terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Assembleia sedia lançamento de livro sobre mobilidade urbana


Especialistas defendem democratização do espaço público

Da Redação Keiko Bailone- Fotos: Maurício Garcia de Souza

do sítio da ALESP
http://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=375549

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Solene ocorreu nessa quinta-feira 8/12
Sessão solene ocorrida na quinta-feira, 8/12, sob a presidência do deputado José Zico Prado (PT), marcou o lançamento do livro Mobilidade Urbana no Brasil. Trata-se de uma coletânea de artigos escritos por professores universitários, sindicalistas, cicloativistas, pedativistas, técnicos de transportes, gestores e representantes de movimentos sociais. A organização desse material, em dez capítulos, coube a Evaristo Almeida Prates dos Santos, coordenador do Setorial Nacional de Transportes do PT.

Evaristo Almeida trabalhou durante um ano, selecionando os autores entre estudiosos e militantes da área nos movimentos populares, auxiliando na escolha de temas que melhor refletissem a vivência desses especialistas, cobrando o material e organizando os artigos que compõem este título. Ele disse que o livro tem, como ponto de partida, o própósito de "oferecer elementos ao povo brasileiro para fomentar a construção de cidades sustentáveis" e, nesse sentido, mobilidade urbana implicaria inclusão, participação social e busca de qualidade de vida. "Afinal, as cidades são uma grande invenção da humanidade", enfatizou Evaristo Almeida.

Os autores

Pelo menos dez autores do livro apresentaram um resumo de seus artigos nesta sessão solene. Karina Leitão, professora do Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), explicou que o livro trata da crise da mobilidade urbana, em que os espaços são notoriamente ocupados pela elite. "Há uma disputa pelo espaço e deslocamento e quem vence essa briga são os que ganham mais", observou. E isso estaria na contramão do que qualificou de urbanismo progressista, cuja bandeira é a cidade democrática.

Esta mesma premissa foi defendida pelo secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto. "Não se pode falar em mobilidade sem falar em democracia de espaços nas cidades; espaços que não estão à venda e são muito caros." Tatto explicou que os carros usam 80% do sistema viário da cidade e o transporte coletivo, 20%. Entretanto, não há como equilibrar este confronto, disse, visto que muitos gestores públicos preferem construir pontes, viadutos e túneis, alargar avenidas, induzindo as pessoas a usarem mais o carro.

Tatto endossou a ideia, ventilada por uma das autoras, Meire Quadros, usuária de transporte público, de se criar o Sistema Único de Transporte, o SUT, a exemplo do SUS. Porém, argumentou, teria de haver uma transição. "Se o carro atrapalha o trânsito, tem de pagar para o transporte público. Mas as pessoas não entendem isso; reclamam como se fosse um direito delas ocupar um espaço público, com um único veículo o dia inteiro", acentuou.

Ao fazer a defesa do SUT, Meire Quadros esclareceu que as mulheres, principalmente as que moram em periferia, têm de se deslocar para o centro à busca de emprego e, muitas vezes, não têm condições de arcar com o custo do transporte. "O subsídio dado aos empresários poderia ter uma parte revertida para a tarifa zero, porque há os que andam a pé por opção, mas há também os que caminham por falta de condições."

As alternativas ao carro

A pedativista Ana Carolina relatou que o movimento da caminhada a pé, conhecido no Brasil como pedativismo, surgiu em 2013, espelhando-se no cicloativismo. E, atualmente, da mesma forma que o cicloativismo, enfrenta, rotineiramente, a violência do carro. "A ideia que se tem é a de que as pessoas que andam por viadutos e ruas causam problemas, mas os espaços é que são inadequados", reclamou, conclamando os pedestres a unir forças com os cicloativistas contra o carro. Segundo Ana Carolina, as cidades oferecem verdadeiras armadilhas para os que se deslocam a pé. "Somos o lado mais fraco", concluiu.

A cicloativista Cyra Malta resumiu em três palavras a luta iniciada em 2004 pela construção de ciclovias na cidade de São Paulo: ir às ruas, brigar, pedir e dialogar, toda vez que ocorria mortes violentas de ciclistas. Reconheceu, no entanto, que a atual administração teve a predisposição para a malha cicloviária num conceito diferente das gestões anteriores. "A política de José Serra e Gilberto Kassab reforçavam o uso da bicicleta como lazer e não veículo de transporte, como fez Fernando Haddad." Cyra Malta condenou "a forte campanha da mídia" para incentivar críticas à criação dessa malha viária. Segundo ela, no começo, havia 80% de aprovação por parte da população paulistana e, após as críticas da mídia, os índices baixaram para 54%.

O carro é o vilão

Para Ubiratan de Paula Santos, médico pneumologista, professor da Escola de Medicina da USP, a poluição provocada pelos veículos urbanos mata de três a quatro milhões de pessoas. No Brasil, este dado equivaleria a 25 ou 30 mil pessoas por ano. "Mas, a opção pelo carro foi estimulada desde o governo Prestes Maia", lamentou.

Outros autores e convidados da Mesa se pronunciaram: o ex-deputado Gerson Bittencourt falou sobre os avanços no transporte público, decorrentes da implantação da bilhetagem eletrônica; os metroviários Eduardo Pacheco e Marlene Furino abordaram o transporte sobre trilhos; Juarez Mateus, denunciou as condições precárias de trabalho dos motoristas de ônibus; e o economista Eduardo Fagnani, professor da Unicamp, teceu comentários sobre os problemas estruturais brasileiros.




Livro sobre mobilidade urbana
Evaristo Almeida

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