quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dilma vai discutir planilha de cálculo de passagens do transporte público

Presidente vai convocar reunião com prefeitos, governadores e empresários.

Municípios usam metodologia de cálculo de passagem obsoleta, diz Dilma.


Priscilla MendesDo G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (17) que convocará uma reunião com gestores públicos e prestadores de serviços de transporte para discutir a planilha de cálculo das tarifas do transporte público. Ela falou da necessidade de melhoria da mobilidade urbana durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em Brasília.
Dilma discursa na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio Itamaraty (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)Dilma discursa na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio Itamaraty (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)
Dilma disse que participarão da reunião, ainda sem data definida, prefeitos, governadores, movimentos sociais, a Frente Nacional de Prefeitos, o Fórum Nacional de Secretários de Transporte, setores da academia, prestadores de serviço de transporte e trabalhadores do setor. “É uma ampla reunião e, na pauta, está a planilha de cálculo das tarifas”, afirmou.
O trânsito na cidade é como a circulação do sangue no nosso organismo, portanto, não foi uma questão menor que desencadeou as manifestações de junho, foi uma questão muito importante"
Dilma Rousseff, presidente
Atualmente, a maioria dos municípios, segundo a presidente, utilizam uma metodologia para o cálculo do preço das passagens desenvolvida em 1984 e atualizada em 1993. “Portanto, [de] vinte anos atrás”, destacou. Dilma, porém, não detalhou que sugestões o governo pretende fazer a respeito das planilhas.
Ela lembrou que, antes mesmo das manifestações terem início, o governo federal zerou a incidência de PIS/Cofins em serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário e ferroviário e reduziu os encargos da folha de pagamentos dos transportes metroviário e rodoviário. Todas essas medidas, segundo ela, possibilitaram corte de até 7,23% no preço das passagens.
A presidente criticou a situação atual do transporte público brasileiro, o qual disse ser “de má qualidade, extremamente apertados - como sardinha - e com uma frequência não tão adequada em várias partes do nosso país”.
Ela também criticou a falta de investimentos, segundo ela, na área de mobilidade urbana nos últimos anos. O Brasil, disse, é “pobre” em transporte público. No mês passado, durante pronunciamento em cadeia nacional, ela prometeu R$ 50 bilhões para obras de infraestrutura.
“A questão urbana é extremamente grave em outros países do mundo também, em países ricos e desenvolvidos. Num país pobre como o nosso - entre parênteses pobre porque não foi investido o suficiente nos últimos anos nessa área. Nós somos pobres nessa área. Não foi investido primeiro por causa da crise da dívida e segundo porque não foi investido”, afirmou.
O espaço urbano, afirmou, é um espaço “extremamente desigual” inclusive para as pessoas com maior renda, “porque são impactadas por um trânsito infernal”. Ela defendeu o motivo inicial que desencadeou as primeiras manifestações em São Paulo, o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus.Dilma lembrou que no passado, dizia-se que o Brasil não “merecia” ter metrô, meio de transporte tido como muito caro na época. “Como ter uma cidade com 20 milhões de habitantes em transporte urbano?”, questionou ao citar a cidade de São Paulo.
“O trânsito na cidade é como a circulação do sangue no nosso organismo, portanto, não foi uma questão menor que desencadeou as manifestações de junho, foi uma questão muito importante”, disse.
O governo, segundo disse, precisa “salvar” as cidades médias para conter o “caos” que os grandes centros vivem atualmente.

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