segunda-feira, 12 de maio de 2014

Série: Mobilidade e Cidadania – Causas da Falta de Investimento e de Planejamento Urbano

Viatrolebus

Marcelo Santos


Parte 1 – Causas da Falta de Investimento e de Planejamento Urbano
Colaboração de Eriy Okagawa
O artigo inicia com uma pergunta que acaba gerando outra pergunta: quem ignora mais a mobilidade e a cidadania? O governo ou nós, os cidadãos?
Para responder à primeira pergunta do título deste artigo pode-se dizer que: “A mobilidade sempre foi ignorada por que nunca soou tão importante nas plataformas de governo por que tanto a segurança pública como a saúde sempre foram muito deficitárias e mesmo com os investimentos que foram e estão sendo feitos, tais ações ainda não refletem atender com atender com qualidade à demanda da população.” Tal resposta não é totalmente a verdade, mas podemos dizer que foi a lógica que muitos governos usaram até hoje.
Já a segunda pergunta tem uma resposta que não gostaríamos de ter que lembrar, pois é um ciclo: “o cidadão elege, mas não cobra do elegido, o governo promete, é eleito, mas não faz e engana o eleitorado que confiou nele, o cidadão elege…” E por aí vai. Colocando estas dinâmicas sociais um pouco de lado, vamos analisar a seguinte questão: quais são os pilares principais de um governo voltado a atender as necessidades da população? Tais pilares podem ser: Educação, Segurança, Saúde e Infraestrutura. Mas onde entraria a mobilidade? Veja no quadro a seguir:
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O quadro acima mostra de uma forma muito simplificada as ações de um governo consciente e voltado para a melhoria de qualidade de vida da sociedade. É evidente que no quadro estão sendo mostradas ações globais e que a solução das questões aqui levantadas é muito mais complexa do que podemos imaginar.
Mobilidade, que está inserida na área de infraestrutura, nunca teve a atenção que merecia por parte de muitos governos. Todas as obras feitas até atualmente foram somente básicas para atender à sociedade. “Não há recursos suficientes”, os governos respondem. Mas será que com tanta arrecadação de impostos os governos realmente não têm condições de oferecer infraestrutura (saneamento e energia elétrica, como por exemplo) aos cidadãos que precisam dela e ao mesmo tempo oferecer soluções para problemas cotidianos em outras áreas do país que já contam com esta infraestrutura? É evidente que o governo tem condições de cumprir tais ações simultaneamente, sem precisar criar ou aumentar os impostos ou tarifas para isso.
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O Brasil, que é o quinto maior país do mundo em extensão territorial, ainda possui o coronelismo como herança política. Ou seja, mesmo atualmente vemos a compra de votos como forma de controlar o poder econômico e político. Isso sem falar na corrupção cada vez maior. Todas estas práticas ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.
Assim, de forma geral, o Brasil ainda precisa realizar muitos investimentos nos estados das regiões Norte e Nordeste, embora muito já tenha sido pelas regiões, a corrupção impossibilita a materialização da infraestrutura e isso acaba tornando se recorrente no país como um todo. Estas regiões foram historicamente deixadas de lado, porem o crescimento econômico tem sido enorme nos últimos anos o que comprova as grandes chances de crescimento e desenvolvimento, faltando apenas o investimento. Já a região Centro-Oeste teve o seu crescimento acelerado após a inauguração de Brasília.
O crescimento das regiões Sudeste e Sul se deu em seu primeiro momento à custa da economia baseada na cultura da cana de açúcar, do café e na pecuária. Com a industrialização do país, muitos brasileiros saíram de regiões menos favorecidas de nosso território para tentar a vida “nas grandes cidades”. A promessa de melhor qualidade de vida motivou a muitos a fazerem o êxodo social que dominou o país em meados do século XX. Sem este movimento social-econômico, provavelmente tais regiões não alcançariam a economia tão forte que hoje possuem e por isso a eles devemos o nosso obrigado. Atualmente, tais regiões sofrem com o seu crescimento e desenvolvimento desenfreado, com a explosão demográfica e a falta de segurança e saúde públicas. E claro, também pela ausência de planos de governo para melhorar a mobilidade urbana das megalópoles paulistana e carioca como por exemplo.
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Como uns todos em todas as regiões do país sofrem com a falta de planejamento urbano. O próprio cidadão não interessa pelo assunto e não participa das câmaras participativas para as definições do Plano Diretor de cada cidade, como por exemplo. Pode-se resumir que estamos vendo atualmente a falta de preparação administrativa nas gestões municipal, estadual e federal e as cidades estão pagando por este efeito “bola de neve”.
Este texto é o primeiro de uma minissérie que vai mostrar como a mobilidade e cidadania são vistas em outros lugares do mundo. Caso você possua material (imagens ou vídeos) das empresas que atuam na gestão dos sistemas metroviários, ficaríamos felizes de compartilhar aqui no Via Trólebus. Daremos o crédito a imagens e textos.

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