terça-feira, 22 de novembro de 2016

Os bondes, barcas e trens que fizeram o Rio de Janeiro

_MuseuImperial_ArquivoHistorico
Restaurante da barca Guanabara - Porto Mauá
créditos: MuseuImperial | ArquivoHistorico
Mobilize
Livro conta a história da cidade a partir dos seus meios de transporte urbano
Do transporte mais primitivo como cadeirinhas ou bicicletas aos modernos metrô, VLT e, de novo, as bicicletas, o livro A Costura da Cidade - A Construção da Mobilidade Carioca traz mais de 150 fotos garimpadas dos principais acervos iconográficos cariocas, como os Arquivos Geral da Cidade e Nacional, Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa, os institutos Moreira Salles e Pereira Passos e da Rio Trilhos.

As 280 páginas trazem anúncios publicados em jornais do passado e de coleções particulares de 1808 aos dias de hoje. O livro acompanha o desenvolvimento urbano da cidade, a abertura de suas vias, a ocupação das áreas e as transformações provocadas, no espaço público e também na vida cotidiana, a cada novo invento de transporte. Tudo de maneira muito atraente. Para isso, o autor Antônio Edmilson Martins Rodrigues, historiador, escritor e professor da PUC-Rio, mescla história e ficção, ao narrar esse percurso a partir de várias gerações de uma família fictícia, que atravessam o tempo e testemunha as mudanças na cidade.

“Hoje, temos o skate e as bicicletas como modos de locomoção bastante contemporâneos, alternativas individuais que levam as pessoas de um lugar a outro. Na Orla Conde – muitos andam a pé entre a Praça XV e a Praça Mauá, forma bastante particular de percorrer a cidade. Destaco que é importante que a população, hoje com 6 milhões de habitantes, repense a mobilidade, principalmente pelos transportes coletivos”.

Professor universitário e especialista na história do Rio de Janeiro, o autor comemora as recentes transformações na área. “Ficou mais fácil chegar e sair da Barra da Tijuca, para onde o Rio está se expandindo. Demos uma arrancada. Nossa cidade só passou a ter metrô nos anos 1970, enquanto Buenos Aires, por exemplo, dispõe desde o final do século XIX”. Ele lamenta que os trens atualmente transportem muito menos passageiros que o fazia em seu auge, nos anos 1980. “ Os nove ramais da Rede Ferroviária foram fundamentais para a integrar o Centro com os subúrbios e o interior do estado”.

"A partir da história da mobilidade urbana do Rio, o livro acaba por revelar temas preciosos da cidade, como desenvolvimento urbano, costumes, cultura. A ideia foi, assim, apresentar um panorama do Rio em seu caráter essencialmente mesclado: histórias que se cruzam, territórios que se ampliam, tempos que são ecos de uma mesma trajetória. Mas a história só teria relevância se mostrasse seus efeitos na vida das pessoas. Por isso optamos por um texto que mostrasse os reflexos das mudanças em personagens da cidade e convidamos a Valda Nogueira para encarnar esse sentido do permanente movimento carioca – apresentando o contexto contemporâneo dessa história que continua em curso", sublinha Ana Cecilia Impellizieri Martins, editora do livro.

A fotógrafa Valda Nogueira produziu um ensaio exclusico para a edição, percorrendo a cidade de ônibus, metrô, trem, moto-táxi, bicicleta, teleférico, plano inclinado, barca e a pé. Ex-moradora da Maré, ela revela em suas imagens um olhar ora do passageiro ora do pedestre, criando uma série de sobreposições que criam o que ela chama de A Terceira Cidade.

CuriosidadesFatos pitorescos são relatados no livro. Um deles é que no tempo dos bondes o Rio era considerada uma das cidades mais bem servidas do mundo. Havia vários tipos de bonde: de luxo, de serviço, de saúde, socorro etc. O desenvolvimento do bairro de Copacabana é atribuído ao bonde e ao Túnel Velho. Outra curiosidade: nas décadas de 1950 e 1960, circulou entre a Central e a Urca o “ônibus caolha”. O apelido foi dado porque a frente do veículo era incompleta: motorista de um lado e motor do outro.


Lançamento:

Nenhum comentário:

Postar um comentário