditava que a cidade estava mudando de fato ou se estávamos fadados a sermos os pobres paulistas a viver na pobre São Paulo.
“Acredito que sim. A pessoa tem que ser muito mal humorada para ser contra isso. É um sucesso e o futuro é esse mesmo. É popular, o povo teve iniciativa de ocupar as ruas. Acho que em 3 ou 4 anos teremos muito mais gente andando de bicicleta” E qual sua opinião a respeito da frequência para esse fechamento, semanal ou mensal? “Tem que ser um passo de cada vez, São Paulo tem uma população muito conservadora, mas uma vez por semana estaria de bom tamanho. Acho que vamos chegar a esse ponto.”
Foi extremamente agradável ver que as manisfestações artísticas, sobretudo as musicais, tiveram uma ampliação em termos quantitativos como também em apreciação. Todas tinham um bom público, alguns tomando plenamente as 3 pistas fora da ciclofaixa.
Um outro argumento que durante a semana havia circulado era de que o comércio seria prejudicado. Ficou evidente a não concretização do pessimismo, como acredito que para muitos o volume de vendas tenha aumentado dada a quantidade de pessoas, sobretudo no segmento alimentação. Bares e lanchonetes vendiam bem e a demanda mostrou-se faminta.
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Na Praça Osvaldo Cruz uma área com food trucks teve grande movimentação e o corredor na altura da FIESP que liga a avenida até o antigo hospital Matarazzo esteve lotado o tempo todo. O novo e bonito espaço gastronômico no Mirante Nove de Julho recebeu cerca de 9 mil visitantes segundo os organizadores. Obviamente que havia muita dificuldade em estacionar as bikes no limitadíssimo bicicletário e precisei amarrar a minha magrela em um poste no outro lado da pracinha. Os preços do local são bem salgados mas a vista é espetacular.
Vendedor desde 1991 na região, Piauí faz o contraponto da lucratividade. Sua preocupação é com o bem estar da cidade. “A Paulista não está fechada, os carros é que não podem entrar. As pessoas podem vir, a avenida tem 4 estações de metrô. Hoje está sensacional, olha quantas famílias.” E para os negócios? “Não muda nada, não vendi nem mais nem menos, é tudo igual. O que me deixa feliz é ver o cadeirante, a criança, o idoso, todos andando no meio da avenida.”
A terceira constatação que posso depreender é a de que o “tudo junto e misturado”, com ciclistas, pedestres, patinadores, skatistas, crianças em carrinhos e muitos cães, será de grande proveito para habituar o paulistano a respeitar a diversidade de meios de locomoção e de interação entre todos. Deixa de ser uma pista de corrida para se tornar um posto harmonioso. Aí a cidade dá uma demonstração de ser cosmopolita, mostrar-se apta a abrigar diferentes culturas e modos de vida.
Quarto aspecto a ser registrado, o impacto no trânsito. Acompanhei as vias paralelas à avenida Paulista. Às 11:40, o trânsito na Alameda Santos era normal, intenso como sempre mas sem congestionamento. Exatamente como do outro lado, na rua Luis Coelho (às 11:50), com retenções apenas nos semáforos. Assim como na primeira experiência realizada em junho, a circulação desviada para as ruas adjacentes não sofreu grandes impactos, como constatado na oportunidade pelo estudo realizado pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
O prefeito Fernando Haddad terá agora que negociar com o Ministério Público e com a associação dos moradores e comerciantes para que a iniciativa prevaleça. Não faltarão os urubus de plantão, mas como disse Edgar Scandurra, um passinho de cada vez. Ele faz parte das pessoas que querem melhorar a cidade, e não apenas ridicularizá-la.

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